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    Início » Infarto: o que aprendi com o ataque cardíaco que mudou minha vida
    Brasil

    Infarto: o que aprendi com o ataque cardíaco que mudou minha vida

    12 de fevereiro de 2026
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    Patrick sorrindo no estúdio como convidado do programa Ready to Talk
    Legenda da foto, Patrick Charnley acordou do coma com uma lesão cerebral que mudou sua perspectiva de vida
    Article Information

    • Há 19 minutos

    • Tempo de leitura: 5 min

    Morrer normalmente não dá a uma pessoa uma nova vida — e, no entanto, foi exatamente isso que aconteceu com Patrick Charnley.

    Ele era um advogado corporativo de alto nível, que via o tempo livre como “tempo desperdiçado”, pressionando-se incansavelmente em busca do sucesso.

    Mas, trabalhando longas horas durante a pandemia em 2021, o pai de dois filhos, extremamente em forma, sofreu uma parada cardíaca aos 39 anos.

    O que começou como uma noite comum, comendo salsicha com batatas fritas no sofá, terminou com ele desmaiando e ficando inconsciente.

    Desencadeado por uma condição hereditária, seu coração parou. Patrick ficou clinicamente morto por 40 minutos. Sua esposa realizou RCP, enquanto sua filha e seu filho, então com nove e sete anos, correram para pedir ajuda.

    As tentativas de desfibrilação dos paramédicos falharam. Com sua vida se esvaindo, eles tentaram injeções de adrenalina como “uma espécie de última cartada”, diz Patrick.

    Eles “me deram choque atrás de choque atrás de choque”, acrescenta. Sua esposa começou a suspeitar que ele estava perdido.

    Então, de repente, seu coração voltou a bater.

    Patrick acordou do coma de uma semana como um homem transformado, com uma lesão cerebral que afeta sua visão, memória e resistência física.

    Incapaz de trabalhar e viver como antes, ele sente que isso lhe permitiu estar mais presente na vida e nos relacionamentos.

    É uma mudança de perspectiva, ele conta no podcast ‘Ready to Talk’, de Emma Barnett, que ele “não trocaria por nada” — mesmo se tivesse a chance de voltar à sua antiga vida.

    homem tocando o peito

    Crédito, Getty Images

    ‘Acordei cego’

    Ainda assim, a jornada até a aceitação que ele tem hoje foi profundamente traumática.

    “Eu acordei cego”, diz Patrick sobre sua primeira lembrança ao despertar. “Eu estava vivenciando essas coisas, mas sem realmente me conectar com elas.”

    A perda da visão desencadeou alucinações vívidas. Conhecido como Síndrome de Charles Bonnet, o fenômeno é a forma que o cérebro encontra de “preencher” a ausência repentina de informações visuais.

    Embora algumas dessas experiências tenham sido “assustadoras”, ele diz que outras pareciam “ótimas” e estranhamente belas.

    Patrick sorrindo e sentado em um bar à beira-mar, usando óculos de sol.

    Crédito, Patrick Charnley

    Legenda da foto, Patrick no seu aniversário de 40 anos, seis meses após a parada cardíaca

    Em uma delas, após sua cirurgia cardíaca aberta, ele ficou convencido de que uma enfermeira americana estava tentando matá-lo.

    Mas essas alucinações também podiam trazer calma. Em uma delas, ele se via em um sanatório nos Alpes, olhando para as montanhas cobertas de neve enquanto enfermeiras conversavam ao lado. A experiência lhe proporcionava uma sensação “beatífica” de segurança.

    À medida que sua visão voltava lentamente, os médicos perceberam que seus problemas visuais estavam ligados a uma lesão cerebral. Sua visão permanece parcialmente comprometida, comparável a “olhar por um telescópio”.

    Os testes cognitivos iniciais o colocaram entre os 2% piores em memória e velocidade de processamento. Embora tenha melhorado muito, ele ainda às vezes tem dificuldade para reter informações imediatas.

    Mas o impacto total de suas lesões só ficou evidente quando ele voltou para casa.

    ‘Vivo uma existência mais rica’

    A fadiga severa significa que ele precisa racionar sua energia. “Eu nunca, jamais acordo me sentindo descansado. Acordo exausto todos os dias, e isso piora à medida que o dia avança”, explica.

    Também houve mudanças mentais às quais ele precisou se adaptar. Patrick percebeu que “não se importava com nada” após a recuperação inicial. Não era exatamente depressão, mas uma condição conhecida como apatia patológica, que ele descreve como a sensação de “flutuar no tempo”, sem chão firme.

    A terapia e a medicação ajudaram a recuperar sua motivação, com um psicólogo o incentivando a viver o luto pela vida que havia perdido. Ainda assim, Patrick diz que sente falta da espontaneidade da vida e de se encaixar entre pessoas da sua idade, “participando da sociedade” como se espera, além de poder brincar ativamente com seus filhos.

    Ele também sente arrependimento em relação à esposa, pois sente que “terceirizou” sua memória para ela. “A verdade é que ela é minha cuidadora, na verdade”, admite. “Eu meio que vivo como se fosse muito, muito velho.”

    Apesar das enormes mudanças, Patrick diz que, de muitas maneiras, prefere esta vida. Ele mudou de carreira para se tornar autor e afirma que agora tem mais tempo para aproveitar a vida.

    “Eu vivo a vida devagar agora, não por escolha, mas porque preciso. Mas eu realmente valorizo isso. Vejo a beleza nas coisas muito mais do que antes… Sinto que vivo uma existência muito mais rica por ir mais devagar”, diz.

    “Minha perspectiva mudou fundamentalmente. Eu me sinto grato por estar vivo.”

    Patrick sitting and looking out across the Lake District with his children, who have their toes dipped in the water

    Crédito, Patrick Charnley

    Legenda da foto, Patrick on holiday with his children at the Lake District

    O relacionamento dele com a família também mudou para melhor.

    Ele consegue rir com eles das peculiaridades da sua condição. “Acho que estamos mais unidos do que nunca, na verdade… temos um vínculo muito mais forte por causa do que aconteceu”, acrescenta.

    “A coisa mais importante para mim sempre foi minha família, mas agora consigo me dedicar muito mais a ela. Antes, eu vivia quase só na superfície disso”, diz.

    A situação única de Patrick permitiu que ele se libertasse da rotina exaustiva do trabalho diário.

    “Muitas pessoas se sentem assim… ocupadas demais para viver a própria vida. Eu não mudaria o que aconteceu.

    “Mesmo com as limitações, eu gosto da minha vida agora. Gosto de estar em casa quando as crianças chegam da escola. Gosto de não ficar correndo de uma coisa para outra.”



    Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
    em nome do autor .

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