
Em uma decisão histórica para a categoria, o Sindicato dos Empregados em Postos de Serviços de Combustíveis e Derivados de Petróleo de Pernambuco (SINPOSPETRO-PE) obteve vitória judicial contra a empresa São Rafael Comércio de Petróleo Ltda. A sentença, proferida pela 11ª Vara do Trabalho do Recife, condenou o estabelecimento por exigir que suas funcionárias utilizassem vestimentas inadequadas, como calças do tipo “legging”.
A ação de cumprimento foi motivada pelo descumprimento de normas coletivas que garantem o fornecimento de uniformes adequados ao ambiente de trabalho. Segundo a magistrada Ana Carolina Bulhões Calheiros, o uso de roupas excessivamente justas em postos de combustíveis desvirtua a finalidade do uniforme profissional e expõe as trabalhadoras a riscos e constrangimentos desnecessários.
Como resultado da sentença, a empresa está obrigada a:
– Abster-se de exigir o uso de calça “legging” como uniforme, sob pena de sanções.
– Fornecer uniformes adequados que respeitem a segurança e a dignidade das funcionárias no prazo de 10 dias.
– Pagar R$ 20.000,00 em indenização por danos morais coletivos, valor que será revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).
– A decisão fundamentou-se no Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do CNJ, que orienta a Justiça a combater desigualdades estruturais e evitar a reprodução de estereótipos que ampliem a vulnerabilidade feminina no trabalho.
Para o presidente do sindicato, Severino Pessoa, a decisão representa um marco na proteção da honra das trabalhadoras: “Esta vitória vai muito além de uma questão de fardamento; trata-se do respeito à dignidade da mulher frentista. Não podemos aceitar que o corpo das trabalhadoras seja utilizado como ferramenta de marketing ou exposição em um ambiente de alto risco como é o posto de combustível. A Justiça do Trabalho entendeu que o uniforme deve servir para proteção e segurança, e não para criar um contexto de vulnerabilidade e assédio”, afirmou.
Esta não é a primeira vez que a entidade obtém êxito em pautas relacionadas à dignidade da categoria. Em novembro de 2025, o sindicato já havia vencido uma ação semelhante contra outro posto da região, consolidando o entendimento jurídico de que o ambiente de trabalho deve ser pautado pelo respeito e pela segurança das mulheres.
O Sindicato reafirma que manterá uma postura de vigilância constante em todo o estado. O objetivo é garantir que as normas coletivas sejam cumpridas integralmente, combatendo qualquer tentativa de objetificação ou exposição indevida das trabalhadoras no exercício de suas funções.
Notícia publicada originalmente por PE News
em nome do autor Céu Albuquerque.
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