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    Piauí

    129 milhões de aberrações – revista piauí

    6 de março de 2026
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    A primeira leva de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal abriu um alçapão no fundo do poço para o qual alguns ministros do STF puxaram a instituição. O que já suscitava estranheza agora ganha contornos de franca suspeita. O personagem da vez é Alexandre de Moraes, que apareceu em diálogos comprometedores com o ex-banqueiro, revelados por Malu Gaspar no jornal O Globo, confirmados pelo Estadão e contestados pelos dois envolvidos.

    O volume de mensagens é enorme, e o que foi divulgado abrange inclusive assuntos íntimos, que não deveriam ter sido expostos. Além disso, as conversas reveladas são parciais, porque as mensagens foram enviadas no modo de visualização única. Como o aparelho de Vorcaro foi apreendido, a PF conseguiu recuperar o que ele escreveu, mas as respostas de Moraes continuam um mistério. Só o que se sabe é que o ministro respondeu com um joinha quando Vorcaro lhe disse: “Amanhã começam as batidas do Esteves. Tô indo assinar com os investidores de fora e estou online.”

    Não fica claro do que tratava a conversa. Provavelmente, como aponta Malu Gaspar, era uma referência a André Esteves, dono do BTG Pactual. Por que Moraes estava tratando desse assunto com Vorcaro, dono de um banco cujas fraudes já haviam sido fartamente noticiadas àquela altura? As mensagens do ministro podem nunca vir à tona, mas não precisamos delas para constatar que estamos diante de uma aberração. Um magistrado da mais alta corte brasileira interagiu intensamente com um personagem digno de filme de máfia – inclusive no dia em que ele foi preso pela Polícia Federal. Pior: enquanto isso acontecia, Vorcaro pagava mais de 3 milhões de reais por mês à esposa e filhos de Moraes por supostos serviços jurídicos que prestaram ao Master.

    Vale uma pequena cronologia de como chegamos até aqui. Em janeiro de 2024, o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa de Moraes, celebrou com o Banco Master um contrato de 129 milhões de reais, a serem pagos ao longo de três anos. O valor é mais do que vultoso: é fora do padrão de mercado para uma advocacia como a de Barci, um pequeno escritório familiar, ainda que associado a um ministro do STF. Mesmo na elite da advocacia brasileira, que não pode reclamar de baixa remuneração, um contrato dessa magnitude só seria plausível em causas de enorme complexidade, que envolvem grandes equipes e múltiplas bancas. 

    A indisposição – ou incapacidade – do escritório de justificar esse valor e provar que realmente trabalhou só fez aumentar a estranheza. A suposição mais benigna era a de que Vorcaro desembolsava tanto dinheiro na esperança de que a família Moraes lhe abrisse portas no Supremo e em outras instituições públicas. Um sintoma da advocacia de laços, que anda sempre ao lado do patrimonialismo da toga. É indigno e antiético, mas é também apenas mais uma quarta-feira no tipo de escritório que muita gente topa tocar, porque muita gente topa contratar.

    Quando Consuelo Dieguez publicou na piauí sua primeira reportagem sobre o Master, em outubro de 2024, o grande público tomou conhecimento daquilo de que a fiscalização do Banco Central e muitas instituições financeiras já desconfiavam: Vorcaro geria um banco com estratégias insustentáveis e muitos indícios de trambicagem. Essas suspeitas se confirmaram, resultando na liquidação do Master, e desde então se instalou um clima de barata-voa em toda a República. Inclusive no Supremo. 

    Primeiro com Dias Toffoli, que tomou decisões juridicamente insustentáveis em um inquérito que, conforme viemos a saber pouco depois, eventualmente respingaria em sua empresa familiar. Toffoli chamou tudo para si, impôs sigilos inexplicáveis à investigação e quis até escolher os peritos que analisariam o vasto material apreendido, fazendo as vezes de um delegado pouco empenhado. De tão insustentável a situação, Toffoli teve de se afastar do caso, recorrendo a uma justificativa inédita que inventou com ajuda dos colegas: a “renúncia de relatoria por razões de grande interesse institucional, mas sem suspeição”. Esse monstrengo, parido em uma reunião a portas fechadas entre os ministros, voltou para assombrar o tribunal antes do esperado: como o STF não deu Toffoli por suspeito ou impedido, é possível que ele queira participar do julgamento dos casos do Master na Segunda Turma, da qual faz parte. A ministra Cármen Lúcia, que na reunião reclamou que todo taxista falava mal do STF, precisará de muito talento para convencer os próximos que encontrar.

