Close Menu
Nordeste InformaNordeste Informa
    Mais lidas

    Goa: Incêndio em casa noturna na Índia deixa ao menos 23 mortos

    Delcy Rodríguez anuncia anistia a ‘presos políticos’ e fechamento de centro de tortura na Venezuela

    As táticas de Putin para manter o apoio dos bilionários russos

    1 2 3 … 257 Next
    Instagram YouTube
    Nordeste InformaNordeste Informa
    Instagram YouTube
    • Brasil
    • Política
    • Esportes
    • Empregos
    • Cultura
    • Vídeos
    • Concursos Públicos
    • Educação
    • Tecnologia
    • Turismo
    Nordeste InformaNordeste Informa
    Início » O estigma das mortes solitárias e dos imóveis ‘assombrados’ no Japão
    Brasil

    O estigma das mortes solitárias e dos imóveis ‘assombrados’ no Japão

    17 de novembro de 2025
    WhatsApp Facebook Email LinkedIn Twitter Pinterest
    Share
    WhatsApp Facebook LinkedIn Email Twitter Pinterest Telegram Copy Link


    Foto tirada em 21 de junho de 2017 mostra a cozinha de uma mulher que morreu sozinha e só foi encontrada duas semanas depois em seu apartamento em Yokohama

    Crédito, AFP via Getty Images

    Legenda da foto, Moradora morreu neste apartamento em Yokohama e só foi encontrada após duas semanas
    Article Information

      • Author, Fátima Kamata
      • Role, De Tóquio para a BBC News Brasil
    • 17 novembro 2025, 13:34 -03

      Atualizado Há 1 hora

    O Japão convive com um fenômeno silencioso e crescente: o das mortes solitárias, conhecidas como kodokushi.

    Com o envelhecimento da população e o aumento de pessoas vivendo sozinhas, cresce também o número de óbitos que passam dias — ou até meses — sem serem notados.

    Segundo dados da Agência Nacional de Polícia (NPA), entre janeiro e junho de 2025, foram 40.913 casos do tipo, 3.686 a mais que no mesmo período do ano anterior.

    Em mais de 11 mil desses casos, o corpo só foi descoberto após oito dias — critério que o governo passou a adotar como definição oficial de morte isolada.

    O problema não se limita à terceira idade. Pessoas em idade ativa também são afetadas, em parte devido ao isolamento social, doenças não tratadas e dificuldades financeiras.

    Casos como o dos chamados “8050” — em que pais idosos vivem com filhos adultos desempregados ou isolados — agravam ainda mais o cenário de vulnerabilidade.

    O resultado é um crescente número de pessoas que morrem sozinhas, sem despedidas nem rituais.

    Um relatório elaborado por uma equipe do governo sugeriu políticas para conter o avanço do problema, incluindo o incentivo à participação em atividades comunitárias que promovam laços sociais e senso de pertencimento, especialmente entre idosos.

    Brasileiros também enfrentam a solidão

    Na comunidade brasileira, a mudança no estilo de vida também agrava o risco de mortes solitárias. Se antes era comum dividir moradia, hoje muitos preferem viver sozinhos.

    “É cada vez mais raro encontrar brasileiros dispostos a compartilhar imóvel”, afirma Diego Taira, responsável pelo RH de uma empresa com mais de 20 mil contratados.

    “Morar sozinho pode ser confortável, mas também pode atrasar o atendimento em emergências.”

    Cinzas de brasileiro morto quatro anos atrás, em acidente de trânsito, são depositadas em cemitério coletivo construído por brasileiros no Japão

    Crédito, Arquivo pessoal

    Legenda da foto, Cinzas de brasileiro morto quatro anos atrás, em acidente de trânsito, são depositadas em cemitério coletivo construído por brasileiros no Japão

    Casos envolvendo brasileiros revelam a dimensão dos impactos. Um exemplo é o caso de um homem de 58 anos cujo corpo foi encontrado em avançado estado de decomposição.

    O herdeiro precisou arcar com todos os custos — incluindo reforma do imóvel onde vivia —, que ultrapassaram 2,6 milhões de ienes (cerca de R$ 95 mil).

    Em outro episódio, as cinzas de um brasileiro de 60 anos, morto em um acidente de trânsito, em 2021, ficaram por meses sob responsabilidade do escritório de advocacia onde trabalha a assistente administrativa Chise Murakami.

    “Como a filha não podia vir do Brasil, os restos mortais ficaram aqui, até serem levados recentemente para um cemitério coletivo criado por brasileiros no Japão”, conta.

    O peso da morte no mercado imobiliário

    Os chamados jiko bukken — imóveis onde houve mortes violentas ou solitárias — enfrentam forte rejeição no mercado.

    Mesmo bem localizados e em boas condições estruturais, esses imóveis podem perder até 50% do valor, especialmente quando há necessidade de limpeza forense — serviço que pode custar o equivalente a dezenas de milhares de reais.

    Desde 2021, a legislação japonesa obriga proprietários a informarem, no momento da venda ou do aluguel, se ocorreram mortes no imóvel ocorridas nos três anos anteriores, especialmente em casos de suicídio, homicídio ou kodokushi com descoberta tardia. Em situações mais extremas, a saída pode ser a demolição do imóvel.

