A Câmara dos Deputados aprovou, nesta terça-feira (4), o Projeto de Lei 3935/2008, que amplia a licença-paternidade no país de maneira escalonada, podendo chegar a 20 dias de afastamento remunerado. A proposta segue agora para análise no Senado Federal.

CAMARA DOS DEPUTADOS foto lula marques

Como vai funcionar a nova licença-paternidade

Segundo o texto aprovado, a ampliação ocorrerá por etapas:

Ano de vigência da lei Dias de licença
1º e 2º anos 10 dias
3º ano 15 dias
A partir do 4º ano* 20 dias

*O aumento para 20 dias dependerá do cumprimento das metas fiscais definidas na LDO. Caso não sejam atingidas, a medida só valerá após nova verificação no exercício seguinte.

A licença poderá ser dividida em dois períodos, conforme solicitação do trabalhador.

Regras adicionais

  • Em caso de morte materna, a licença-paternidade poderá chegar a 120 dias
  • Para adoção ou cuidado de crianças e adolescentes com deficiência, o afastamento passará de 30 para 60 dias
  • O benefício será concedido com salário integral, sem prejuízo do emprego
  • A lei também cria o salário-paternidade, com custeio pelo INSS
  • Medida pode ser suspensa em casos de violência doméstica ou abandono

Argumentos em favor da medida

Para o relator do projeto, deputado Pedro Campos (PSB-PE), a ampliação ajuda a reduzir desigualdades no cuidado parental e fortalece o vínculo familiar:

“Durante décadas, o cuidado foi visto como responsabilidade exclusiva da mulher. A licença-paternidade reconhece a importância da presença do pai nos primeiros dias de vida da criança.”

Entre os impactos positivos citados:

✅ maior participação paterna no cuidado
✅ redução da sobrecarga materna
✅ ambientes de trabalho mais equilibrados
✅ melhor desenvolvimento infantil

Impacto econômico estimado

Os custos da ampliação serão cobertos pelo Regime Geral da Previdência Social. O impacto líquido previsto é de:

  • R$ 2,61 bilhões em 2026
  • R$ 3,3 bilhões em 2027
  • R$ 4,35 bilhões em 2028
  • R$ 5,44 bilhões em 2029

Divergências no plenário

O partido Novo votou contra, alegando risco para micro e pequenas empresas e aumento de gastos obrigatórios.

A oposição ao projeto afirma que a medida pode:

⚠️ elevar custos trabalhistas
⚠️ afetar a competitividade no mercado de trabalho

Parlamentares favoráveis rebateram destacando que:

  • o financiamento vem do sistema de Seguridade Social
  • a proposta está em debate desde 2008
  • contempla avanços sociais essenciais para as famílias brasileiras

Próximos passos

Com a aprovação na Câmara, o projeto segue para o Senado, onde poderá receber ajustes antes de ser sancionado.

Portanto, a ampliação da licença-paternidade representa um avanço social que busca alinhar o Brasil às políticas de cuidado familiar adotadas em diversos países. Afinal, a medida propõe um caminho gradual, condicionado à responsabilidade fiscal, e reforça a importância do papel paterno no início da vida das crianças.

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Notícia publicada originalmente por Portal NE9
em nome do autor Eliseu Lins.

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