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    Piauí

    Em nome do Kassio, do filho, do amigo e do filho do amigo

    22 de abril de 2026
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    A família Craveiro é pouco conhecida nacionalmente, mas desde que se descobriu que era dona de uma consultoria tributária que recebeu 11,4 milhões de reais da JBS e 6,6 milhões de reais do Banco Master, seu nome começou a ganhar projeção – e logo apareceram suas conexões com uma família famosa do Piauí, a do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal. As relações entre os Craveiro e os Nunes Marques não são apenas próximas, de amizade, mas está também entrelaçada em negócios, fluxos financeiros e rearranjos societários, que começaram justamente quando os irmãos Batista e Daniel Vorcaro passaram a despejar dinheiro na consultoria, a Consult Inteligência Tributária.

    Enquanto Nunes Marques trilhou carreira ascendente no Judiciário – tornou-se juiz eleitoral no Piauí em 2010, e desembargador em Brasília em 2011, no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, Craveiro se tornou dono de algumas empresas, sendo a principal delas a Craveiro Assessoria Contábil, estabelecida há duas décadas em um bairro de classe alta de Teresina.

    A vida do magistrado mudou em 2020, ao se tornar ministro do Supremo Tribunal Federal, indicado pelo presidente Bolsonaro. A vida de Craveiro, ao menos do ponto de vista financeiro, deu uma guinada quatro anos depois. Se até então a Craveiro Assessoria Contábil era o carro-chefe dos seus negócios, um novo CNPJ aberto pelo contador com o pretexto de “expandir o atendimento às regiões Sul e Sudeste” possibilitou a ele rendimentos relevantes.

    A expansão dos negócios de Craveiro rendeu os depósitos da JBS e do Master, que totalizam 18 milhões de reais, para a Consult Inteligência Tributária, no período entre agosto de 2024 e julho de 2025. A empresa tem como endereço fiscal um coworking em Barueri, na Grande São Paulo (recentemente, estava reformando uma sala em um prédio em Moema, na Zona Sul de São Paulo).

    Seria um belo exemplo de sucesso empresarial, mas dois aspectos chamam a atenção. Primeiro: ninguém mais colocou 1 real na Consult além dos irmãos Batista e de Daniel Vorcaro.

    Segundo: a JBS e o Banco Master tinham interesses no Supremo Tribunal Federal em períodos próximos aos que os pagamentos foram realizados. E é aí que os destinos começam a se cruzar. O ministro Nunes Marques foi relator de uma ação decisiva para a J&F (holding da JBS), uma disputa bilionária pelo controle da Eldorado Brasil Celulose. Embora a Paper Excellence, de origem indonésia, houvesse comprado a empresa, a J&F recuou na negociação e iniciou uma batalha judicial renhida para manter o controle da companhia, cuja disputa foi retratada na reportagem O vale tudo. 

    A Paper Excellence chegou a entrar com uma reclamação no STF, mas desistiu ao saber que Nunes Marques seria o relator. Era junho de 2024. O ministro manteve o processo parado por quatro meses, até outubro, quando rejeitou a desistência da Paper Excellence e determinou uma conciliação. Resultado: a empresa indonésia acabou cedendo, e a J&F recuperou o controle da Eldorado Brasil Celulose.

    No caso do Master, os interesses no STF são menos evidentes, mas podem ser lidos por linhas tortas. No mesmo período em que transferiu 6,6 milhões de reais à Consult, o banco também destinou valores elevados (80,2 milhões de reais ao longo de 22 meses, conforme declaração de imposto de renda) ao escritório de advocacia de Viviane Barci, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Quando Vorcaro foi preso, em novembro de 2025, sua defesa solicitou que o caso fosse encaminhado ao STF sob relatoria de Nunes Marques.

     

    Não existe qualquer evidência direta de relação entre os pagamentos à Consult e a atuação do ministro Kassio Nunes Marques, mas o fluxo de interesses e valores passa tão perto do magistrado que é digno de nota. Já as conexões entre as famílias de Francisco Craveiro, beneficiária de JBS e Master, e de Kassio Nunes Marques, com poder sobre JBS e Master, são sólidas.

