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    Início » A nova orientação do papa sobre sexo no casamento
    Brasil

    A nova orientação do papa sobre sexo no casamento

    4 de dezembro de 2025
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    Papa Leão 14

    Crédito, AFP via Getty Images

    Article Information

      • Author, Edison Veiga
      • Role, De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil
    • Há 2 horas

    Documento divulgado pela Igreja no fim de novembro reconhece que há uma “finalidade unitiva da sexualidade”, enfatizando que os atos sexuais “não se limitam a assegurar a procriação, mas contribuem para enriquecer e fortalecer a união única e exclusiva e o sentimento de pertencimento mútuo”.

    Assinada pelo Dicastério para a Doutrina da Fé — nome atual do antigo Tribunal do Santo Ofício —, a nota doutrinal divulgada com a aprovação do papa Leão 14 é uma defesa católica da união monogâmica entre homem e mulher. Mas apresenta nas entrelinhas esse entendimento de que o ato sexual tem uma função além da geração de descendentes.

    Publicado apenas em italiano, o texto afirma que “nas últimas décadas” devido ao “contexto do individualismo consumista pós-moderno”, diversos problemas se originaram da “busca excessiva e descontrolada pelo sexo ou da simples negação da finalidade procriativa da sexualidade”.

    Ao mesmo tempo, a nota lembra que também houve uma “negação explícita da finalidade unitiva da sexualidade e do próprio casamento” e incentiva “o desejo de troca emocional, pelas próprias relações sexuais, mas também pelo diálogo e pela cooperação”.

    O documento diz que uma “visão integral da caridade conjugal” é aquela que “não nega a sua fecundidade”. Mas que “a união sexual, como forma de expressão da caridade conjugal”, ainda que “deva naturalmente permanecer aberta à comunicação da vida”, não precisa ter nesse fim o “objetivo explícito de cada ato sexual”.

    Nesse sentido, o texto apresenta três possibilidades. A primeira é a vida sexual de casais que não podem ter filhos. A segunda é “que um casal não procure conscientemente um determinado ato sexual como meio de procriação”. Por fim, o terceiro item fala sobre respeitar “os períodos naturais de infertilidade” — “isso pode servir não só para regular as taxas de natalidade, mas também para escolher os momentos mais adequados para acolher uma nova vida”, observa o documento.

    A nota enfatiza que “o casal pode aproveitar esses períodos como manifestação de afeto e para salvaguardar a fidelidade mútua”. “Fazendo isso, demonstram um amor verdadeira e completamente honesto”, afirma.

    Da abstenção ao prazer

    Tal postura não é completamente inédita em documentos do catolicismo. Mas foi apresentada com destaque neste texto, repleto de citações que transcendem os círculos da cúpula do catolicismo por abarcarem, entre outros, versos de amor do poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973), trechos de escritos do poeta italiano Eugenio Montale (1896-1981) e pensamentos sobre a ética do matrimônio deixados pelo filósofo existencialista dinamarquês Soren Kierkegaard (1813-1855) — que também era teólogo cristão, aliás.

    “Embora não se trate de uma novidade, de fato há uma evolução no pensar da Igreja enquanto instituição em relação ao sexo, para além dessa dimensão da reprodução”, observa à BBC News Brasil o teólogo Raylson Araujo, pesquisador na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

    Ele lembra que em manuais antigos, como os que orientavam padres confessores nos século 16 e 17, havia muitas recomendações para a abstenção das práticas sexuais, mesmo dentro do matrimônio.

    Araujo recorda que predominava uma visão do sexo como “algo pecaminoso, sujo”. O teólogo lembra que eram comuns abordagens que instruíam casais a não transarem em períodos como a quaresma ou mesmo aos domingos.

    “Do século 20 para cá, sobretudo depois do Concílio Vaticano 2º [que ocorreu entre os anos de 1962 e 1965], essa ideia passou a ser revisitada.

    O atual texto do Catecismo da Igreja Católica, por exemplo, publicado em 1992, já aborda também o chamado “caráter unitivo” das relações sexuais dentro do matrimônio.

    “A função unitiva do sexo, além da procriativa, é tradicional no magistério da Igreja”, destaca à BBC News Brasil o sociólogo da religião Francisco Borba Ribeiro Neto, ex-coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.

    Ele lembra que no magistério do papa João Paulo 2º (1920-2005) esta postura era recorrente. “[Ele] insistiu na necessidade de que os casais cristão reconhecessem esse aspecto da sexualidade”, pontua.

    “O que aconteceu foi uma redução moralizante da mensagem cristã, que inclusive vai contra uma concepção integral da moral cristã”, observa. “O documento atual apenas recorda algo que deveria ser sabido e reconhecido por todos que se interessam pela doutrina católica.”

    O Catecismo aborda a questão nos parágrafos 2360, 2361 e 2362. “No matrimônio, a intimidade corporal dos esposos torna-se sinal e penhor da comunhão espiritual”, diz um deles.

    “Os atos pelos quais os esposos se unem íntima e castamente são honestos e dignos; realizados de modo autenticamente humano, exprimem e alimentam a mútua entrega pela qual se enriquecem um ao outro com alegria e gratidão”, pontua o conjunto de regras. “A sexualidade é fonte de alegria e de prazer.”

    O livro, contudo, ressalta que tais relações precisam sempre ser movidas pelo amor.

    Ribeiro Neto lembra que, de acordo com a doutrina da Igreja, “o prazer sem amor é como um orgasmo”, pode “ser maravilhoso, mas termina no amargor da solidão”.

