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    Início » Delcy Rodríguez anuncia anistia a ‘presos políticos’ e fechamento de centro de tortura na Venezuela
    Brasil

    Delcy Rodríguez anuncia anistia a ‘presos políticos’ e fechamento de centro de tortura na Venezuela

    31 de janeiro de 2026
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    Delcy Rodríguez falando ao microfone

    Crédito, Reuters

    Legenda da foto, Presidente interina da Venezuela fez o anúncio durante um discurso no Supremo Tribunal de Justiça
    Article Information

      • Author, Ángel Bermúdez
      • Role, BBC News Mundo
    • Há 46 minutos

    • Tempo de leitura: 5 min

    “Decidimos promover uma lei de anistia geral que abranja todo o período de violência política de 1999 até o presente”, disse Rodríguez em um discurso proferido na tarde de sexta-feira durante um evento no Supremo Tribunal de Justiça.

    “Quero que esta lei sirva para curar as feridas deixadas pelo confronto político alimentado pela violência e pelo extremismo, e que sirva para restaurar a justiça em nosso país e restabelecer a convivência entre os venezuelanos”, acrescentou.

    “As instalações do Helicoide, que hoje servem como centro de detenção, serão transformadas em um centro social, esportivo, cultural e comercial para a família policial e para as comunidades ao redor do local”, disse Rodriguéz ao apresentar a medida como parte de um programa social chamado ‘Guardiões da Pátria’, destinado a favorecer os funcionários da polícia.

    Prédio

    Crédito, Reuters

    Legenda da foto, O Helicoide foi denunciado como um centro de tortura na Venezuela

    Pouca clareza sobre as libertações

    Esse anúncio gerou grandes expectativas, já que, na época, havia — segundo dados da ONG Foro Penal — cerca de 800 “presos políticos” na Venezuela — termo rejeitado pelo governo chavista, mas utilizado por diversas agências e escritórios da ONU que também se referem a esses prisioneiros como “pessoas privadas de liberdade por motivos políticos”.

    O próprio Trump celebrou essa medida pouco depois, em uma mensagem publicada em 10 de janeiro na rede social Truth Social.

    “A Venezuela iniciou, em grande escala, o processo de libertação de seus presos políticos”, escreveu o presidente dos EUA.

    “Obrigado! Espero que esses presos se lembrem da sorte que tiveram com a intervenção dos Estados Unidos, que fizeram o que precisava ser feito”, acrescentou.

    O processo, contudo, não avançou com a rapidez ou a transparência que as famílias desses presos esperavam. Elas se reuniram em frente aos centros de detenção aguardando libertações que, em muitos casos, ainda não se concretizaram.

    Uma mulher segurando a bandeira da Venezuela e usando uma blusa escrito "Liberta todos os presos políticos"

    Crédito, Getty Images

    Além disso, tem sido comum que as pessoas libertadas não recuperem sua plena liberdade, pois continuam sujeitas a regimes de apresentação, com limitações nos seus direitos — não podendo falar com a imprensa ou tendo sido obrigadas a sair do país.

    Também não há clareza quanto ao número de pessoas libertadas. Em 23 de janeiro, Delcy Rodríguez afirmou que o número de libertações ultrapassava 600, mas o Foro Penal sustenta que o número real é menor.

    Em uma mensagem publicada em 29 de janeiro em sua conta no X, a ONG afirmou ter verificado a libertação de 302 pessoas.

    Segundo os dados divulgados na época, havia 711 “presos políticos” na Venezuela, dos quais 530 eram civis e 181 eram militares.

    O fato de, mesmo com cerca de 300 libertações, o número de detidos continuar em torno dos 700 — vindo de aproximadamente 800 presos iniciais — decorre, segundo o Foro Penal, de que nas últimas semanas passaram a ser conhecidos casos de pessoas que estavam detidas por motivos políticos, mas cujas famílias não haviam denunciado os casos por medo

    Nesse contexto de libertações, a Embaixada dos EUA na Venezuela anunciou em sua conta no X que todos os cidadãos americanos — de que se tinha conhecimento — detidos naquele país já foram libertados.

    Medida não abrangerá homicidas nem corruptos

    Em seu discurso, Delcy Rodríguez incumbiu a Comissão para a Revolução Judicial —entidade criada por Maduro em 2021 para reestruturar o sistema judiciário da Venezuela — a responsabilidade de elaborar urgentemente o projeto de lei a ser apresentado à Assembleia Nacional, onde deve ser aprovado com “máxima celeridade”.

    A presidente esclareceu que a lei não se aplicará a pessoas processadas ou condenadas por homicídio, tráfico de drogas, corrupção ou graves violações de direitos humanos, pois há impedimento constitucional nesses casos.

    Rodríguez afirmou que a anistia foi discutida com a liderança chavista e sugeriu que conta com a aprovação de Maduro, que está atualmente preso nos Estados Unidos, mas a quem as autoridades chavistas continuam a se referir como o “presidente legítimo” da Venezuela.

    “Há também a decisão do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama, com quem temos conversas, e também temos as diretrizes que eles nos forneceram para o caso de uma situação calamitosa ocorrer em nosso país, como de fato aconteceu em 3 de janeiro”, disse ela.

    Alfredo Romero, presidente do Foro Penal, manifestou seu apoio ao anúncio oficial.

    “Uma anistia geral é bem-vinda, desde que seus elementos e condições incluam toda a sociedade civil, sem discriminação, que não se torne um manto de impunidade e que contribua para o desmantelamento do aparato repressivo da perseguição política”, escreveu ele em sua conta no X.



    Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
    em nome do autor .

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