
O vírus sincicial respiratório (VSR), principal responsável pelas internações por bronquiolite no Brasil e pelo aumento da ocupação de unidades de terapia intensiva (UTIs) pediátricas todos os anos, passa a contar com uma nova estratégia de proteção em unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) localizadas na capital pernambucana.
Trata-se da aplicação do anticorpo monoclonal de longa ação nirsevimabe, em dose única, capaz de proteger o bebê durante toda a sazonalidade do vírus. O início da aplicação ocorre às vésperas do período de maior circulação do VSR, que ocorre entre março e agosto, com a queda das temperaturas e a intensificação das chuvas.
A partir desta terça-feira (24), 10 unidades de saúde no Recife começam a ofertar o anticorpo para recém-nascidos prematuros e crianças de até 2 anos com comorbidades específicas. Isso amplia a prevenção contra uma das infecções respiratórias mais graves na primeira infância.
No último dia 11, os primeiros bebês pernambucanos foram contemplados com introdução do anticorpo monoclonal nirsevimabe, no âmbito do SUS, no município de Vitória de Santo Antão, na Zona da Mata Sul do Estado.
Antes disso, o nirsevimabe só estava disponível na rede privada. Agora, administrado em apenas uma dose, será aplicado nas seguintes maternidades localizadas na cidade do Recife: Professor Barros Lima (Casa Amarela), Professor Bandeira Filho (Afogados), Professor Arnaldo Marques (Ibura), Hospital da Mulher (Curado), todos da rede municipal de saúde; o Imip (Coelhos), da rede filantrópica, e os hospitais Barão de Lucena (Cordeiro), Clínicas (Cidade Universitária), Agamenon Magalhães (Casa Amarela) e Cisam (Encruzilhada), vinculadas à rede estadual.
“O VSR é a principal causa de bronquiolite, pneumonia e hospitalização em menores de 1 ano de idade. E há um dado que desafia o senso comum: embora prematuros e crianças com comorbidades tenham risco maior, a maioria das hospitalizações ocorre em bebês previamente saudáveis”, diz o pediatra Eduardo Jorge da Fonseca Lima, ao destacar que não se trata de um problema restrito a grupos específicos, mas de uma ameaça ampla, que atravessa perfis sociais e histórias clínicas.
Agora, no SUS, o público-alvo dessa ação são recém-nascidos prematuros (nascidos no período de até 36 semanas e seis dias de gestação) e crianças com menos de 2 anos (até 1 ano, 11 meses e 19 dias) com comorbidades específicas. Entre elas, cardiopatia congênita, doença pulmonar grave ou crônica da prematuridade (DPCP), imunocomprometidos graves, síndrome de Down, fibrose cística, doença neuromusculares graves e anomalias congênitas das vias aéreas.
As crianças prematuras, nascidas na rede privada a partir deste mês de fevereiro, podem ir a um local de referência, após a alta hospitalar, munidas da documentação comprobatória especificada para avaliação e administração do nirsevimabe. As unidades são: Crie, Barros Lima, Bandeira Filho, Arnaldo Marques, Imip, Hospital Agamenon Magalhães e Cisam.
“A aplicação é intramuscular, geralmente na região da coxa, e será administrada em recém-nascidos prematuros internados nessas unidades. No caso de crianças com menos de 2 anos que apresentem posteriormente as comorbidades indicadas pelo Ministério da Saúde, a orientação é retornar à sua maternidade de referência (localizado no município onde reside)”, explica a gerente do Programa de Imunização do Recife, Nádia Carneiro.
Nesse caso, a mãe ou responsável deve levar a criança ao serviço, apresentar documento cartão nacional de saúde (CNS) ou CPF da criança, comprovante de residência no Recife dos pais/responsáveis, caderneta de vacinação da criança e documento como laudo ou prescrição médica que ateste a condição clínica e o quadro de saúde.
Diferentemente da vacina tradicional, o nirsevimabe é um anticorpo já pronto que age imediatamente após a aplicação, sem a necessidade de estimular o sistema imunológico a desenvolver uma resposta ao longo do tempo.
O nirsevimabe garante proteção por 5 a 6 meses após a administração. A incorporação ao SUS reforça a estratégia de prevenir os casos graves de bronquiolite e pneumonias em bebês.
No fim de 2025, o SUS passou a disponibilizar a vacina contra VSR para gestantes a partir da 28ª semana, a fim de proteger o bebê já antes do parto. Dessa forma, além de imunizar gestantes, há aplicação do imunobiológico na criança, o que reforça o sistema de defesa.
“Até pouco tempo atrás, o enfrentamento do VSR era quase exclusivamente reativo: oxigênio, fisioterapia, suporte intensivo. Esperava-se o vírus chegar para, então, agir. Pela primeira vez, temos a chance concreta de inverter essa lógica: agir antes da primeira respiração ofegante, antes da primeira madrugada em claro no hospital”, frisa Eduardo Jorge.
Também podem receber o imunizante as crianças com comorbidades e prematuras nascidas entre agosto de 2025 e janeiro de 2026. Essa é uma estratégia de resgate para pessoas nascidas após o período de maior incidência da bronquiolite em 2025.
Essa época do ano, chamada de sazonalidade, ocorre entre março e agosto, com queda de temperatura e intensificação das chuvas. Essas crianças poderão receber o anticorpo em sete unidades de referência: Crie, Barros Lima, Bandeira Filho, Arnaldo Marques, Imip, Hospital Agamenon Magalhães e Cisam.
“Estima-se que 40% das internações por pneumonia nessa faixa etária sejam provocadas pelo vírus sincicial agudo. Esses quadros de saúde podem se agravar, com necessidade de leito de UTI e até causar óbito. Por isso, a prevenção é a forma mais eficaz. O nirsevimabe vem na hora certa, especialmente porque se antecipa ao pico sazonal da bronquiolite, que é a partir de março”, diz a secretária de Saúde da cidade, Luciana Albuquerque.
“É um imunizante de boa qualidade, de alto custo, que passa a ter acesso aos estabelecimentos de saúde do serviço público contemplado para os usuários do SUS”, acrescenta.
Notícia publicada originalmente por PE News
em nome do autor Céu Albuquerque.
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