O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira (28) que o Brasil está se “insurgindo” contra os Estados Unidos por não aceitar as justificativas do país para o tarifaço de 50% sobre parte dos produtos brasileiros. “Então é o seguinte, nós estamos nos insurgindo contra eles. Hoje eu disse para a imprensa mineira o seguinte: a hora que eles quiserem negociar, o Lulinha Paz e Amor está de volta”, declarou.

Em sua carta antes do tarifaço, o presidente norte-americano citou uma perseguição a Jair Bolsonaro (PL), medidas contra big techs e deficit comercial.

Lula repetiu que irá regular as empresas de tecnologia e que qualquer instituição privada que quiser funcionar no Brasil precisa respeitar a legislação local. No caso do ex-presidente, o petista disse que o julgamento é feito por outro Poder e ele foi acusado por ex-colegas e não opositores.

“Nem o Mauro Vieira conseguiu falar, nem o Alckmin conseguiu falar e o Haddad estava com uma reunião com o secretário de Tesouro, suspendeu a reunião com o Haddad e foi se reunir com o deputado Eduardo Bolsonaro. Uma demonstração da falta de seriedade nessa relação com o Brasil”, disse Lula.

O discurso do presidente foi durante ato de nomeação de autoridades aprovadas pelo Senado para autarquias e agências reguladoras. Sobre o tema, Lula afirmou que eles, a partir daquele momento, não eram mais indicados pelo Planalto, ministros ou congressistas, mas que deveriam fazer um trabalho independente.

Mais cedo, Lula comentou a ausência de diálogo direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em entrevista à TV Record de Minas Gerais, o petista afirmou que não pretende “mendigar” uma conversa com o republicano porque “homem que tem dignidade não rasteja para outro”.

“Um homem que anda de cabeça erguida, tem dignidade, não rasteja diante de outro homem. O dia que o Trump quiser, eu estarei pronto para conversar. Mas ele nem carta para mim mandou. Na hora que ele quiser, o ‘Lulinha paz e amor’ está pronto para conversar, mas não pensem que o Lula vai ficar mendigando uma conversa não”, disse Lula.

Conflito

As declarações ocorrem em meio à tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, provocada pelo tarifaço anunciado por Trump. O petista tem repetido que não há disposição do governo americano para negociar.

Segundo Lula, apesar de ter indicado ministros de peso para conduzir o tema – Geraldo Alckmin (Indústria, Comércio e Serviços), Fernando Haddad (Fazenda) e Mauro Vieira (Relações Exteriores) – , não houve abertura por parte de Washington.

“Ninguém pode dizer que eu não quero negociar, o problema é que os americanos não querem. Tenho três ministros tops para isso, mas ninguém de lá quer conversar. Porque o presidente americano se acha dono do planeta”, criticou.



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