Crédito, Bidyut Kalita
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- Author, Maddie Molloy
- Role, BBC Clima e Ciência
À primeira vista, a vespa-oleira parece estar montada em uma vassoura.
Mas esse inseto trabalhador não está indo mexer em um caldeirão de bruxa, nem jogar quadribol. Ele está carregando uma lagarta — uma presa que vai ser usada para alimentar seus filhotes.
A foto foi feita pelo fotógrafo de vida selvagem Bidyut Kalita e está entre os finalistas do concurso Wildlife Photographer of the Year (Fotógrafo de Vida Selvagem do ano, na tradução livre para o português) deste ano. Também recebeu menção honrosa na categoria Comportamento: Invertebrados.
As imagens vencedoras serão anunciadas no dia 14 de outubro, seguidas de uma exibição no Museu de História Natural, em Londres, que exibirá 100 fotografias de destaque, registradas em diferentes partes do mundo.
Confira algumas das fotos da exibição:
Crédito, Emmanuel Tardy
Título: Não há lugar como a nossa casa
Fotógrafo: Emmanuel Tardy (França)
Local onde foi tirada: El Tanque, San Carlos, Alajuela, Costa Rica.
Tardy registrou uma preguiça-de-garganta-marrom e três dedos agarrada em um poste de arame farpado após atravessar uma estrada.
Com a fragmentação de seus habitats devido à perda de árvores, as preguiças são forçadas a se arriscar em travessias pelo solo para alcançar a próxima árvore, o que as deixa vulneráveis.
Crédito, Bertie Gregory
Título: Jornada na beira do gelo
Fotógrafo: Bertie Gregory (Reino Unido)
Local onde foi tirada: Ekström Ice Shelf, Baía de Atka Bay, Antártida
Gregory registrou um grupo de filhotes de pinguim-imperador caminhando na beira de uma plataforma de gelo.
Depois de passar dois meses observando a colônia, ele viu que a maioria dos filhotes usava rampas naturais de gelo para descer de forma segura até o mar — mas o grupo fotografado perdeu essa rota.
Deixados por conta própria, os jovens pinguins-imperadores acabam tendo que saltar para dentro do oceano gelado em sua primeira tentativa de se alimentar.
Cientistas acreditam que a redução de gelo marinho pode forçar os pinguins a se reproduzirem em plataformas de gelo, tornando saltos como esse cada vez mais comuns.
Crédito, Kutub Uddin
Título: Retrato de uma Família de limo
Fotógrafo: Kutub Uddin (Bangladesh/Reino Unido)
Local onde foi tirada: Slindon Wood, West Sussex, Inglaterra, Reino Unido
Uddin descobriu um agrupamento de bolor de limo — ou bolor limoso — sobre um tronco caído na floresta. Ele descreveu a cena como um “retrato bizarro de família” com direito a um pequeno ovo amarelo de inseto.
O bolor de limo é formado por organismos unicelulares, semelhantes a amebas, que vivem de forma independente, mas podem se unir para agir como uma única entidade para encontrar comida e se reproduzir.
Crédito, Jamie Smart
Fotógrafo: Jamie Smart (Reino Unido)
Local onde foi tirada: Bradgate Park, Leicestershire, Reino Unido
Um cervo-vermelho macho brama durante a temporada de acasalamento de outono em Bradgate Park.
A foto foi feita por Smart de uma distância segura. Ela evitou que a grama alta bloqueasse a visão, esticando-se para manter o enquadramento limpo.
Os chifres do cervo, totalmente endurecidos e sem veludo, crescem a cada primavera, tornando-se ainda mais impressionantes a cada ano à medida que novas pontas se desenvolvem.
Crédito, Amit Eshel
Título: Dentro da Alcateia
Fotógrafo: Amit Eshel (Israel)
Local onde foi tirada: Ilha Ellesmere, Nunavut, Canadá
Ao nível dos olhos de uma curiosa alcateia de lobos árticos em -35°C, Eshel realizou seu sonho de fotografar essas criaturas.
Os lobos se aproximaram tanto que ele pôde sentir o cheiro da respiração deles.
Os lobos árticos, encontrados apenas no norte do Canadá e no norte da Groelândia, são curiosos em relação aos humanos devido à mínima exposição.
Crédito, Kesshav Vikram
Título: Essência da Kamchatka
Fotógrafo: Kesshav Vikram (Índia)
Local onde foi tirada: Lago Kurile, Kamchatka Krai, Rússia
Após dias de paciência, Vikram registrou um urso-pardo caminhando às margens do Lago Kurile, com o vulcão Illinsky surgindo entre as nuvens.
Embora ursos geralmente sejam solitários, este seguia para se alimentar junto com outros salmões vermelhos que migravam rio acima, do Pacífico, para seu lago de origem para desovar.
Crédito, Parham Pourahmad
Título: História de dois coiotes
Fotógrafo: Parham Pourahmad (EUA)
Local onde foi tirada: Bernal Heights Park, San Francisco, Califórnia, EUA
Aproveitando a luz da manhã, Pourahmad enquadrou o olho de um coiote macho dentro da curva do rabo de uma coiote fêmea.