    Nas últimas semanas, a piauí investigou os negócios da família Craveiro, com base em dados de juntas comerciais, pesquisas em dados abertos, entrevistas com fontes e visitas a endereços em Brasília, São Paulo e Teresina. Ela mostra uma sequência de alterações societárias e movimentações financeiras que aproximam os Craveiro do entorno do ministro do STF.

    Há uma intrincada engenharia societária que começa em 30 de julho de 2024. Francisco Craveiro e seu filho, Gabriel Campelo, romperam a sociedade na Consult. Na ocasião, Campelo transferiu suas cotas ao pai. No mês seguinte, a empresa começou a receber repasses da JBS e do Master, conforme revelou o Estadão.

    Em setembro do mesmo ano, o pai passou ao filho a totalidade das quotas da empresa de Teresina, a Craveiro Assessoria Contábil. No mês seguinte, Campelo se associou ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Nunes Marques, na criação de uma outra empresa, o Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária (IPGT). 

    Logo fica claro que a separação de pai e filho no meio empresarial não era tão separada assim. O pai aparece como contador do recém-criado IPGT. Além disso, esse instituto foi instalado na mesma sede para onde a sua Consult foi transferida semanas antes, em Alphaville, na Grande São Paulo. 

    Por essa teia, fluíram quantias consideráveis de dinheiro.

    Um relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão vinculado ao Banco Central, apontou que, entre agosto de 2024 e julho de 2025, quando recebeu os 18 milhões de reais da JBS e do Master, a Consult repassou um total de 281,6 mil reais ao escritório individual do advogado Kevin Marques, dividido em onze transações, além de 175 mil reais ao próprio Francisco Craveiro, em dez depósitos; 90 mil reais à Craveiro Assessoria Contábil, sediada em Teresina; e 256 mil reais a Victor Linhares de Paiva, o pupilo do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em quatro transferências. “A movimentação é, aparentemente, incompatível com a capacidade financeira presumida do cliente, considerando o faturamento médio mensal cadastral”, documentou o Coaf.

    Eis que, em dezembro do ano passado, a Consult, pertencente a Craveiro, e a Craveiro Assessoria Contábil, de Campelo, tiveram, em paralelo, novas mudanças societárias que, ao menos no papel, os tiravam do comando das duas empresas. Ainda assim, nos dois casos, ficou determinado que os lucros ficassem para Craveiro e Campelo – o primeiro receberia 13 milhões de reais da Consult e o segundo 1,5 milhão de reais da Craveiro Assessoria Contábil.

    Craveiro se retirou da sociedade na Consult e deu lugar a seu irmão, Antonio Ronaldo Madeira de Carvalho, e a Leidiane da Silva Amorim, que assumiu como administradora. A ata de distribuição de lucros deste ano mostra que, mesmo fora da empresa, Craveiro vai receber 13 milhões de reais em lucros até 2028. Em março deste ano, ele voltou a ser dono de 95% da Consult – os 5% restantes ficaram para seu irmão. 

    Leidiane também assumiu a gestão da Craveiro Assessoria Contábil, mas foi Campelo, que em tese já estava fora da empresa, quem recebeu o lucro de 1,5 milhão de reais. Nas redes sociais, Campelo apareceu na festa de confraternização de fim de ano da empresa. 

    O rearranjo societário nas empresas da família Craveiro aumentou a distância formal entre os 18 milhões de reais recebidos da JBS e do Master e Kassio Nunes Marques. A saída de Gabriel Campelo antes dos pagamentos evitou que ele fosse, ao mesmo tempo, sócio da empresa que recebeu os recursos e da empresa ligada ao filho do ministro, o que acabou obscurecendo a conexão entre os dois núcleos empresariais, sem configurar ilegalidade.

    A piauí esteve nos dois endereços que aparecem em documentos como sede da Consult Inteligência Tributária e do Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária (IPGT), em São Paulo, no dia 23 de março, uma segunda-feira.

    Uma delas é o coworking de Barueri – mais especificamente, na Alameda Rio Negro, 1030, no condomínio Alphaville. Uma funcionária responsável pela administração informou que as duas empresas estão registradas ali apenas como sede fiscal, sem operação própria no local. Segundo ela, as salas de número 2304 – que na Junta Comercial são atribuídas às duas empresas – são utilizadas pelo próprio coworking. Esse serviço burocrático custa 179 reais por mês.

