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    Paraíba

    Olga, Olguita, honey pie

    22 de janeiro de 2026
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					Olga, Olguita, honey pie
    Foto/Reprodução.

    O tempo vai passando, e fica cada vez mais difícil escrever sobre a morte das pessoas queridas. Dessa vez, é Olga, que morreu nesta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026.

    Olga Costa. Para mim, Olga. Para minha mulher, Olguita. Ela tinha 63 anos e foi consumida pela agressiva recidiva de um câncer de mama de 12 anos atrás.

    Olga me disse da recidiva há três anos, e já convivia com o problema há um ano. Não queria falar sobre o assunto e lidava mal com a ideia do tratamento convencional.

    A música aproxima as pessoas. As afinidades musicais unem as pessoas. Muitas vezes, para sempre. Comigo e com Olga, foi o amor pela música dos Beatles.

    Fomos colegas no curso de jornalismo, na UFPB. O ano, 1982. Eu com 23 anos. Ela com 20. Atração imediata, correspondida e guiada sobretudo pelas canções dos Beatles.

    Olga era fotógrafa e já atuava profissionalmente no jornalismo. Onde quer que fôssemos, me fotografava. Tocando violão, comprando discos de vinil, na frente do cinema.

    Fotografar, em 1982, não era tão banal quanto é hoje. O registro de como eu era ali com pouco mais de 20 anos, foi Olga quem fez. Muitas vezes, em belo preto e branco.

    As minhas primeiras fotos com Gilberto Gil, enquanto ele falava do poeta Caixa D’Água, foi Olga quem tirou. Eu com um microfone, Pedro Nunes com uma câmera Super 8.

    As fotos mostram que a minha camiseta azul marinho tem o desenho de uns óculos redondos, como os de John Lennon. Olga tinha uma igual. Compramos juntos.

    Na primeira vez em que fui à casa de Olga, a mãe, Nôra, me serviu delícia de abacaxi e descobriu que havia sido amiga da minha mãe na juventude das duas, em Bananeiras.

    O pai, Geraldo, era militar, um coronel linha dura que conhecia a literatura de esquerda e deu à primeira filha o nome de uma militante comunista histórica.

    Tivemos a atração intraduzível e experimentamos o amor de namorado e namorada. Mas foi breve. “Nosso amor não deu certo”, como no verso do rock de Caetano Veloso.

    Tentamos um revival, mas, aí, outra vez como no rock de Caetano, “desperdiçamos os blues do Djavan”. Foi quando partimos para a construção de um outro tipo de amor.

    O amor que marca as grandes amizades. Isso vai sendo edificado, não é fácil, tem obstáculos, mas, uma vez sedimentado, pode ser para a vida toda. E foi.

    Olga não me puxava para o rock, porque eu já era do rock. Mas eu a puxava para a música popular brasileira, porque ela não era da música popular brasileira.

    Houve, sim, os blues do Djavan, mas houve, principalmente, o Clara Crocodilo, de Arrigo Barnabé, que nos deixou de quatro em três noites do Projeto Pixinguinha.

    Apresentei Olga ao meu amigo Everaldo Pontes. Os dois fizeram história na radiofonia paraibana com o programa Jardim Elétrico, formando uma geração de ouvintes.

    Na pequenina, mas tão necessária, FM Universitária de João Pessoa, as tardes de sábado eram do Jardim Elétrico. O nome do programa vinha da música dos Mutantes.

    “No jardim/Eu me ligo/Em você/Planto cores/Mordo a fruta/Levo choques”, cantavam Os Mutantes, entregando a Olga e Everaldo os microfones das tardes roqueiras da FM.

    Olga era da música. Foi jornalista e advogada, mas o negócio dela era a música. No rádio, na produção, tocando ou cantando numa banda. E focada na cena underground.

    Gostava muito de cinema. Vestimos as camisas com os óculos de Lennon – ficamos um “par de jarros” – na noite em que vimos o visceral Bergman de Sonata de Outono.

    Nossa última ida ao cinema, em 2023, foi na estreia de Assassinos da Lua das Flores. Um extenso e soberbo Scorsese a nos dar o prazer estético do grande cinema.

    Olga tinha um sorriso lindo. Muita gente pensava que era expressão de uma alegria esfuziante. Não era. Olga era complexa, densa e atormentada com a existência.

    “Eles venceram” – me disse há tão pouco tempo, completamente desencantada com a cena musical, inclusive com o underground onde depositou os seus sonhos.

    Olga tinha uma voz linda. Cantava com uma pegada de soul music. Quando fiz 64 anos, ela me presenteou com um áudio, à capela, de When I’m 64, dos Beatles.

    Fazer 64 anos foi o desejo de milhares (ou milhões) de pessoas que se debruçaram com afinco sobre a música dos Beatles. Claro. Por causa da canção de Paul McCartney.

    Em 1967, quando a música foi gravada, Paul McCartney tinha 25 anos, e fazer 64 era como se fosse sinônimo de velhice. Já faz muito tempo que deixou de ser.

    Olga ia fazer 64 anos em setembro próximo. Os 64 da canção dos Beatles. No ano passado, numa conversa difícil, ela me disse que morreria aos 65. Morreu com 63.

    “Honey pie, you are making me crazy”. “Torta de mel, você me deixa louco”. O honey pie do título é porque eu tocava a canção de Paul ao violão para Olga cantar.

    A imagem psicodélica que ilustra a coluna é um fotograma de Yellow Submarine. Lucy em cima de um cavalo se desmanchando em cores, e John Lennon dando adeus a ela.

    Lucy in the sky with diamonds. Como se a Lucy da letra da canção de John fosse Olga no céu com diamantes. E a gente, daqui, estivesse dando adeus a ela.

    Se pode haver algum consolo nisso, penso que Olga parou de sofrer e agora está bem longe desse insensato mundo.



    Notícia publicada originalmente por Jornal da Paraíba
    em nome do autor .

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