    Agora, o alvoroço envolve Alexandre de Moraes e só se agrava.

    As mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro sugerem que, se o plano do ex-banqueiro era pagar muito dinheiro para ter acesso direto às maiores autoridades da República, no caso de Alexandre Moraes ele foi bem-sucedido.

    Há mais de um registro de mensagens trocadas entre os dois. Numa delas, a poucas horas de ser preso, em 17 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou ao ministro: “conseguiu bloquear?” O leitor pode deduzir que, a não ser que Vorcaro estivesse assistindo a uma partida de vôlei de praia da dupla Toffoli e Xandão no Tayayá, o tal “bloqueio” era uma referência ao mandado de prisão que havia sido expedido contra ele. Ou talvez que o “bloqueio” cobrado por Vorcaro se referisse a alguma medida do Banco Central contra a tentativa desesperada de venda do Master a investidores privados. Só Moraes poderá esclarecer.

    Como as mensagens do ministro não vieram à tona, ele tem agora uma boa oportunidade de vir a público explicar o que Vorcaro quis dizer – e o que ele respondeu. Sua esposa, que era formalmente advogada do Master naquele momento, tem privilégios de comunicação confidencial com seu cliente. Já Moraes, como agente público, tem dever de transparência. Mas, até agora, preferiu negar a existência das mensagens. A defesa de Vorcaro, por sua vez, reclamou do vazamento e disse que as mensagens foram “talvez editadas e tiradas de contexto”.

    O que mais chama a atenção é que, prestes a ser preso, Vorcaro ao que tudo indica buscou proteção junto a Moraes, e não – até onde se sabe – a Viviane Barci (cujo contato, no celular de Vorcaro, estava salvo com o nome de “Vivi Moraes”). Uma pessoa que corre risco de ser presa costuma ligar para seu advogado, mas Vorcaro gastou muito para não ser uma pessoa comum. Impossível não pensar que era exatamente esse tipo de vantagem que ele tinha em mente ao pagar tanto por uma advocacia artesanal, quase caseira. Ligando os 129 milhões de pontos, a suspeita que surge é a de que Moraes estivesse atuando em defesa dos interesses do Master. Nenhuma das justificativas apresentadas até agora pelo ministro foi suficiente para tirar essa hipótese da mesa. Até que ela seja elidida por explicações convincentes ou investigações detalhadas, seguiremos obrigados a considerá-la.

    A ameaça latente que paira sobre o STF desde a ascensão da extrema direita exige mais de seus ministros, não menos. Como regra, mais preservação e mais recato, que já ficaram para trás neste caso; agora, ao menos mais transparência e mais explicações. Se tiver boas justificativas para tudo isso, Moraes deveria oferecê-las de imediato, escaldando as brasas para que não se transformem em incêndio. Negar a existência de mensagens e sugerir má-fé da imprensa não é suficiente diante de indícios que, fossem outras as autoridades envolvidas, provavelmente resultariam em afastamentos preventivos, investigações de corregedoria e instauração de inquérito policial.

    A explicação que Vorcaro aparentemente havia preparado – de que o escritório da família de Moraes faria manuais de compliance para o Master – beira o escárnio. Se o ministro não for capaz de justificar o que veio à tona, a Procuradoria-Geral da República terá de abandonar a letargia no caso Master e investigar a natureza das relações entre ele e o ex-banqueiro. Será uma nova oportunidade para Paulo Gonet mostrar que não é Augusto Aras, algo que ele fez muito bem nos processos contra o golpe. André Mendonça, até aqui, tem mostrado que não é Dias Toffoli. Entre a PF e o relator, muita coisa ainda pode ser investigada e revelada.

    Outra frente possível de desdobramentos está no Senado, a Casa com competência para punir ministros do STF por crimes de responsabilidade em processos de impeachment. Mas há dúvidas sobre o quanto os senadores estão dispostos a ir a fundo em um caso que respingará em muitos deles. A começar pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre, padrinho político do gestor que investiu milhões do fundo de pensão do Amapá em papéis do Master.

    O desfecho do caso talvez dependa da capacidade de Vorcaro de suportar uma longa temporada na prisão – e, consequentemente, de sua inclinação a colaborar com a investigação. Daí por que será tão importante o julgamento virtual, a se encerrar até o dia 20, em que a Segunda Turma do STF decidirá se mantém ou não a sua prisão preventiva – até segunda ordem, com a participação de Toffoli.





    Notícia publicada originalmente por revista piauí
    em nome do autor Luigi Mazza.

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