    O segundo endereço é o do bairro paulistano de Moema, que entrou em reforma em janeiro. Este fica na Rua Araguari, 835. Um funcionário do prédio informou que a Consult alugou, no fim de 2025, um conjunto no segundo andar, com cerca de 170 m2. O aluguel de unidades semelhantes naquele prédio gira em torno de 15 mil reais mensais.

    O mesmo funcionário disse ter reconhecido, por meio de fotografias apresentadas pela reportagem, Francisco Craveiro e Gabriel Campelo como pessoas que visitaram o prédio antes da locação. Sobre não ter uma sede compatível com os valores que a empresa faturou, Craveiro disse que a Consult presta “serviços especializados, desenvolvidos de forma descentralizada, sem dependência de estrutura física tradicional”. 

    A piauí também esteve no endereço da Craveiro Assessoria Contábil em Teresina no dia 6 de abril. Na fachada, a única menção a Francisco Craveiro era um adesivo colado no vidro da porta com o sobrenome do fundador. Na recepção, a atendente vestia uma roupa com os dizeres “Foco Contábil”. Questionada, afirmou que o dono do escritório ainda era Craveiro. 

     

    Além dos repasses financeiros da JBS para Francisco Craveiro, há uma outra conexão na órbita do ministro Kassio Nunes Marques. Karine Nunes Marques, sua irmã, atuou como advogada da JBS em um processo no Superior Tribunal de Justiça (STJ), em um recurso da Distribuidora de Carnes Equatorial Ltda.

    O processo tem origem em uma disputa sobre a locação de quatro unidades industriais de frigorífico, com aluguel de 825 mil reais mensais. A ação envolve pedidos de indenização por danos e lucros cessantes, com laudos técnicos que apontam prejuízos superiores a 14 milhões de reais em duas das unidades analisadas. Em nota, Karine Marques afirmou que representou a J&F em um único recurso especial, decorrente de uma ação que tramitava no STJ, pelo período de seis meses. Disse que a atuação se deu em parceria com outros advogados, prática comum em causas complexas, e reiterou que sempre exerceu a advocacia “com atuação nos autos, peticionamento e procuração devidamente constituída”.

    Mas, além do amigo Craveiro recebendo os repasses da JBS, do ministro Nunes Marques julgando o caso bilionário da J&F e da advogada Karine Nunes Marques representando a JBS, há mais uma relação profissional que se cruza com a empresa dos Batista na ciranda Marques-Craveiro. O palco é o órgão de cúpula do sistema tributário brasileiro, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

    Gabriel Campelo foi designado pelo Ministério da Fazenda, em 13 de agosto de 2025, como conselheiro do Carf, a instância que dá a palavra final nos recursos de contribuintes contra autuações da Receita Federal, envolvendo cifras bilionárias.

    O processo de seleção chamou a atenção de servidores do órgão. Em 22 de maio de 2025, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, apresentou uma lista tríplice, que foi submetida ao Comitê de Acompanhamento, Avaliação e Seleção de Conselheiros. O comitê ranqueia os candidatos com base, principalmente, nos currículos. 

    Campelo, um nome de currículo modesto, não foi o candidato mais bem avaliado e sequer obteve a segunda colocação de forma unânime; sua posição foi definida por “voto de qualidade” (voto de desempate) do presidente do comitê, Carlos Higino Ribeiro de Alencar, que também preside o Carf. É incomum que o primeiro colocado não seja o escolhido, mas a Fazenda preferiu indicar o sócio do filho de um ministro do STF.

    A vaga ocupada por Campelo na 1ª Seção do Carf é uma das destinadas a representantes dos contribuintes. É ali que se julga o imposto de renda de pessoas jurídicas e as contribuições sociais — o grosso dos valores em disputa no órgão. E é nessa mesma seção que a JBS também tinha interesses.

    Ao tomar posse, Campelo assinou o termo de compromisso para observar as regras para o cargo previstas na Lei de Conflito de Interesses, com restrições à atuação de agentes públicos em situações que envolvam relações econômicas com partes interessadas em decisões do colegiado — um problema para ele, que é sócio e administrador de três empresas de contabilidade (além do IPGT e da Craveiro Assessoria Contábil, ele tem uma empresa que leva seu próprio nome, a Campelo Contabilidade e Consultoria). 

