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    Início » Anúncios com IA e imagens falsas levaram consumidores a acreditar que essas lojas ficavam na Inglaterra — mas elas estavam na Ásia
    Brasil

    Anúncios com IA e imagens falsas levaram consumidores a acreditar que essas lojas ficavam na Inglaterra — mas elas estavam na Ásia

    30 de novembro de 2025
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    Uma imagem gerada por inteligência artificial mostrando uma mulher de cabelos castanhos segurando uma criança nos braços, em pé ao lado de uma mesa repleta de colares.

    Crédito, Omelia and Oliver Jewels

    Legenda da foto, A Omelia & Oliver Jewels está entre as empresas denunciadas ao Facebook por anúncios enganosos e gerados por inteligência artificial
    Article Information

      • Author, Alice Cullinane e Rebecca Woods
      • Role, BBC News, West Midlands
    • Há 22 minutos

    A Meta, proprietária do Facebook, foi acusada por consumidores no Reino Unido de permitir que empresas mal intencionadas “se alastrassem desenfreadamente” em suas plataformas.

    Mais de 60 entraram em contato com a BBC depois da publicação de uma reportagem que revelava que empresas estrangeiras inescrupulosas estavam usando imagens e histórias falsas para se passar por empresas familiares do Reino Unido e atrair compradores.

    Parte dos consumidores disse ter sido alvo de anúncios no Facebook e no Instagram. O guia britânico do consumidor Which? afirmou que as empresas estavam usando as plataformas para “espalhar suas mentiras o mais longe e amplamente possível”.

    A Meta declarou ter removido o conteúdo de seis empresas, apontadas pela BBC, que alegavam estar sediadas na Inglaterra, mas estavam importando produtos baratos da Ásia.

    A gigante da tecnologia afirmou que não permite atividades fraudulentas e que trabalha em estreita colaboração com a Stop Scams UK (organização britânica formada por empresas para combater fraudes em diversos setores) para proteger os usuários.

    Uma das empresas removidas da plataforma é a C’est La Vie, que alegava ser uma joalheria tradicional administrada por Patrick e Eileen na cidade inglesa de Birmingham, mas tinha um endereço para devolução na China.

    A Mabel & Daisy, que usava fotos geradas por IA de uma mãe e filha e alegava vender “roupas atemporais” de uma loja em Bristol, também foi removida da plataforma após ser exposta por vender itens de má qualidade a partir de uma base em Hong Kong.

    Outras empresas contra as quais a Meta afirma estar tomando medidas são as marcas de roupas Sylvia & Grace, Chester & Claire, Harrison & Hayes e Olyndra London, bem como a loja de acessórios Omelia & Oliver Jewels.

    Todas têm avaliações de uma estrela no Trustpilot (plataforma semelhante ao Reclame Aqui no Brasil), com centenas de clientes dizendo que foram enganados, acreditando estar comprando de marcas sediadas no Reino Unido, e receberam produtos com qualidade inferior à que esperavam.

    Imagem de vitrine gerada por IA da marca 'Chester and Claire'

    Crédito, Reprodução/Chester & Claire

    Legenda da foto, Chester & Claire usa esta imagem para vender suas roupas — mas a loja não fica em Londres

    A Harrison & Hayes alegava ser uma loja de roupas independente com sede em Manchester e “décadas de experiência”, mas seu endereço para devoluções era um depósito na China. A empresa usou uma imagem gerada por IA de uma fachada de loja na cidade que não existe.

    A Chester & Clare também usa uma imagem gerada por IA de uma fachada de loja para divulgar seu negócio, que, segundo a empresa, opera em Londres desde 2005, mas na verdade está sediada na Holanda e vende roupas enviadas da China.

    Seus termos de serviço afirmam que imagens, histórias, personagens e locais de lojas “podem ter sido criados usando IA generativa” para “aprimorar a experiência do cliente”.

    A BBC entrou em contato com todas as empresas, mas só recebeu respostas automáticas.

    ‘Parecia uma marca confiável no Facebook’

    Claire Brown decidiu comprar dois vestidos por 73 libras (cerca de R$ 515) da Luxe and Luna London depois de ver “constantemente” os anúncios atrativos da empresa no Facebook.

