Quando Breno Bidon recebeu passe de José Martínez, já havia olhado duas vezes para ver onde estava a marcação de Cauan Barros. Em apenas um toque, ele aplicou lindo drible e clareou a jogada que acabou sendo a do gol do título do Corinthians sobre o Vasco na Copa do Brasil, marcado por Memphis Depay.
O lance pode ter pego muita gente de surpresa, mas mostrou características que já haviam sido notadas há três anos no Corinthians, como revela uma avaliação feita pela comissão do técnico Vitor Pereira.
Foi o português quem deu a primeira chance a Bidon entre os profissionais, em uma integração promovida com as categorias de base. Ele chamou o meio-campista, então no sub-17, para treinos e o relacionou pela primeira vez, em partida também da Copa do Brasil, de 2022, contra a Portuguesa-RJ.
A análise compartilhada com a ESPN pelo auxiliar Filipe Almeida, que acompanhou VP no Corinthians, hoje até como “premonição”, já que cita, por exemplo, o “primeiro toque de muita qualidade”.
“Médio box-to-box de elevada capacidade técnica, destacando-se na capacidade de decisão – muito inteligente a explorar os espaços, juntando um primeiro toque de muita qualidade que lhe permite, com eficácia, tomar decisões que afetam positivamente o jogo”, descreveu a comissão portuguesa.
“Mostra uma recepção orientada para a frente, revelando, não só qualidade de último passe, mas também na finalização de meia distância com pé esquerdo”, continua o diagnóstico.
Na ocasião, Breno Bidon tinha apenas 17 anos. Desde então, ganhou oportunidades esporádicas também com Vanderlei Luxemburgo e foi promovido definitivamente em 2024, depois de ser campeão da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Estreou oficialmente no Paulistão daquela temporada.
O potencial já era visto e elogiado, algo que se comprova anos depois, agora com Bidon já consolidado, tendo sido titular com Dorival Júnior na reta final que acabou com título da Copa do Brasil. Na época, a avaliação da comissão técnica portuguesa é de que o jogador poderia evoluir defensivamente – por outro lado, antecipar movimentos, como fez com Barros, já o ajudava a superar a limitação.
“Jogador de elevado potencial e margem de evolução quer do ponto de vista técnico-tático, quer do ponto de vista físico. Um dos aspectos que poderá melhorar seu jogo e sua performance, particularmente do ponto de vista defensivo, é a agressividade na disputa dos duelos, aspecto que contorna com sua capacidade de decisão, leitura de espaços e antecipação das ações de colegas e adversários.”
“A sua capacidade de trabalho e comprometimento demonstrados, tais como a vontade de evoluir a cada treino, fá-lo-ão progredir nestes domínios da performance”, encerra a análise.
Nas semifinais, vale lembrar, já havia sido o meio-campista de 20 anos quem chamou a responsabilidade e bateu o pênalti decisivo que confirmou a classificação contra o Cruzeiro na Neo Química Arena.
O destaque, claro, repercute na Europa, mas o plano do Corinthians é claro: não há qualquer intenção em negociar sua joia neste momento. Hoje, inclusive, segundo apurou a ESPN, a avaliação de pessoas importantes no mercado é que Bidon ainda não atingiu seu máximo potencial.
O entendimento é que o jovem vale hoje algo entre 15 a 20 milhões de euros (entre R$ 98 milhões e R$ 130 milhões). Os paulistas não pensam em negociação nesse patamar – vale lembrar que o jogador tem contrato até o fim de 2029 e multa rescisória de 100 milhões de euros (R$ 650 milhões) para o exterior.
Internamente, Bidon agradou muito a comissão técnica de Dorival Júnior principalmente pelo que fez nesses últimos jogos do ano. A impressão é que, apesar da pouca idade, o jogador não sente a pressão de grandes momentos – como foi na cobrança de pênalti contra o Cruzeiro e na decisão contra o Vasco.
Notícia publicada originalmente por www.espn.com.br –
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