    O regimento do Carf também prevê impedimento em casos de interesse econômico direto ou indireto. Este era o caso dos clientes da Consult Inteligência Tributária, da qual Campelo era sócio até 30 de julho de 2024 (um ano antes de ele entrar no Carf).

    No Carf, ele participou de dois julgamentos envolvendo empresas do grupo e, nos dois casos, deu votos favoráveis a elas, ambos em novembro de 2025. No primeiro, votou a favor de um recurso da Flora (uma empresa do grupo J&F, do ramo de beleza, limpeza doméstica e higiene pessoal), que foi parcialmente atendido, com a redução de uma multa – a decisão foi unânime. No segundo, o conselheiro votou a favor da JBS, que tentava usar um crédito tributário para abater dívidas, mas seu voto ficou vencido: o Carf entendeu que esse crédito já tinha sido usado antes e, por isso, negou o recurso.

    A legislação do Carf não estabelece impedimento automático em função de vínculos familiares ou profissionais pretéritos. Mas exige a avaliação de situações em que relações recentes – diretas ou indiretas – possam interferir, ou aparentar interferir, na imparcialidade do julgamento.

    Nesse contexto, a eventual existência de conflito de interesses não depende apenas da titularidade formal das empresas no momento dos fatos, mas também da análise de vínculos recentes, indiretos e de natureza econômica entre os envolvidos e as partes interessadas em processos submetidos ao colegiado. O fato de ser sócio de Kevin Marques, filho do ministro do STF, no IPGT, cuja sede fica no mesmo endereço da Consult, era um indício de que a separação formal entre pai e filho não eliminou vínculos econômicos. 

    O Carf informou em nota que, após ser avisado pela reportagem sobre o possível conflito de interesses entre Gabriel Campelo e o voto favorável à JBS, instaurou um processo administrativo que pode culminar com a sua perda de mandato no conselho do órgão. Campelo, por sua vez, disse que sua atuação “não tem qualquer vinculação com interesses privados e segue rigorosamente critérios técnicos e as normas de impedimento e suspeição previstas na legislação vigente, pautados por padrões éticos, no que diz respeito a imparcialidade, integridade, moralidade e decoro.”

     

    A relação de proximidade entre as famílias de Francisco Craveiro e de Kassio Nunes Marques inclui também a atividade gastronômica.

    Karine Nunes Marques, a advogada irmã do ministro, criou, em 2021, o restaurante Facheiro, um “resto bar” em Teresina. Principal acionista, com 50% das quotas, ela tinha mais três sócios: Thiago de Melo Freire Duarte Lima (12,5%), Darlam Porto da Costa (12,5%) e Raimundo Nonato da Luz Junior (25%). As iniciais de cada um ficaram registradas na razão social da empresa: TKDR Restaurante Ltda.

    Formalmente, Karine deixou a sociedade em janeiro de 2024, ocasião em que sua participação foi transferida para um novo sócio, o empresário Caio César Fontenele de Brito Fortes. Mesmo com sua saída, o nome de registro oficial da empresa, TKDR, nunca perdeu o “K” de Karine. Nas redes sociais, Caio Fortes se refere a ela como “chefa”. Em nota, Karine Marques afirmou que saiu da sociedade do restaurante Facheiro em janeiro de 2024, quando deixou Teresina para viver em Brasília, e que desde então não recebeu nenhum valor oriundo de distribuição de lucros. 

    A composição societária do restaurante Facheiro passou por mais duas mudanças, até um representante da família Craveiro entrar como sócio em outubro de 2025 – poucos meses depois dos pagamentos feitos pela JBS e pelo Master à Consult. Foi Antonio Ronaldo Madeira de Carvalho, o irmão de Craveiro, que também aparece naquela ciranda societária da Consult ocorrida no fim de 2025.

    Foi um mês auspicioso para os negócios: enquanto a Consult aprovou a distribuição de lucros de 13 milhões de reais para o senhor Craveiro, e a Craveiro Assessoria Contábil distribuiu 1,5 milhão para Gabriel Campelo, o restaurante também decidiu distribuir nada menos que 5,2 milhões de reais entre seus proprietários. 

