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    Brasil

    ‘Trump precisa explodir alguns alvos na Venezuela ou parecerá fraco’, diz ex-embaixador dos EUA

    31 de dezembro de 2025
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    Rosto de Donald Trump

    Crédito, Getty Images

    Article Information

      • Author, Julia Braun
      • Role, BBC News Brasil
    • Há 15 minutos

    • Tempo de leitura: 6 min

    Após meses de demonstrações de força e ameaças contra a Venezuela, Donald Trump “precisa explodir alguns alvos” no país sul-americano ou parecerá fraco, segundo avaliação do ex-embaixador dos EUA John Feeley.

    “Neste momento, Trump precisa explodir alguns alvos na Venezuela”, afirmou o diplomata à BBC News Brasil.

    “Claro, ele está limitado pela política eleitoral interna dos EUA, que lhe diz: ‘Não comece uma nova guerra em ano eleitoral’. Mas, ao mesmo tempo, ele foi conduzido até aqui pelo [secretário de Estado] Marco Rubio e, se não demonstrar sua força militar, parecerá fraco. E sabemos que Trump detesta fraqueza”.

    Feeley já foi considerado um dos maiores especialistas em América Latina do Departamento de Estado americano. Ele foi embaixador dos EUA no Panamá e deixou o governo em 2018, durante o primeiro mandato de Trump, por discordar das decisões do republicano.

    Para o diplomata, se o ataque terrestre na Venezuela anunciado na última segunda-feira (29/12) pelo presidente americano for confirmado, “representará uma escalada significativa das hostilidades” entre os dois países.

    No entanto, diz Feeley, a própria “revelação confusa e contraditória” de Trump sobre a suposta operação clandestina, assim como a falta de verificação independente sobre o ataque, prejudicam “sua eficácia”.

    Trump, porém, não deu detalhes sobre a suposta operação, dizendo apenas que “houve uma grande explosão na área do cais onde as drogas são carregadas nos navios”.

    Segundo veículos de imprensa dos EUA, como o jornal The New York Times e a emissora CNN, fontes do governo teriam informado que a explosão foi causada por um ataque de drone realizado pela CIA.

    Nem as Forças Armadas dos EUA, nem a Agência Central de Inteligência (CIA), nem a Casa Branca se manifestaram sobre essa informação. O governo venezuelano tampouco confirmou qualquer ataque dos EUA em seu território.

    Para John Feeley, revelar informações sobre a suposta operação poderia colocar agentes americanos no país em risco.

    “A própria revelação confusa e contraditória do presidente sobre a suposta operação clandestina e a falta de verificação independente já prejudicaram sua eficácia. Se a teoria é provar a Maduro que agentes da CIA estão circulando livremente e sabotando infraestruturas venezuelanas não especificadas, revelar ao regime onde e quando atacaram não é a melhor maneira de proteger esses agentes de futuros ataques”, diz.

    Por outro lado, afirma o diplomata, “se o ataque não ocorreu, Trump simplesmente parecerá um velho confuso falando besteira”.

    ‘Trump tem todas as cartas na manga’

    Nos últimos meses, os EUA atacaram dezenas de embarcações no Caribe e no leste do Pacífico alegando que estas transportavam drogas, sem no entanto apresentar qualquer prova.

    Mais de cem pessoas morreram nesses ataques — que vários especialistas em direito definem como ilegais e os críticos de Trump descrevem como execuções extrajudiciais.

    Os Estados Unidos também mobilizaram uma grande força naval no Caribe, deslocando para ali seu maior e mais moderno porta-aviões, o Gerald R. Ford, em meio à chamada operação Lança do Sul.

    Em outubro, Trump confirmou ter autorizado a CIA a realizar operações secretas na Venezuela.

    Pouco antes, os EUA apreenderam um desses navios, o petroleiro Skipper, e desde então interceptaram uma segunda embarcação, a Centuries, e perseguiram uma terceira, a Bella 1.

    John Feeley

    Crédito, Arquivo pessoal

    Legenda da foto, John Feeley

    “Não acredito que seja uma política baseada em uma estratégia bem elaborada. Uma estratégia sempre precisa começar com um objetivo final e, se o objetivo final do governo Trump na Venezuela é a mudança de regime, por que ele não declara isso abertamente?”, disse.

    “Até hoje, segundo a contagem oficial, há mais de 100 tripulantes mortos, aproximadamente 25 barcos explodidos, provavelmente já gastamos dezenas de bilhões de dólares nessa operação, e realmente não sei o que o governo Trump tem a mostrar.”

    O diplomata afirmou ainda que as demonstrações de força de Trump até aquele momento, com ataques a embarcações no Caribe e mobilização de equipamento militar americano, não seriam suficientes para tirar Nicolás Maduro do poder.

    “Uma demonstração de força por parte dos Estados Unidos, que é inegavelmente o país militarmente mais poderoso do hemisfério Ocidental, não é suficiente para depor Nicolás Maduro.”

    Nicolás Maduro

    Crédito, Reuters

    Legenda da foto, Governo americano pressiona para que Nicolás Maduro deixe o poder na Venezuela

    Questionado sobre a possibilidade da atual tensão entre Venezuela e Estados Unidos escalar para um conflito direto, o ex-embaixador americano disse ainda que o governo americano detém todas as cartas.

    “O governo Maduro não tem capacidade para escalar para um conflito direto com os Estados Unidos. Literalmente, como o presidente Trump gosta de dizer em relação ao presidente ucraniano, sua administração tem todas as cartas na manga”, opinou.

    “E se ele [Trump] decidir ir em frente [com uma escalada], só poderá fazer uma de três coisas neste momento: pode atacar com tropas terrestres, atacar com bombas aéreas ou simplesmente voltar para casa.”

    O diplomata disse ainda acreditar que não haverá uma invasão terrestre com tropas americanas.

    “Aplaudo a atribuição do Prêmio Nobel a ela, mas lamento que ela o tenha dedicado a Donald Trump”, disse.

    O diplomata também comparou as ações de María Corina às de Ahmed Chalabi, um político iraquiano que incentivou a invasão do seu país pelos EUA em 2003.

    Chalabi ficou conhecido por ter apresentado aos EUA documentos falsos sobre a posse secreta de armas de destruição em massa pelo então primeiro-ministro Saddam Hussein. As informações teriam sido usadas como base pelo ex-presidente americano George W. Bush para invadir o Iraque e depor Saddam.

    “Por mais que admire ela e a causa, devo dizer que ela está fazendo exatamente o que Ahmed Chalabi fez com o Iraque no outono de 2001, após os ataques da Al-Qaeda”, diz Feeley sobre María Corina.

    “Ela está usando o pretexto de armas de destruição em massa, neste caso, o fentanil, para encorajar o presidente Trump a invadir seu país para libertar seu povo, já que eles não conseguiram fazê-lo até agora.”



    Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
    em nome do autor .

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