Vicente Serejo
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A experiência de mais de quarenta anos de colunista, basta para autorizar, para mais ou para menos, como no jargão nas preventivas enunciações na divulgação de pesquisas de opinião, o dever de aceitar provocações, principalmente as de boa-fé que de vez são lançadas pelo leitor. Há sempre aqueles com os quais é indispensável travar o diálogo interno, via e-mail, fora das páginas, o que enriquece tão necessariamente como forma de girar os olhos na direção de novos e outros ângulos.
O jogo instigante das angulações acaba sendo um bom aviso, a partir de indagações daquilo que passa despercebido. No final de semana, um desses leitores de visão aguda perguntou se para o cronista o quatro eleitoral estaria completo, ainda que lhe faltem alguns detalhes. Numa só palavra caberia a resposta: não. Mas é essa incompletude que revela mais de perto a questão política. O que falta saber é, justamente, o que nutre hoje as especulações sustentadas pela força da plausibilidade.
Faltam duas pedras indispensáveis ao fechamento de qualquer visão sobre a luta pelo voto: o segundo senador nas chapas de Allysson Bezerra e Álvaro Dias já ungidos como candidatos ao governo. Ambos estão com vices definidos, assim como um dos dois candidatos ao Senado. De um lado, Bezerra já tem Zenaide Maia; e, do outro, Dias com Styvenson Valentin. Os dois claros ainda esperam por definições que a política saberá resolvê-las, mas trabalha o tempo até as decisões finais.
Na margem do que parece ser suficiente, caminha uma dúvida de grande porte: a renúncia ou não da governadora Fátima Bezerra. Só pode tomar a decisão, até abril, se tiver a certeza de que não terá na poltrona de governador um nome que não seja ou pareça hostil. Ela sabe que a oposição desejaria ter o governo, daí a especulação de que os seus adversários na Assembleia seriam capazes de eleger o ex-deputado Fábio Dantas, que o núcleo duro petista teme vê-lo no comando do poder.
Há, ainda, uma dúvida de peso inegável: se a chapa oposicionista teria a candidatura do atual presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira, na disputa pela segunda vaga de senador. Afinal, a dupla de nomes – Valentin e Ferreira – é um aporte considerável como reforço. De um lado, aquele que hoje lidera as pesquisas; do outro, o detentor de um patrimônio eleitoral que não pode ser subestimado, com seu nome inegavelmente bem sedimentado em todas as regiões do Estado.
Não há como projetar, com segurança, a força dos dois exércitos sem que esses dois espaços estejam preenchidos. O deputado Ezequiel Ferreira é aliado da primeira hora da governadora, com nomes no secretariado e indicações em todos as outras esferas de governo. O que não impede, até pela sua performance, de tomar a decisão de rompimento. O quadro tem, pois, dois grandes vazios, o que torna incompleta a visão. O tempo, continua o grande senhor da dúvida. Salvo melhor juízo.
PALCO
SINAL – Como diriam os franceses, a pièce de résistance do almoço oferecido pelo deputado Tomba Faria, em Pirangi, teve molho: levar o ex-deputado Fábio Dantas para governar no mandato tampão.
MAS – Há quem aposte que, neste caso, a governadora Fátima Bezerra não renunciaria. Fábio é o nome integralmente vetado pelo PT. E sem sua renúncia não haverá eleição indireta na Assembleia.
SENADO – Se ocupar as duas vagas de senador e a vice Allyson Bezerra não terá moeda de negociação à mesa. O único caminho aberto é de Álvaro Dias. Até agora posta à disposição de Ezequiel Ferreira.
EDITORIAL – Convenhamos: muito bem formulado o editorial da edição de fim de semana desta TN – “Regras claras fortalecem o Judiciário”. Firme, e bem acompanhado daquela boa serenidade.
ARTE – Sábado a abertura, na Pinacoteca, sediada no Palácio Potengi, da exposição da arte de Assis Marinho, com curadoria de Onofre Neto. Um grande artista que se fez, sozinho, nas ruas do mundo.
DESFILE – Sábado, no desfile das escolas de samba, na Ribeira, chamou atenção a animação de alguns personagens colunáveis da ‘Batuque Ancestral’. Entre seus brancos e seus azuis cintilantes.
POESIA – Do poeta Sanderson Negreiros, olhando a vastidão das serras, versos de seu ‘Poema Rupestre’: “O gado em repouso / mede o mundo. / Pastagens na distância, / invisíveis, se repetem”.
AVISO – De Nino, depois de tirar o gosto da cachaça paraibana de Bananeiras com o sarapatel de carneiro no ponto: “Desconfie de quem não tem amigo pobre. Pode ser um grave defeito de alma”.
CAMARIM
ORIGEM – Faltou dizer: embora todos os bispos tenham origem no Seridó, considerado hoje um celeiro de vocações sacerdotais e religiosas, há um fato curioso e único no Estado: todos eles com raízes em Acari. Sem ter vínculos diretos com as dioceses de Mossoró e Caicó. É o Seridó, sempre.
TREZENTOS – Católicos e mesmo muitos assuenses reclamam da morosidade das autoridades eclesiásticas, incluído ainda o bispado mossoroense, diante da data dos trezentos anos de criação da Paróquia de São João Batista do Assú. Quando foi criada abrangia toda a metade da área do Estado.
HISTÓRIA – Assú conta ainda com um fato na história política e administrativa do Rio Grande do Norte: o padre e senador Francisco de Brito Guerra, apesar de ter dedicado sua vida ao Seridó, nasceu em Campo Grande, à época distrito de Assú. Tem, portanto, um grande acervo histórico.
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Notícia publicada originalmente por Tribuna do Norte
em nome do autor Redação Tribuna do Norte.
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