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    Início » Guerra no Irã: como iranianos criaram drones ‘suicidas’ de baixo custo para provocar caos no Oriente Médio
    Brasil

    Guerra no Irã: como iranianos criaram drones ‘suicidas’ de baixo custo para provocar caos no Oriente Médio

    6 de março de 2026
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    Ilustração em estilo desenho técnico mostra drone militar de formato triangular, traçado em linhas brancas sobre um fundo azul quadriculado. Linhas e pontos indicam diferentes partes do drone.
    Legenda da foto, Ilustração de drone usado pelo Irã para atacar adversários no Oriente Médio
    Article Information

      • Author, Bernd Debusmann Jr
      • Role, Da BBC News
    • Há 3 horas

    • Tempo de leitura: 5 min

    O presidente Donald Trump afirmou que os mísseis e a indústria de mísseis do Irã seriam “totalmente aniquilados” quando os Estados Unidos iniciaram os ataques aéreos contra o país no último sábado (28/2), mas não mencionou os drones iranianos.

    Seis dias depois, o Irã lançou mais de 2.000 drones de baixo custo contra alvos em todo o Oriente Médio, em uma tentativa de sobrecarregar as defesas e semear o caos na região.

    Esses drones “kamikaze”, chamados de Shahed, carregam explosivos que detonam com o impacto e podem causar danos significativos. O ataque mais letal contra forças americanas até o momento se deu com um drone que atingiu uma base no Kuwait, matando seis soldados dos Estados Unidos.

    A maioria dos ataques teve como alvo aliados dos EUA no Golfo Pérsico, países que abrigam, em maior ou menor grau, militares e equipamentos americanos. Mas também atingiram embaixadas, infraestrutura energética essencial, aeroportos comerciais e hotéis de luxo.

    Alguns ataques ocorreram em cidades densamente povoadas, provocando medo nas ruas e nos governos dos países do Golfo Pérsico. Alguns especialistas dizem que isso pode fazer parte de uma estratégia iraniana para “impor o terror” e pressionar os EUA a encerrar o conflito.

    Um vídeo verificado pela BBC mostra um drone iraniano descendo em alta velocidade antes de atingir o que parece ser uma instalação de radar no quartel-general da Quinta Frota da Marinha dos EUA em Manama, capital do Bahrein, lançando destroços pelo ar e colapsando a estrutura.

    Outro vídeo dos Emirados Árabes Unidos mostra um drone se chocando contra um hotel em Palm Jumeirah, o luxuoso arquipélago artificial de Dubai, gerando uma enorme bola de fogo e um estrondo que reverberou pela cidade.

    Os ataques com drones ao setor de energia na região têm sido particularmente impactantes. A maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita, em Ras Tanura, na costa do Golfo Pérsico, interrompeu a produção após um incêndio causado por destroços de um drone interceptado.

    No Catar, o maior terminal de exportação de gás natural liquefeito do mundo também foi fechado após ser alvejado por drones iranianos.

    Gráfico mostra uma imagem e informações principais sobre o drone Shahed-136. O texto informa que o seu uso principal é em enxames, para sobrecarregar as defesas inimigas em ataques contra cidades e infraestruturas estratégicas. Na operação, os drones voam a baixa altitude, o que dificulta sua detecção por radar, e carregam explosivos na parte frontal que detonam no impacto.

    Custo baixo, engenharia potente

    Os drones estão causando danos consideráveis ​​em toda a região, considerando seu design simples e custo de produção relativamente baixo. O drone de longo alcance Shahed-136, fabricado no Irã, tem um custo estimado entre US$ 20 mil e US$ 50 mil, o equivalente a R$ 106,2 mil a R$ 266 mil.

    Ao contrário de muitos drones comerciais, o Shahed não pode ser operado remotamente enquanto está no ar. Em vez disso, ele é pré-programado antes do lançamento para seguir uma rota definida até um alvo, utilizando um sistema de navegação por satélite. Com um alcance máximo de 2.500 km, ele poderia voar de Teerã a Atenas, por exemplo.