    Norberto Mogi, um dos brasileiros pioneiros no setor, relata casos marcantes. “Havia um forte odor e a marca de um corpo no tatame. Durante a demolição, uma máquina parou de funcionar e um funcionário passou mal. Até hoje, ele não sabe que era um jiko bukken.”

    Norberto Mogi, brasileiro pioneiro na área de demolição

    Crédito, Arquivo pessoal

    Legenda da foto, Norberto Mogi, brasileiro pioneiro na área de demolição

    Rituais e ‘certificação espiritual’

    Equipamentos usados para "certificar" ausência de fantasmas

    Crédito, Arquivo pessoal

    Legenda da foto, Equipamentos usados para ‘certificar’ ausência de fantasmas

    Para quem busca um imóvel próprio a preço acessível, os jiko bukken podem ser oportunidade.

    Depois de mais de 20 anos vivendo de aluguel, Edna Maeda adquiriu um sobrado pela metade do preço após saber que um suicídio havia ocorrido no local.

    “Fizemos um ritual espiritual de acolhimento. Isso nos deu tranquilidade para viver ali”, conta. Espírita, Edna acredita na importância de harmonizar o ambiente.

    No Japão, rituais de purificação são comuns em casos assim. Algumas empresas oferecem até “certificação espiritual”, como faz a Kachimode, fundada por Kazutoshi Kodama.

    Usando câmeras térmicas e sensores, ele atesta que não há “presença espiritual” no local e fornece o selo de “livre de fantasmas”.

    Se algo for detectado após a certificação, o cliente pode ser indenizado em até 1 milhão de ienes (cerca de R$ 37 mil).

    Kazutoshi Kodama

    Crédito, Fátima Kamata

    Legenda da foto, Kazutoshi Kodama criou empresa que emite certificado para garantir ‘ausência de fantasmas’ em imóveis estigmatizados

    “Quero desafiar a ideia de que a única solução é baixar o preço da propriedade”, afirma Kodama, que atuou por 15 anos como corretor antes de fundar a empresa, em 2022.

    Um dos casos mais emblemáticos do serviço foi a certificação de um apartamento em Tóquio onde uma jovem cometeu suicídio.

    Após passar três noites no local, Kodama considerou o imóvel isento de “presenças espirituais”, e o apartamento foi alugado por 95% do valor de mercado — um resultado considerado bem-sucedido nesse tipo de situação.



    Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
    em nome do autor .

    Acesse a matéria completa

    Compartilhar. WhatsApp Facebook Twitter LinkedIn Email Pinterest
    AnteriorCeará volta a registrar seca em todo o território, aponta Monitor de Secas
    Próximo Enem 2025: gabarito oficial do segundo dia será publicado esta semana

    Notícias Relacionadas

    Guerra no Irã, 7º dia: o que aconteceu até agora

    7 de março de 2026

    Guerra no Irã: como iranianos criaram drones ‘suicidas’ de baixo custo para provocar caos no Oriente Médio

    6 de março de 2026

    Quanto mais a guerra se prolonga, maior é o risco de terrorismo e ações de aliados do Irã pelo mundo, diz ex-subsecretário de Estado do governo Trump

    6 de março de 2026

    Vorcaro disse que BC o orientou a procurar André Esteves, do BTG: ‘Ele disse que era o maior banqueiro do mundo’

    6 de março de 2026

    As mensagens de Vorcaro com o poder: Ciro Nogueira, Lula e outros citados

    5 de março de 2026

    AO VIVO | Israel e Irã lançam novos ataques; Bahrein, Catar e Azerbaijão registram explosões

    5 de março de 2026
    Mais lidas

    EUA: o brasileiro preso pelo ICE a caminho do trabalho

    Conheça a história da estátua de Santo Antônio sem cabeça

    Declaração do imposto de Renda e restituição: o que acontece se não entregar declaração no prazo e outras regras

    Tiroteio em escola deixa ao menos sete mortos no Canadá

    Saiba quais são as cidades com mais moradores em vias arborizadas na Paraíba, segundo o IBGE

    Demo

    O Jornal Digital do Nordeste Brasileiro.
    Compromisso com a Realidade dos Fatos.

    Conecte-se conosco:

    Instagram YouTube
    Notícias em Alta

    A emocionante história de um atacante baiano que viralizou

    7 de março de 2026

    O calvário que Nico Williams vive desde ‘não’ ao Barcelona e o que assistir no Disney+

    7 de março de 2026

    Prefeito de São Gonçalo do Amarante se afasta de atividades públicas após pegar vírus

    7 de março de 2026
    Newsletter

    Inscrevas-se para atualiações

    Fique por dentro das últimas notícias e tendências em tempo real.

    Instagram YouTube
    • Quem Somos
    • Fale Conosco
    • Política de Privacidade
    • AVISO LEGAL
    © 2026 Nordeste Informa Portal de Notícias | Todos os Direitos Reservados.

    Digite acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione Esc para cancelar.