    Quando os vestidos chegaram semanas depois, eram de má qualidade, feitos de um material frágil e “tinham uma aparência horrível”.

    “Parecia uma marca confiável depois de ela ter aparecido tantas vezes no Facebook, todas essas coleções de roupas, e eu gostei do vi”, disse ela.

    Foto de rosto de Claire Brown

    Crédito, Claire Brown

    Legenda da foto, Claire Brown achou estar comprando de uma marca confiável depois de ver vários anúncios no Facebook

    Brown, que trabalha com marketing de tecnologia, disse que denunciou a empresa à Meta, mas nunca obteve resposta.

    A empresa agora parou de operar. A justificativa na página no Facebook afirma que a vida “deu uma guinada devastadora” devido à morte de um parceiro, uma declaração quase idêntica usada pela empresa de joias falsas de Birmingham, C’est La Vie.

    “Isso me deixa muito irritada, porque odeio que as pessoas sejam enganadas, e esses sites são o tipo de coisa que você compartilharia com um amigo”, pontua Claire.

    “Há uma real falta de proteção para os consumidores aqui.”

    Outro usuário do Facebook, Stuart, disse que denunciou várias empresas suspeitas à plataforma, mas foi aconselhado a “influenciar os anúncios que vê, ocultando anúncios e alterando suas preferências de anúncios” em sua resposta. Nenhuma outra ação foi tomada.

    Uma imagem gerada por IA da vitrine de uma loja exibe a inscrição "Omelia and Oliver Jewels" com árvores de outono na rua em frente. Fileiras de colares estão dispostas sobre uma mesa perto da vitrine

    Crédito, Reprodução/Omelia and Oliver Jewels

    Legenda da foto, Consumidores que compraram da Omelia and Oliver Jewels descreveram os itens como ‘a quinquilharia mais barata de todos os tempos’

    Algumas das empresas fraudulentas descobertas pela BBC parecem se usar do controverso “dropshipping”.

    Nesse modelo, um terceiro compra produtos de um atacadista e os vende com uma margem de lucro significativa, sem nunca ter visto o produto pessoalmente.

    A Autoridade de Padrões de Publicidade (ASA) recentemente proibiu anúncios de uma suposta empresa de roupas “britânica” que usava imagens de rosas, ruas de paralelepípedos e a bandeira do Reino Unido ao enviar mercadorias de um armazém na Ásia.

    O órgão regulador afirmou que continua tomando medidas contra anúncios enganosos, mas disse que plataformas como o Facebook desempenham um “papel importante” na manutenção da “publicidade responsável” e continua dialogando com elas sobre a melhor forma de impedir aqueles que violam as regras.

    Em uma imagem gerada por inteligência artificial, duas mulheres estão de pé, lado a lado, sorrindo. Elas vestem blusas bege e preta e estão com as cabeças encostadas uma na outra.

    Crédito, Sylvia & Grace

    Legenda da foto, Sylvia & Grace usaram inteligência artificial para gerar fotos de seus supostos fundadores

    O guia do consumidor Which? afirmou que a Meta permitiu que empresas falsas “se proliferassem desenfreadamente em suas plataformas por muito tempo” e que deveria fazer “muito mais” para impedir golpes e proteger seus usuários.

    E recomenda que os consumidores tenham cautela ao verem anúncios nas redes sociais que promovam ofertas “boas demais para ser verdade” e com táticas de pressão, como liquidações com grandes descontos.

    O guia alerta ainda para que as pessoas desconfiem de contas criadas recentemente que alegam ser de empresas conhecidas, principalmente se tiverem poucos seguidores. E recomenda entrar em contato com as empresas para verificar a autenticidade dos anúncios, buscando o site oficial em vez de clicar em links que possam ser golpes.

    A Meta afirmou que deseja que os usuários denunciem anúncios suspeitos em suas plataformas, que esse é um “sinal importante” para seus sistemas de revisão e pode levar a uma nova análise do anúncio em paralelo ao aprimoramento das políticas.



    Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
    em nome do autor .

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