Vicente Serejo
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Todos dirão, num coral de vozes uníssonas: é cedo, muito cedo. É verdade, não há como negar. Mas, a política não é uma ciência exata. E, por não ser, nela não predomina o saber dos matemáticos ou dos físicos. Aliás, essa capacidade de viver em permanente mutação, já foi antes avisada por Magalhães Pinto ao comparar com as nuvens. Mas, e como diria a cultura popular, quem não arrisca não petisca. Desconfiar é um velho e bom atributo dos repórteres profissionais.

Isto posto, passemos ao que diz a rua, afinal de contas, sempre estão nas ruas as verdades que os palácios só descobrem depois. Só um estrategista como Getúlio Vargas ouviu as ruas e os ruídos nos jardins do Catete, encimado nas platibandas por suas águias de bronze, pousadas ali, há décadas, como aves de mau agouro. Anteviu a traição de Café Filho com a proposta de renúncia e estourou o coração com um tiro no peito para deixar a vida e entrar para a História, como avisou.

Neste chão da Cidade dos Reis Magos, velho de mais de quatro séculos, Aldeia Velha de Felipe Camarão e Capitania do mui lido senhor João de Barro, as novidades políticas continuam escassas. Tão escassas quanto os peixes no seu mar quando sacudido pelo Vento Leste em lapadas de fazer gosto. Basta dizer que pode reviver o sonho de reunir Alves e Maia na chapa encabeçada pelo prefeito Alysson Bezerra que, destemido, se apresenta, sem nem notar, como uma novidade.

O panorama visto da Ponte de Igapó, depois que os olhos vencem o Areal e as Rocas, não encontra novidades. A menos que se queira negar os velhos métodos de um PT que não mais faz da ruptura o seu sonho. Lembrai-vos da frieza sagaz da professora Fátima Bezerra quando fez o acordo para ter um Alves como vice, grupo que contestou a vida inteira. Agora, sonha com um outro Alves, o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves, como seu companheiro de chapa para o Senado.

Mas, o PT, pelo visto, não parece ter o crédito da gratidão. Quando Carlos Eduardo Alves lançou-se candidato a prefeito, há pouco mais de um ano, o PT lançou a candidatura de Natália Bonavides que foi ao segundo turno e disputou o Palácio Felipe Camarão com o eleito, Paulinho Freire. O então ocupante da poltrona, magoado, apostou em Freire, azeitou sua cremalheira e levou seu nome à vitória. Venceu a luta, mas deixou o poder órfão, sem ter um exército para comandar.

A luta de 2026 deverá repetir, aqui, o retrato nacional: a polarização Lula versus Bolsonaro, os grandes protagonistas, mesmo com o capitão inelegível e em prisão domiciliar. Nesse diapasão, Rogério Marinho e Alysson Bezerra representarão os dois polos que vão eletrizar o eleitorado. O Rio Grande do Norte, exceto nos dois governos petistas, não é sensível, facilmente, a uma terceira força. Conservadores enfrentarão conservadores. O que nesta aldeia não chega a ser uma novidade.

PALCO

SONHOS – A estrela das nove da manhã na Tenda dos Autores, no Flipipa, dia 31, sexta próxima, será o neurocientista Sidarta Ribeiro, da UFRN. Sua fala será sobre “Sonho, Telas e Memórias”.

MAR – O pró-reitor Graco Aurélio Viana, doutor em mar, presente no painel sobre Aquicultura na “Conferência Internacional sobre Pesca e Aquicultura Sustentável”. Lá em Angola, nesta terça.

DÚVIDA – Até agora ninguém sabe quais, e se são verdadeiras, as suspeições em torno da venda de sentenças no STJ e se envolvem ministros. Mas, a PF também não desmentiu. Tudo é nebuloso.

CAUDA – Quanto mais avançam as chances de negociação de Lula com Trump, mais vão ficando presos ao rabo dos guabirus os caudatários, reféns das torcidas e nunca da visão crítica dos fatos.

PIOR – Vítima da própria guerrilha digital, o bolsonarismo subestimou os interesses econômicos da questão. E a contaminação é a mesma: é a velha e rasa prevalência dos desejos sobre a lógica.

GASTRONOMIA – De 31, sexta próxima, a primeiro de novembro, Caicó realiza o seu Festival Gastronômico. Com as oficinas ensinando a cozinha do Seridó, uma história da civilização da seca.

POESIA – É assim que Carlos Peixoto começa o capítulo VII do seu ‘Livro dos Sonhos’, edição da Ciropédia, em 1923: “O livro caído, os óculos pendurados na cara. O sonho dentro do sonho”.

PAIXÃO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, compadecido diante de um amigo vivendo a grande tristeza de uma paixão quando morre: “A dor do amor tem caminhos secretos”.

CAMARIM

MESA – Está à venda, no Sebo Vermelho, ‘Cardápio de Mesa Seridoense’, do poeta José Bezerra Gomes, um texto histórico publicado originalmente na ‘Revista Nordeste’, Recife, em 1949. Foi localizado pelo pesquisador Willian Pinheiro, autor do belo posfácio. Uma leitura indispensável.

ÍCONE – Como ficou muito comum a aliança, a Cartier reinventou um novo ícone para representar o amor: lançada originalmente em 1960 a ‘Pulseira Love Unlimite’. Agora com elos flexíveis para mostrar que “o amor não tem limites’. No lançamento, a Panthère, o símbolo histórico da Cartier.

LIÇÃO – Para quem desconfia e tem o cuidado e a precaução de olhar para o outro lado, a lição de António Guterres, secretário geral da ONU: “A pobreza não é um fracasso pessoal, é uma falha sistêmica”. Guterres sabe que o sistema produz ricos e pobres. Como neste Brasil, desde a Colônia.

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