Alex Medeiros
@alexmedeiros1959

Mais de uma semana depois do carnaval, a folia ainda imperou nas ruas até domingo, com aquele entusiasmo contagiante que só os brasileiros sabem fabricar em série. São Paulo, Rio e Salvador mobilizaram dezenas de blocos e milhares de foliões que, pasmem, foram ao carnaval para se divertir.

Que ideia original. Mas o assunto carnavalesco mais repercutido na mídia e nas redes ainda é o desfile da escola de samba carioca Acadêmicos de Niterói, que foi fazer um giro pelo samba e acabou num jirau de polêmicas de dar inveja a roteirista de novela.

Porque no Carnaval do Rio, dizem que o enredo só é bom quando o povo canta junto. Mas, para a agremiação niteroiense, o que se ouviu foi um silêncio constrangedor, daquele tipo de silêncio que só o Ministério da Cultura consegue transformar em patrimônio imaterial, interrompido apenas pelo barulho ensurdecedor dos memes e piadas nas redes sociais.

A tentativa de transformar a Sapucaí num palanque para o Stalinácio provou ser um erro de cálculo político e artístico de proporções monumentais, o tipo de erro que exige muitos anos de planejamento para ser tão preciso.

O que deveria ser uma homenagem para catapultar a popularidade do capo petista acabou virando combustível premium para a rejeição. Em vez de aplausos, a escola colheu críticas severas, o que, convenhamos, é uma surpresa chocante para quem decidiu misturar desfile de carnaval com palanque eleitoral.

O ponto mais sensível da polêmica reside, surpresa das surpresas, na origem dos recursos e na gestão da escola. O fato de a agremiação ser presidida por um vereador do próprio PT levanta questionamentos inevitáveis sobre o uso de verba pública para enaltecer o fanfarrão, mas deve ser pura coincidência, porque esse tipo de coisa nunca acontece na política brasileira.

No tribunal do público, a imagem que ficou não foi a de uma celebração cultural, mas a de uma peça de propaganda muito bem financiada pelo contribuinte, que, como sempre, bancou o espetáculo sem ter comprado ingresso.

O resultado na apuração foi o golpe final e, digamos, poético. Com as notas mais baixas dos últimos anos, a escola não apenas passou longe do título como foi rebaixada. Um feito e tanto para quem foi à avenida celebrar o operário mais famoso do Brasil.

E, como a internet não perdoa nem faz hora do almoço, as redes sociais foram inundadas por piadas ligando o rebaixamento ao histórico escolar do presidente, num trocadilho ao mesmo tempo irônico e cruel: Lula “foi reprovado na escola” justamente quando tentou se vincular a uma.

E o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que era para ser uma celebração épica, virou um verdadeiro samba do crioulo doido, com críticas, ações judiciais e o aumento da rejeição de um presidente que já faz tempo está sambando atravessado nas pesquisas.

O Stalinácio até tentou rebater as críticas dizendo que “não é carnavalesco” e que vai visitar a escola para agradecer o carinho. Que gesto tocante, de arrepiar petistas. O estrago, no entanto, já está feito com nota máxima.

No fim das contas, a avenida ensinou uma lição amarga para o governo e para a diretoria da escola: o samba não aceita cabresto. Quando a ideologia atropela a estética e a transparência, o resultado inevitável é a nota zero em harmonia e o descenso na preferência popular, que, ao contrário do rebaixamento, não tem data marcada para acabar.

Pancadão
No X, a timeline e adjacências do ex-secretário de cultura do governo Bolsonaro, Felipe Carmona, está pegando fogo com críticas ao ex-ministro Fábio Faria, tratado como X-9 infiltrado para atrapalhar a pauta conservadora.

Suspeito
O perfil da Transparência Internacional na rede X postou um longo texto com uma sequência cronológica dos casos suspeitos envolvendo o ministro Dias Toffoli e que terminaram arquivados ou ignorados pelo Supremo e pela PGR.

Salário
Ao comparar o custo de vida no Brasil e nos EUA, Elon Musk disparou que sobreviver em Pindorama virou luxo, onde o salário mínimo deveria ser de R$ 7 mil. E concluiu: “quem trata esforço humano como descartável não decola”.

Baboseira
A velha imprensa caiu no conto do porto-riquenho Bad Bunny, que convidou o Brasil a assumir “latinidade” (como se isso já não fosse nossa pele e alma). Logo ele, colonizado pelos EUA e que adotou nome artístico em “ingreis”.

Ciência
Novos modelos quânticos revelam que múltiplas linhas do tempo podem existir e que o cérebro consegue acessar vislumbres dessas realidades paralelas. O sonho pode ser um rápido olhar para outras versões da vida humana.

Princesas
As redes sociais espanholas despertaram para a beleza anatômica das herdeiras do rei Felipe e da rainha Letizia. Multiplicam-se postagens com elogios às formas dos corpos da princesa Leonor (20) e da infanta Sofia, (19).

Dividida
Enquanto se discute uma “Lei Vinícius” contra o racismo no futebol, a maioria absoluta dos jogadores não se manifestou sobre o caso Prestianni, do Benfica. Aliás, o argentino ganhou mais de 200 mil seguidores desde a confusão.

Figurinhas
A Editora Panini anuncia para abril o lançamento do livro ilustrado da Copa do Mundo 2026, o maior álbum de todos os tempos, com 980 cromos e pacotes com 7 unidades. O livro comum por R$ 24,90 e capas duras a 74,90 e 79,90.

Os artigos publicados com assinatura não traduzem, necessariamente, a opinião da TRIBUNA DO NORTE, sendo de responsabilidade total do autor.



Notícia publicada originalmente por Tribuna do Norte
em nome do autor Redação Tribuna do Norte.

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