    Obra A Queda do Homem, de Hugo van der Goes, século 15

    Crédito, Domínio Público

    Legenda da foto, A Queda do Homem, de Hugo van der Goes

    “Na relação sexual, a Igreja não é contra o prazer, mas sim contra o prazer sem amor. Pois o sexo, na sua plenitude, é uma celebração do amor”, contextualiza o sociólogo.

    “Assim, não há nada contra os católicos praticarem sexo por prazer. O problema é praticarem sexo sem amor”, esclarece ele. “Talvez o maior problema cultural da prática sexual seja o sexo sem um amor responsável. Quando dou ou recebo prazer de outra pessoa, me torno responsável por ela, pois o prazer sexual é a doação da intimidade do ser. Quando queremos ter prazer e amor sem responsabilidade, aí fracassamos, pois não há amor verdadeiro sem responsabilidade pelo outro.”

    Para o historiador e teólogo Gerson Leite de Moraes, professor na Universidade Presbiteriana Mackenzie, o mais importante a ser enfatizado sobre a nota é que a Igreja “não foge da discussão”, abordando a sexualidade sob um prisma contemporâneo.

    Em conversa com a BBC News Brasil, ele lembra que no passado havia uma ênfase à chamada “continência matrimonial”, mas que nunca foi negado o exercício da sexualidade dentro do matrimônio.

    “O que me parece é que há uma consolidação da visão da Igreja sobre a importância do casamento”, avalia ele.

    Erotismo na Bíblia

    Autora do livro O Amor Não Está À Venda, em que analisa as menções a interações sexuais na Bíblia, a linguista Ana Bezerra Felicio aponta que na quase totalidade dos casos em que isso ocorre ou tem a ver com filhos e família ou está em contexto negativo.

    “São abusos, estupros, práticas condenáveis, mostrando a realidade mais cruel da vida humana”, diz ela, à BBC News Brasil. Felicio é integrante da Associação Brasileira de Cristãos na Ciência.

    Para a especialista, a exceção está no livro Cântico dos Cânticos, que faz parte do Antigo Testamento.

    Trata-se de um poema erótico que celebra o encontro sexual. Não há consenso sobre a autoria do texto, mas a maior parte dos especialistas acredita que os versos tenham sido criados entre os anos 450 a.C. e 330 a.C.

    “Sem ele, não haveria conotação positiva do sexo na Bíblia”, frisa Felicio. “Nele há a exaltação da beleza dos corpos, corpos que se desejam muito um ao outro.”

    Adão e Eva em obra do século 16

    Crédito, Domínio Público

    Legenda da foto, Adão e Eva em obra do século 16

    Em livro, beijos sensuais

    Nos bastidores da Santa Sé, uma nuance adicional merece ser ressaltada. O texto foi produzido pelo cardeal Victor Manuel Fernández, ex-arcebispo de La Plata, alçado ao comando do dicastério dois anos atrás.

    Além de conterrâneo, Fernández era amigo próximo do papa Francisco (1936-2025) e foi ghost writer de diversos documentos assinados por ele. Ao longo de sua carreira na Argentina, contudo, o religioso vivenciou episódios polêmicos justamente ligado à moral sexual.

    Ele é autor do livro Sáname con Tu Boca – El Arte de Besar, no qual incentiva que casais a se esmerarem na prática dos beijos eróticos.

    Quando ele foi nomeado prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, o mais antigo dos 16 organismos que funcionam nas esferas de poder do Vaticano, setores mais conservadores da Igreja criticaram a decisão de Francisco. No diário católico La Croix International, o vaticanista Robert Mickens classificou a nomeação como “uma bomba” para os tradicionalistas.

    Curiosamente, entre 2009 e 2011, sob o pontificado de Bento 16 (1927-2022), Fernández foi inquirido pelo mesmo órgão que hoje ele chefia. Viam-no como autor de discursos “modernos” demais e solicitaram explicações.

    Em sua trajetória, o hoje cardeal, sempre demonstrou uma maior abertura ao acolhimento às populações LBTQIA+ e aos chamados casais em segunda união — temas estes que costumam acender polêmicas pela falta de consenso entre diferentes setores do catolicismo.

    A mulher, o homem e a serpente, em obra de Byam Shaw, feita em 1911

    Crédito, Domínio Público

    Legenda da foto, A mulher, o homem e a serpente, em obra de Byam Shaw, feita em 1911

    Pílula, camisinha e outros métodos?

    Sempre que há uma sinalização da Igreja no sentido de reconhecer o valor do sexo como prazer para os casais, acende-se nos setores mais progressistas do catolicismo a expectativa de uma mudança histórica da instituição quanto aos métodos contraceptivos.

    Para os especialistas, ainda é cedo para vislumbrar uma mudança nesse ponto. A Igreja Católica não aceita o uso de contraceptivos vistos como artificiais. A recomendação é para que casais que não queiram filhos se apoiem em estratégias como o método de ovulação Billings.

    “Há paróquias que oferecem cursos para quem queira aprender mais sobre isso”, lembra o teólogo Araujo.

    O historiador e teólogo Moraes, contudo, reconhece que tradicionalmente “a Igreja vai mudando lentamente” em alguns posicionamentos. E qualquer atualização costuma levar muito tempo. “O importante é que os temas estão em debate”, argumenta. “Que a Igreja segue avaliando as questões conforme seus valores.”



    Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
    em nome do autor .

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