    Embora não seja particularmente rápido, especialmente quando comparado a mísseis balísticos, o perfil fino do drone e sua capacidade de voar em baixa altitude dificultam sua detecção por radares e sistemas de alerta centrados na ameaça de mísseis.

    Modelo copiado pela Rússia e pelos Estados Unidos

    Esse drone foi amplamente utilizado pela Rússia na guerra da Ucrânia para atingir cidades densamente povoadas e usinas de energia, com efeitos devastadores. O Irã exportou drones Shahed para seu aliado nos últimos anos, e os russos agora também estão produzindo suas próprias variantes baseadas no projeto iraniano.

    Mick Mulroy, ex-fuzileiro naval americano, oficial paramilitar da CIA e subsecretário-adjunto de Defesa para o Oriente Médio, disse à BBC News que os drones “provaram ser altamente eficazes” em conflitos anteriores, tanto que os EUA desenvolveram sua própria versão.

    Os EUA não divulgaram quantos drones foram produzidos, mas dados sobre a quantidade que o Irã está lançando sobre seus inimigos estão sendo divulgados.

    Os Emirados Árabes Unidos afirmam que mais de mil drones iranianos foram disparados contra o país até o momento, e 71 conseguiram ultrapassar as defesas estatais.

    Mas cada interceptação tem um preço. Os drones podem ser abatidos de diversas maneiras, incluindo o uso de dispositivos especializados de interferência GPS e sistemas de armas a laser, mas muitos estão sendo abatidos por mísseis disparados de caças ou sistemas de mísseis lançados da terra, com alto custo.

    Quando o Irã atacou Israel com centenas de drones em 2024, o Reino Unido teria usado caças da RAF para abater alguns drones com mísseis que custam cerca de £ 200 mil cada (cerca de R$ 1,4 milhões na cotação atual).

    Um morador toca um drone russo-iraniano Shahed-136 (Geran-2) instalado em frente à catedral de São Miguel como parte de uma exposição de veículos e armas militares russas destruídas, em meio ao ataque da Rússia à Ucrânia, em Kiev, na Ucrânia, em 26 de novembro de 2025.

    Crédito, Valentyn Ogirenko/Reuters

    Legenda da foto, Drone Shahed-136, criado pelo Irã e aperfeiçoado pela Rússia, é exibido em frente à catedral de São Miguel em Kiev, na Ucrânia

    Forçar os EUA e seus aliados a utilizarem seus estoques de interceptores faz parte da estratégia iraniana de implantação de drones e mísseis, de acordo com Nicholas Carl, especialista em Irã do centro de pesquisa American Enterprise Institute.

    Mas Carl afirmou que o regime também está tentando “impor terror e pressão psicológica” aos EUA e seus parceiros regionais para pressionar Donald Trump por um acordo de cessar-fogo.

    Não se sabe por quanto tempo o Irã conseguirá manter essa pressão. Acredita-se que o país tenha produzido em massa dezenas de milhares de drones Shahed antes da guerra, mas não se sabe o quanto desse estoque permanece intacto após dias de ataques dos EUA e de Israel.

    Imagens divulgadas na segunda-feira pela agência de notícias Fars, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, mostram fileiras de drones no que parece ser um bunker subterrâneo. Mas não se sabe quando o vídeo foi gravado.

    Na quinta-feira, o almirante Cooper disse que o número de drones lançados pelo Irã caiu 83% desde o primeiro dia de combates, enquanto o uso de mísseis balísticos diminuiu 90%.

    “O Irã está com dificuldades para manter seus ataques com mísseis e drones, e isso pode se tornar ainda mais difícil nos próximos dias, à medida que a pressão militar dos EUA e de Israel persistir”, acrescentou Carl.



    Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
    em nome do autor .

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