O senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que pretende acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, apresentado na noite de domingo (15), na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro. A agremiação levou à avenida um enredo que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e incluiu representações críticas a adversários políticos do petista, o que provocou forte reação do parlamentar.
Em publicações nas redes sociais, Flávio Bolsonaro classificou o desfile como um ataque direto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e à instituição “família”. Segundo ele, a apresentação extrapolou os limites da liberdade artística e assumiu contornos de propaganda político-partidária, supostamente financiada com recursos públicos. O senador afirmou ainda que sua equipe jurídica já trabalha para protocolar a ação no TSE “o mais rápido possível”, pedindo a apuração de eventuais irregularidades eleitorais.
O desfile da Acadêmicos de Niterói retratou figuras políticas associadas à oposição de Lula, como o ex-presidente Michel Temer (MDB), e deu destaque especial a Jair Bolsonaro. O ex-chefe do Executivo apareceu em dois momentos distintos: na comissão de frente, caracterizado como um palhaço usando faixa presidencial, e, no encerramento do desfile, representado como o personagem Bozo, preso e com uma tornozeleira eletrônica danificada. As imagens rapidamente se espalharam pelas redes sociais e passaram a ser utilizadas como munição no embate político entre aliados e adversários do governo.
Outra ala que gerou ampla repercussão foi intitulada “neoconservadores em conserva”. Os componentes desfilavam com fantasias em formato de lata, estampadas com a imagem de uma família tradicional. De acordo com a explicação oficial da escola, descrita no livro abre-alas, a alegoria simboliza grupos que se colocam em oposição ao presidente Lula, incluindo representantes do agronegócio, defensores da ditadura militar e segmentos religiosos evangélicos de perfil conservador. A leitura crítica provocou reações imediatas de lideranças políticas e religiosas, que acusaram a escola de estigmatizar valores e crenças.
Em nota informal divulgada por integrantes da agremiação, a Acadêmicos de Niterói afirmou que o enredo faz uso de sátira e linguagem simbólica, características tradicionais do Carnaval, e que não houve intenção de promover campanha eleitoral ou ofender grupos específicos. A escola sustenta que a crítica social e política sempre esteve presente na história do samba-enredo e que o desfile se insere nesse contexto cultural.
Especialistas em direito eleitoral avaliam que a iniciativa anunciada por Flávio Bolsonaro deve reacender o debate sobre os limites entre manifestação artística e propaganda política em eventos culturais financiados, total ou parcialmente, com recursos públicos. O TSE já sinalizou em ocasiões anteriores que evita censura prévia a manifestações culturais, mas mantém a possibilidade de responsabilização posterior caso sejam identificados abusos.
Enquanto a ação ainda não é formalmente apresentada, o episódio reforça como o Carnaval de 2026 tem servido de palco para disputas políticas antecipadas, antecipando o clima de polarização que deve marcar a corrida presidencial e ampliando a discussão sobre até que ponto a festa popular pode ou não se confundir com o embate eleitoral.
Notícia publicada originalmente por Luciana
em nome do autor LUCIANA NOVAIS.
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