
A CPI que investiga a gestão do prefeito João Campos entrou em contagem regressiva na Câmara do Recife. O pedido circula com número avançado de assinaturas e a leitura predominante nos corredores do Legislativo é que sua instalação deixou de ser hipótese e passou a ser possibilidade concreta.
O ponto de inflexão veio quando o vereador Rubem (Agora é Rubem), integrante do próprio PSB, decidiu assinar o pedido de CPI. O gesto teve peso imediato. Não é apenas mais uma assinatura, mas a abertura de uma fissura interna na base do prefeito João Campos. Por isso, a CPI deixou de ser um movimento distante e passou a carregar risco direto para o prefeito.
A lista de vereadores que já assinaram o pedido reúne Thiago Medina, Alef Collins, Felipe Alecrim, Gilson Machado Filho, Eduardo Moura, Davi Muniz, Fred Ferreira, Alcides Teixeira Neto, Paulo Muniz e Agora é Rubem. Com esse bloco consolidado de dez vereadores, resta apenas a assinatura considerada encaminhada de Flávia de Nadegi (PV), que era vista como próxima da base de João Campos e passou a declarar apoio à governadora Raquel Lyra (PSD).
A adesão de Flávia de Nadegi deixaria o pedido a apenas duas assinaturas do número necessário para abertura da CPI. O cenário muda de patamar quando entra em jogo a informação de bastidor de que mais dois vereadores do próprio PSB podem aderir ao pedido nos próximos dias, movimento que representaria dissidência interna e migração para o campo da oposição no Recife.
Caso se concretize, João Campos enfrentará não apenas a instalação de uma CPI, mas o início de um rearranjo político dentro da própria base.
Entenda o caso
O estopim da crise foi o levantamento do blog do jornalista pernambucano Manoel Medeiros. A publicação revelou a nomeação de um candidato para uma vaga destinada a Pessoas com Deficiência após uma reclassificação questionada administrativamente em um concurso já homologado. O candidato havia figurado originalmente na ampla concorrência e, após a alteração do resultado, foi alçado ao primeiro lugar da lista específica. A nomeação foi assinada pelo prefeito e publicada oficialmente. Depois da exposição do caso e dos questionamentos jurídicos, o próprio prefeito revogou o ato.
A situação ganhou densidade política quando veio à tona o vínculo familiar do candidato beneficiado com um magistrado que havia arquivado investigação do Ministério Público envolvendo contratos da prefeitura. Ainda que não exista decisão formal que estabeleça relação direta entre os episódios, a coincidência temporal tornou-se munição narrativa para a oposição e base do discurso que sustenta a CPI como instrumento de transparência e controle.
A repercussão ultrapassou as fronteiras de Pernambuco. Nos corredores de Brasília e nas redações do Sudeste, o episódio passou a ser tratado como desgaste direto à imagem de um gestor cotado para disputar o governo estadual em 2026.
Notícia publicada originalmente por PE News
em nome do autor Céu Albuquerque.
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