A desconfiança inicial, no entanto, era palpável. Com uma carreira consolidada na Superliga Inglesa e três temporadas no Leicester City, Plumptre admite que sua primeira reação ao interesse saudita foi de total recusa. “Eu estava tipo, por que eu iria para a Arábia Saudita?”, disse, revelando que a princípio sequer quis ouvir a proposta.

Uma conversa, porém, foi suficiente para transformar a percepção de Ashleigh. A decisão, ela frisa, transcendeu o aspecto financeiro e passou pelo sentimento de participar do desenvolvimento da modalidade no país.
Em uma hora de papo, me conectei com as pessoas na chamada, saí do telefone e disse: ‘Pai, acho que é lá que eu quero estar’. Eu não poderia ir a qualquer lugar só por causa do dinheiro. No final do dia, meu contentamento e felicidade na vida são muito mais importantes. Eu não acho que poderia sobreviver em um ambiente, mesmo se eu fosse bem paga, caso não gostasse, ou se não estivesse uma conexão, de fato.
Ashleigh Plumptre
Além dos altos salários, o senso de propósito é o que move muitas das atletas estrangeiras no país. Elas compreendem que o papel vai muito além das quatro linhas, atuando como mentoras para acelerar a evolução das jogadoras locais.
O nosso papel aqui, de estrangeiras, é conseguir trazer uma bagagem para elas de outras ligas, de outras competições. Existe essa dúvida, será que o nível técnico acompanha o de outras ligas, será que pode uma convocação para a seleção e toda essa coisa… Hoje a gente acompanha ligas europeias com um nível muito alto, mas todo mundo teve que começar de algum lugar, né?
Letícia Nunes