Ele acompanhou o casal por algumas horas em colinas rochosas e tirou a foto quando o macho parou para acariciar a fêmea. Os coiotes são altamente adaptáveis e estão começando a se restabelecer em San Francisco, de onde eles haviam desaparecido.
Crédito, Leana Kuster
Fotógrafo: Leana Kuster (Suíça)
Local onde foi tirada: Pont de Gau, Camargue, França
Leana Kuster registrou um flamingo coçando a cabeça com um de suas inconfundíveis pernas longas.
Durante as férias, ela se encantou com o comportamento dessas aves, que se movimentam graciosamente pelos pântanos rasos e salinos, filtrando moluscos e crustáceos.
Os flamingos usam a língua para bombear água através de seus bicos singularmente adaptados, revestidos por fileiras de placas finais em forma de pente.
A coloração rosada vem de uma dieta rica em carotenoides — pigmentos encontrados em algas e invertebrados como o camarão.
Crédito, Marina Cano
Título: Lições Mortais
Fotógrafo: Marina Cano (Espanha)
Local onde foi tirada: Parque Nacional Samburu, Condado de Samburu, Quênia.
No Parque Nacional Samburu, no Quênia, Marina Cano registrou filhotes de guepardo praticando caça em um dik-dik ou caxine, com a mãe observando de perto.
Os filhotes de guepardo ficam escondidos por dois meses e só se juntam para caçar por volta de um ano de idade, aprendendo técnicas de perseguição e abate.
Crédito, Lakshitha Karunarathna
Fotógrafo: Lakshitha Karunarathna (Sri Lanka)
Local onde foi tirada: Ampara, Província Oriental, Sri Lanka
No Sri Lanka, Lakshitha Karunarathna registrou um elefante asiático solitário atravessando um aterro de lixo.
Nos últimos três anos, ele vem registrando os impactos dos seres humanos sobre os elefantes na região.
O lixão de Ampara foi criado mais de uma década atrás próximo a uma área de proteção da vida selvagem, que abriga cerca de 300 elefantes.
Além de restos de alimentos, os animais consomem plásticos, que tem os matado aos poucos.
Crédito, Gabriella Comi
Fotógrafo: Gabriella Comi (Itália)
Local onde foi tirada: Parque Nacional do Serengeti, Tanzânia
Gabriella Comi e seu guia David avistaram uma cobra se aproximando de dois leões que descansavam sob o sol escaldante do Parque Nacional do Serengeti.
O mais velho deles ergueu a cabeça para encarar a ameaça.
Crédito, Ralph Pace
Título: Verão entre as águas-vivas
Fotógrafo: Ralph Pace (EUA)
Local onde foi tirada: Baía de Monterey, Monterey, Califórnia, EUA
Em meio a um aglomerado de urtigas-do-mar (um tipo de água-viva), Pace cobriu de vaselina todas as partes do corpo não cobertas pela roupa de mergulho para se proteger das picadas.
Os tentáculos podem causar uma ferroada dolorosa que, segundo Pace, parece mais com de uma abelha do que de uma urtiga.
Crédito, Sitaram Raul
Título: A natureza retoma seu espaço
Fotógrafo: Sitaram Raul (Índia)
Local onde foi tirada: Banda, Maharashtra, Índia
No escuro total, usando foco e flash, Raul se posicionou em meio a morcegos-da-fruta — que emergiram de uma ruína história — para registrar o momento. Os morcegos voavam sobre a sua cabeça enquanto “faziam cocô aleatoriamente” sobre ele e sua câmera.
No sul da Ásia, morcegos-da-fruta frequentemente se abrigam em construções abandonadas.
Crédito, Isaac Szabo
Título: Frágil rio da vida
Fotógrafo: Isaac Szabo (EUA)
Local onde foi tirada: Condado de Columbi, Flórida, EUA
Ao atravessar um rio cristalino na Flórida, Szabo fotografou uma fêmea de um gar-bicudo acompanhada por vários machos durante a temporada de reprodução. Uma tartaruga que apareceu flutuando na cena foi “a cereja do bolo”, nas palavras do fotógrafo.
Esse rio é um dos 1.000 cursos de água alimentados por nascentes de água doce, conhecidas por sua clareza excepcional.
Proteger os aquíferos que sustentam essas nascentes é fundamental, não apenas para a vida selvagem, como a dos peixes-boi, mas também para garantir o fornecimento de água potável para quase metade da população da Flórida.
Crédito, Jassen Todorov
Fotógrafo: Jassen Todorov (EUA)
Local onde foi tirada: San Francisco, Califórnia, EUA
Todorov registrou nuvens refletidas nas imensas salinas enquanto sobrevoava San Francisco.
As salinas, que cobrem quase 5.000 hectares, exibem cortes em constante mudança — algo que ele diz não se cansar de ver.
O processo de extração de sal na Baía de San Francisco foi industrializado em 1800, mas hoje as salinas fazem parte de um grande projeto de restauração, trazendo de volta a vida selvagem.