O camisa 10 da seleção brasileira na Copa do Mundo da França, em 1998, seria o nanico Juninho Paulista, driblador insinuante e homem ideal para encostar nos atacantes designados antes do Mundial, Ronaldo e Romário. Depois de estourar no São Paulo, onde foi destaque do bicampeonato interclubes, Juninho Paulista foi vendido ao futebol inglês onde se machucou e acabou cortado do escrete de Zagallo.

Sem Juninho Paulista, Zagallo saiu em busca de um substituto que chutasse com o pé direito, porque na época a seleção estava cheia de canhotos. O nome escolhido por Zagallo e por seu coordenador, Zico, foi Giovani, ex-Santos e atuando no Barcelona da Espanha. Giovani faria a função do enganche, o homem de ligação entre meio-campo e o setor ofensivo, àquela altura sem Romário cortado de forma controversa.

Giovani foi escalado para a estreia contra a Escócia e decepcionou. Quando tinha de partir para cima dos volantes, dava toques laterais. Quando precisava economizar o drible e alargar o passe, perdia a bola infantilmente. Atuou péssimos 45 minutos e nunca mais jogou pelo Brasil.

De Belém do Pará, onde começou no Remo, Giovani vestiu bem a mitológica camisa 10 do Santos e tornou-se seu principal ídolo, conduzindo o clube a uma campanha sensacional no Campeonato Brasileiro de 1995, terminando em segundo lugar por conta de um gol mal anulado pela arbitragem.

Depois do Santos, para onde voltaria no fim de carreira, Giovani atuou no Barcelona e no futebol turco, no qual também teve destaque pelas passadas de gazela e pelos toques sensuais na bola. Foi um jogador que não chegou ao patamar de supercraque, apesar da inegável técnica e do faro de gol.

Esta semana, Giovani apareceu num podcast e falou o que muito brasileiro gostaria e não pode por não ter espaço para se manifestar. Questionado sobre Vini Júnior, o grande astro do time de Carlo Ancelotti, foi taxativo: é apenas um bom jogador e não craque.

“Ele não pode ser comparado a Romário, Ronaldo Fenômeno ou Ronaldinho Gaúcho, que foram extraordinários, é apenas um bom jogador que dribla em velocidade”, detonou com a calma sempre demonstrada em campo. Giovani tem razão. Estão tentando fabricar um herói mais adequado à escalão inferior.

Vini Júnior joga pelo lado esquerdo de preferência e corre muito. Tem capacidade de grudar o pé à bola e com ela sair buscando caminhos pelo gramado, mas está longe de ser um gênio ou cracaço. “Qualquer zagueiro de inteligência sabe como pará-lo”, prosseguiu Giovani, sem o menor sinal de qualquer má vontade com o jogador do Real Madrid.

A geração dos anos 1990 produziu jogadores melhores do que Vini Júnior e nem tão agraciados pela fama. Djalminha, Alex, os Juninhos, Edilson e Edmundo são exemplos de superioridade sobre o menino revelado pelo Flamengo e hoje um popstar entregue às delícias e malícias da vida de estrela, devidamente adestrado por uma loira eternamente apaixonada.

Giovani acertou em cheio. Ele próprio não era o cara talhado para a função escolhida por Zagallo por ser lento, de pouca mobilidade e procurar tabelas sempre pelo meio-campo e não próximo aos atacantes. Sua sinceridade presta um serviço à seleção brasileira.

De 1994 até 2010, Vini Júnior não seria sequer convocado para qualquer seleção em Copa do Mundo. A impressão no seu futebol é a de um carro com velocidade excessiva. Falta-lhe maior raciocínio para saber o que fazer na sequência das jogadas, embora sua tarefa principal seja mesmo partir para cima dos beques.

O Brasil chegará na Copa do Mundo com o atual time mediano de Ancelotti? A atual safra é muito pobre. Taí o exemplo de Lucas Paquetá, um jogador comum tratado como celebridade em sua volta ao país.

Lucas Paquetá também não seria convocado para qualquer Mundial nos bons tempos. A resposta que Giovani não deu – porque não foi perguntado, está no Santos e atende por Neymar. Ele tem de ser convocado para nivelar por cima.

Mal necessário

Seja qual for o desfecho do caso dos pontos perdidos pelo América, é certo que o campeonato estadual depende da eterna guerra entre rubros e abecedistas. Não adianta. Como na política, é difícil surgir terceira força. Os dois monopolizam e, caso o América seja penalizado de uma vez por todas, o futebol potiguar sofrerá um duro revés.

Não defendo ilegalidade

Se o América errou, que pague e pague caro porque nada mais danoso ao clube do que a tal da Sociedade Anônima de Futebol(SAF), que chegou prometendo 174 milhões e comete o desatino no básico, ao escalar um jogador que não podia.

Da última – e acho única vez que alguém perdeu pontos, no caso o ABC ao deixar jogar atletas irregulares no Nacional de 1972, fomos relegados ao enésimo plano, com o clube suspenso e tendo que excursionar pelo exterior. Nas mãos da Justiça Desportiva, aqui e no STJD, há uma questão de sobrevivência.

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Notícia publicada originalmente por Tribuna do Norte
em nome do autor Redação Tribuna do Norte.

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