Vicente Serejo
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Nos últimos meses do ano que passou a editora Record lançou no Brasil o grande ensaio ‘Fratura, vida e cultura no Ocidente, 1918-1938’. Em 2020, já lançara ‘Anos Vertiginosos’, do mesmo autor, Philipp Blom. Naquele, olhou o mundo entre 1900 e 1914, anos que antecederam a primeira guerra. Nesta, os anos que separaram a primeira da segunda. A humanidade viveu 25 anos de paz, quando a vida parecia retomar a esperança de um tempo de prosperidade e mesmo feliz.
Blom olha o mundo, ano a ano, de 1918 a 1938. Fui buscar o ano de 1922 que classifica de ‘O Renascimento do Harlem’: “O ano de1922 foi de começos e renascimentos. Foi um bom ano para a literatura modernista, com a publicação de Ulisses, de James Joyce, em Paris, do grande poema ‘A Terra Desolada’, de T. S. Eliot, em Londres, de Babbitt, a grande sátira estadunidense de Upton Sinclair, e o ‘Tratado Lógico-Filosófico, de Ludwig Wittgenstein”, para citar alguns.
O nariz de cera é para mostrar que sendo alemão, de Hamburgo, e tendo sido quase tudo nas atividades intelectuais – tradutor, ensaísta, radialista e correspondente de jornais como o The Guardian e The Independente, Bloom não seria obrigado a lançar os olhos sobre os anos vinte aqui no Brasil, tão efervescentes quanto na Europa, até por influências inevitáveis dos ecos vindos da Europa e dos Estados Unidos, mas, nem por isso, a década passaria aqui sem suas fortes rupturas.
O mundo experimentou, sim, a alegria de viver naqueles anos entre as duas grandes guerras mundiais. E o Brasil também, com sua belle époque tardia, mas que também nos trouxe os vestidos empolados, os fraques sisudos, as gravatas cheias, polainas, chapéus e bengalas. Ao lado da alegria, a chegada da máquina com o início do processo de industrialização de São Paulo, trazendo o acelerado processo de urbanização, ali, ao lado das aristocracias do café, das minas e da borracha.
Acontecem aqui, naqueles agitados anos vinte, a Semana de Arte Moderna, a fundação do Partido Comunista e a Exposição Internacional para vender, pela força do imaginário, o país do futuro por suas riquezas naturais. O mundo, feliz, subestimava a Alemanha que prepara a Segunda Guerra Mundial, vencendo todos os limites que lhe foram impostos pelo duro Tratado de Versalles. Fica a dúvida: tivemos, aqui, algum sinal daqueles anos avassaladores? Não é fácil uma resposta.
Conversando com Lenine Pinto, o grande repórter da presença norte-americana em Natal, ouvi que os soldados americanos, bêbados, recitavam Walt Whitman. O que pode ter influenciado Câmara Cascudo que traduziu três poemas de ‘Folhas de Relva’ nas edições de 18, 24 e 25 de abril, 1945, em ‘A República’. Reunidos e lançados em Recife, Imprensa Oficial, 1957, relançados pela Coleção Mossoroense, 1992, e tema de uma conferência de Edson Nery da Fonseca, 1993.
PALCO
FOGO – Que o prefeito Alysson Bezerra se cuide: o rastro de fogo da Polícia Federal ultrapassa a marca dos R$ 13 milhões. Se não provar sua inocência a candidatura será devorada pelas chamas.
PERDA -O União Brasil perdeu Ronaldo Caiado, governador de Goiás, para o PP. Era o nome mais firme e coerente. O União Brasil é de um governismo que virou vício. Vem desde a Arena.
HISTÓRIA – Amanhã, sábado, 31, na Livraria Nobel, no Praia Shopping, a partir das 18h30, o lançamento do livro ‘Grupo Escolar Duque de Caxias’, de Macau. Com direito a música ao vivo.
ROMBO – Pelas projeções, feitas inclusive pela Folha de S. Paulo, o rombo do Banco Master deve ser mastodôntico: pode passar, na soma final, dos R$ 50 bilhões. E vai atingir alguns figurões.
TEMPO -Do Lobo Guará, direto do Senadinho: ‘O Rio Grande do Norte envelheceu e hoje sente a falta de novos quadros de políticos e de planejadores. São os mesmos fazendo as mesmas coisas”.
AVISO – A quem interessar possa: este cronista gosta e desgosta, elogia e critica, noticia fatos e especula, desde que sejam plausíveis. Já recomenda a velha expressão francesa: “Comme il faut”.
POESIA – Da psicóloga Paula Lopes Ferreira no seu singular ‘Despaixão’, puxando a tolha da mesa do jantar: “Quão grande é a relevância da verdade? Ela é uma ilusão, estou farta de ilusões”.
DITO – De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, no apuro dos olhos e ouvidos vendo o as voltas nas quebradas que o mundo dá: “O não dito é uma forma requintada de dizer sem dizer”.
CAMARIM
SÓ – “A política tem a mesma frieza na gratidão e na ingratidão”. A sentença, via e-mail, veio do Lobo Guará, diante do isolamento que hoje pode cercar o presidente do União Brasil, ex-senador José Agripino. E mais: “Foi o bom engenheiro construtor de uma grande vitória hoje já esquecida.
ASTROLOGIA – Não é um despropósito nascido do desejo de disputar o segundo turno com o PT, diante do desgaste do governo petista no RN. A previsão do ex-prefeito Álvaro Dias é vista como possível. A candidatura Allyson Bezerra poderá perder sustentação sob o calor da disputa.
QUARENTA – Prontas as canecas que o editor Abimael Silva lançou para marcar os 40 aos do Sebo Vermelho. São quatro homenageados: Câmara Cascudo, Oswaldo Lamartine. Zila Mamede e Erasmo Xavier. O lançamento da caneca e da sacola será sábado, amanhã, das nove ao meio-dia.
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Notícia publicada originalmente por Tribuna do Norte
em nome do autor Redação Tribuna do Norte.
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