A resposta do Banco Central (BC) a pedido de explicações feito pelo Tribunal de Contas da União (TCU) oferece um histórico de “graves irregularidades” praticadas pelo Banco Master com seu “modelo de negócios atípico e complexo” e relata três comunicações ao Ministério Público Federal (MPF) de indícios de crimes cometidos pela empresa do banqueiro Daniel Vorcaro. Procurado, o Master não se manifestou.
Créditos inexistentes. O primeiro relato de crime é de julho de 2025. Segundo o Banco Central, foi constatada no primeiro semestre a cessão de créditos inexistentes ao Banco de Brasília (BRB) adquiridos pelo Banco Master de empresa terceira. Essa transferência de créditos falsos configura crime contra o Sistema Financeiro Nacional. As investigações feitas pela Polícia Federal e pelo MPF avançaram e apontaram R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes, além de apresentação de documentos falsos ao Banco Central como tentativa de justificar o negócio.
Fundos ligados ao PCC. O segundo relato de crime ao MPF é de 17 de novembro de 2025, véspera da decretação da liquidação do Master pela autoridade monetária. A suspeita estava relacionada a R$ 11,5 bilhões em operações que “revelaram inadequado gerenciamento de capital e risco, com negócios sem garantia, liquidez e diversificação, agravando a crise e justificando processos administrativos sancionadores”.
O documento enviado ao TCU não detalha quais seriam essas operações, mas pessoas a par das apurações disseram que a fraude tem relação com fundos ligados à gestora Reag Capital Holding, alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal na Operação Carbono Oculto, que investiga o uso de fundos e gestoras para lavagem de dinheiro pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).
A terceira comunicação de crime é do dia 25 de novembro de 2025, sete dias após a liquidação. O BC detectou indícios de gestão fraudulenta, operações sem lastro e de uso de artifícios destinados a criar aparência de legalidade para operações desprovidas de substância econômica.
Notícia publicada originalmente por Tribuna do Norte
em nome do autor Redação Tribuna do Norte.
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