    Antonio Ronaldo Madeira de Carvalho, sócio do Facheiro e da Consult, aprovou a distribuição dos lucros das duas empresas. No caso do Facheiro, não é informado na ata de reunião de sócios quem receberá os valores. Em situações assim, pela legislação, os valores devem ser distribuídos na proporção das quotas societárias. E aqui entra um outro grande amigo de Kassio Nunes Marques: Valdemir Marques Lima Junior. O Facheiro, à época, tinha em Valdemir o principal quotista, com 51%, enquanto o irmão de Craveiro, Antonio Ronaldo Madeira de Carvalho, tinha 24%, e o chefe do restaurante, Caio César Fontenele de Brito Fortes, 25%. (Procurados, Karine Marques e Francisco Craveiro disseram que nada dos 5,2 milhões de reais ficariam com eles. De acordo com o Código Civil, quando não há previsão específica de destinação dos lucros, estes são distribuídos proporcionalmente entre os sócios).

    Já os pagamentos à Consult e ao filho do ministro apareceram em relatório do Coaf requisitado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do crime organizado, não como um pedido direto, mas como uma das beneficiárias de repasse do Banco Master. 

    Um pedido específico sobre as movimentações financeiras detectadas pelo Coaf e da quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático (e-mails, mensagens de texto, dados na nuvem), tanto de Francisco Craveiro como da Consult, foi apresentado pelo senador Rogério Carvalho (PT-SE). No entanto, no dia 18 de março, a solicitação foi retirada em definitivo da pauta a pedido do próprio senador. 

     

    A JBS afirmou em nota enviada à piauí que a contratação do escritório de advocacia de Karine Marques e da Consult Inteligência Tributária seguiu as regras do compliance da empresa. Disse que o escritório de Karine atuou em apenas uma ação, da qual a empresa saiu perdedora. 

    Sobre a Consult, a JBS informou que a contratação de uma consultoria especializada se deu em decorrência do “ambiente tributário complexo do país” e que o pagamento de 11,3 milhões de reais “refere-se exclusivamente a serviços de consultoria e auditoria fiscal, sem nenhuma relação com processos administrativos no Carf”, em alusão ao voto de Gabriel Campelo, filho de Craveiro, favorável à empresa. 

    “A JBS não tem nenhuma relação com o conselheiro mencionado, e desconhecia sua relação com sócios da empresa Consult Inteligência Tributária. É leviana e infundada qualquer tentativa de associação, além de irresponsável insinuar relação entre os serviços técnicos contábeis regularmente contratados e processos judiciais ou administrativos sem qualquer conexão”, ressalta a nota da JBS.

    O gabinete do ministro Nunes Marques confirmou a proximidade de sua família com a de Francisco Craveiro, mas destacou não haver nenhuma relação de parentesco. Craveiro, por sua vez, disse em nota que “relações pessoais têm caráter estritamente privado e não se relacionam com as atividades empresariais, tampouco com a atuação de autoridades públicas ou membros do Poder Judiciário”.

    Kevin Marques, filho do ministro, disse que recebeu, de forma parcelada, o valor líquido de 234,8 mil reais da Consult entre agosto de 2024 e julho de 2025, “por serviços de assessoria jurídica”. Disse que o IPGT ainda está em fase de estruturação e que a empresa não tem relação com a Consult. Segundo ele, o compartilhamento de endereço com a Consult “é temporário e não constitui ilegalidade”.

    Francisco Craveiro disse em nota que todos os processos de reorganização societária de suas empresas foram “formalizados e devidamente registrados nos órgãos competentes, refletindo decisões de gestão típicas de estruturas empresariais dessa natureza”.

    Gabriel Campelo, filho de Francisco Craveiro, afirmou não possuir participação societária na Consult desde julho de 2024, “não tendo participado, direta ou indiretamente, de quaisquer serviços prestados pela empresa após esse período”.

    Ele disse que “eventuais ajustes financeiros decorrentes de relações societárias seguem os procedimentos legais aplicáveis e não configuram vínculo com atividades posteriores à sua saída”.

    Campelo ressaltou que o IPGT está “em fase de estruturação e estudo de mercado”, que “não possui atividades operacionais e financeiras”, que se trata de “uma iniciativa de caráter privado” e que “todas as atividades mencionadas observam a legislação vigente nos termos da lei”. 

    *Colaborou Vitória Pilar, de Teresina





    Notícia publicada originalmente por revista piauí
    em nome do autor guilherme.henrique.

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