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    Paraíba

    JOHN LENNON SHOT DEAD, 45 anos esta noite

    8 de dezembro de 2025
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					JOHN LENNON SHOT DEAD, 45 anos esta noite
    Foto/Reprodução.

    Oito de dezembro de 1980. Era uma segunda-feira, feriado de Nossa Senhora da Conceição e Iemanjá, e eu fui ao Recife ver O Império dos Sentidos, de Nagisa Oshima.

    O Cine Moderno lotado. O Império dos Sentidos, Último Tango em Paris, Laranja Mecânica, os filmes que chegavam junto com os ventos da abertura política.

    Na manhã da terça-feira, bem cedo, passei na Disco 7 e voltei para João Pessoa. Ao chegar em casa, recebi um telefonema de Carlos Aranha, colega de redação em A União:

    “Soube da morte?” – perguntou.

    “Não” – respondi.

    “John Lennon” – ouvi dele.

    “Como?” – indaguei.

    “Assassinado em Nova York” – afirmou.

    Corri para o jornal e me tranquei no Departamento de Pesquisa para redigir o necrológio. Em 1980, a redação de A União ficava numa casa na Rua João Amorim, por trás do Bompreço da Praça Castro Pinto, em Jaguaribe.

    Não havia Internet nem aparelhos de telefonia móvel. Nem ao menos computadores de uso pessoal. Escrevíamos nas máquinas de datilografia. As notícias chegavam através das agências (AP, UPI, AJB) e eram expelidas em rolos de papel por aquelas máquinas barulhentas amontoadas num quartinho no fundo da redação.

    Somente três pessoas entraram na sala naquela longa tarde. Luzia, que chefiava a pesquisa, mostrando fotos que poderiam ser utilizadas na edição que preparávamos, o diretor técnico do jornal, Gonzaga Rodrigues, e o compositor Dida Fialho, que estava de passagem e me disse do câncer de Bob Marley.

    Quando parei, já era hora do Jornal Nacional. Paramos todos diante do pequeno aparelho de televisão. Nunca vi, ali em A União, uma audiência tão grande para o JN. A Globo errou ao atribuir a John Lennon a autoria de canções do tempo dos Beatles (Yesterday, Let It Be) que foram escritas por Paul McCartney.

    Na hora de “descer” o material, o editor, Agnaldo Almeida, optou pela manchete JOHN LENNON ESTÁ MORTO. Eu queria um título com apelo emocional mais forte, mas o que prevaleceu foi o espírito de concisão dele.

    O caderno B do Jornal do Brasil, que guardo até hoje, veio comÍDOLO DA CANÇÃO MUNDIAL NÃO PÔDE DIZER AS ÚLTIMAS PALAVRAS,enquanto a Folha de S. Paulo ficou com A MORTE DE UM BEATLE.

    Depois, fui ao estúdio da Rádio Tabajara para uma conversa ao vivo e voltei para casa a tempo de ver o Jornal da Globo, Eu, meu pai e meu irmão. Eu tinha 21 anos. Meu pai, 44. Meu irmão, 16. Todos chocados e comovidos.

    Lennon era como se fosse de casa. Querido por todos. O cidadão, com sua postura pública, e o autor de todas aquelas canções. Com nossas distintas percepções, ouvimos seus discos intensamente nos anos 1970. John Lennon/Plastic Ono Band, em especial.

    No JG, Nelson Motta e Luiz Carlos Maciel conversaram sobre Lennon. Um grande papo. Nelsinho, de quem gosto até hoje. Maciel, ícone do jornalismo contracultural brasileiro.

    Numa das reportagens, uma imagem me tocou bem especialmente. No meio da multidão reunida em frente ao Dakota, o cenário do assassinato, um rapaz levava no ombro um aparelho de som portátil que se usava na época, e a música ouvida era Nowhere Man.

    Sim. Nowhere Man. Dos Beatles, do álbum Rubber Soul, de 1965. O “homem de lugar nenhum” da letra desta singelíssima canção de John Lennon pode ser como a gente. Não tem um ponto de vista, não sabe para onde está indo.

    O rapaz perdido na multidão, o edifício Dakota ao fundo, o potente aparelho de som no ombro, os sons e os versos de Nowhere Man. Foi aí que desabei a chorar.



    Notícia publicada originalmente por Jornal da Paraíba
    em nome do autor .

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