Estão abertas as inscrições para a primeira pós-graduação do Brasil em energia eólica offshore. O curso, uma especialização lato sensu com duração de 14 meses, é oferecido pela FAETI – a Faculdade de Energias Renováveis e Tecnologias Industriais do SENAI do Rio Grande do Norte.
A expectativa, segundo o diretor do SENAI-RN, do Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) e da FAETI, Rodrigo Mello, é atrair profissionais de diferentes áreas voltadas ao setor de energia.
“Especialmente os que buscam pioneirismo na nova fronteira, como os que lá atrás, há mais de 10 anos, participaram da primeira especialização que lançamos, com foco no onshore (na geração de energia eólica em terra)”, disse ele.
“Esses profissionais”, acrescentou o executivo, “tiveram muita relevância no desenvolvimento do setor no Brasil, atuando no desenvolvimento e na implantação dos projetos”. “Agora, esperamos que isso aconteça também para o ambiente offshore”.
Especialização
Com início previsto para 23 de janeiro de 2026, o curso de pós-graduação em energia eólica offshore será oferecido de forma presencial na sede da FAETI, em Natal ( Av. Capitão-Mor Gouveia, 2770 – Lagoa Nova, Natal – RN), com aulas quinzenais, às sextas, sábados e domingos.
O investimento na mensalidade será de R$ 1.030,00, em 14 parcelas. A política de descontos elaborada para o lançamento inclui 20% de abatimento no valor para trabalhadores da indústria, sindicatos vinculados ao Sistema Indústria, assim como para engenheiros e engenheiras registrados no CREA.
Estudantes concluintes do ensino superior de instituições públicas e o pagamento do valor total do curso, de uma vez, no cartão, terão redução de 10%. Pessoas com diploma de graduação em qualquer área de conhecimento podem participar.
De acordo com a gerente acadêmica da FAETI, Patrícia Mello, serão oferecidas 40 vagas. “O curso atenderá a um público diversificado, incluindo profissionais de empresas de energia, consultorias, órgãos governamentais, acadêmicos, pesquisadores, gestores de políticas públicas, dentre muitos outros perfis possíveis”, diz.
Além de fomentar o desenvolvimento regional e formar profissionais para esse setor emergente, o lançamento da especialização, segundo a gerente, “reflete de forma muito clara o alinhamento da FAETI com sua missão institucional e o compromisso da Faculdade e do SENAI em oferecer uma educação de excelência, integrando pesquisa, inovação e ensino para impulsionar a indústria de maneira sustentável”.
“Diferentemente do início das eólicas onshore, quando houve forte dependência de mão de obra estrangeira, nosso objetivo agora é formar profissionais altamente capacitados desde já, valorizando o talento nacional e evitando essa dependência. Cada profissional formado levará um conhecimento contextualizado, pronto para ser aplicado diretamente em sua região, contribuindo para o crescimento econômico e sustentável do país”, observou ela..
Programa
O programa da pós-graduação vai oferecer desde um panorama global da energia eólica offshore até conhecimentos que incluem, por exemplo, meteorologia energética, aspectos técnicos e econômicos da integração da rede, legislação, fundações offshore e projetos de componentes mecânicos e elétricos.
Construção e projetos de nacelle, rotor de aerogeradores, otimização de parques eólicos offshore, planejamento e construção de parques nessa nova fronteira, planejamento espacial marinho, política e regulação, processo de licenciamento ambiental, além de impactos ambientais e sociais se somam à lista contemplada.
O corpo docente composto por mestres, doutores e especialistas de organizações como GWEC (Conselho Global de Energia Eólica), ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias, Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis (ISI-ER) e órgãos reguladores, será, segundo o diretor do SENAI, também um diferencial da especialização.
A atuação da instituição com foco no setor – e o transbordamento de experiências que acumula para todas as suas frentes de operação, é outro ponto que destaca. “Nós, do SENAI, lideramos não só o primeiro projeto de energia eólica offshore do Brasil a receber licença prévia do Ibama e a oferta dessa especialização ao mercado, mas uma série de projetos que têm contribuído para fortalecer o nascimento dessa indústria no país, o que inclui estudos pioneiros iniciados há mais de 10 anos para medir o potencial de geração, o desenvolvimento do maior mapeamento do potencial eólico offshore, em curso na Margem Equatorial do país, e, com a Petrobras e o Instituto SENAI de Inovação em Sistemas Embarcados, a Boia Remota de Avaliação de Ventos Offshore (Bravo), uma tecnologia nacional inédita”, observa o diretor.
“Agora, nós queremos multiplicar, para mais profissionais, o conhecimento que temos embarcado sobre essa indústria. O que estamos buscando é trazer profissionais do mercado para esse ambiente de vanguarda em que estamos inseridos desde 2012, quando começamos a realizar estudos na área, seguidos de diversas iniciativas que trouxeram uma grande evolução no desenvolvimento de soluções tecnológicas de medição, de avaliação de áreas muito maiores, além de equipamentos de última geração para essa indústria”.
SAIBA MAIS
A energia eólica offshore é a “energia dos ventos” gerada com turbinas instaladas no mar ou em grandes mananciais de água. A atividade já existe na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos. No Brasil, os primeiros investimentos no setor foram sinalizados para as regiões Nordeste, Sul e Sudeste do país. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) mostram 104 projetos com processos de licenciamento abertos no órgão, para instalação de complexos eólicos offshore – ou seja, no mar, dos estados do Rio Grande do Sul, Ceará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Piauí, Espírito Santo, Maranhão e Santa Catarina. A potência somada nesses empreendimentos é de 247.354 Megawatts (MW), o que significa a necessidade de pelo menos milhares de trabalhadores disponíveis nos próximos anos para dar vazão à construção e operação das usinas, segundo estimativas da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias (ABEEólica).
A “planta-piloto” – ou Sítio de Testes – que o SENAI-RN projetou para o Rio Grande do Norte foi o primeiro dos complexos já cadastrados a receber licença prévia. O foco do projeto é a realização de estudos e o desenvolvimento de tecnologias que ajudem a subsidiar investimentos do setor no Brasil.
Sobre a FAETI
A FAETI é a primeira Faculdade do Brasil com foco em energias renováveis e marca a expansão das ações do SENAI-RN para o setor no país.
A instituição funciona em Natal, capital do Rio Grande do Norte, estado que lidera a geração brasileira de energia eólica e sedia os Centros de referência do SENAI para formação profissional, inovação e pesquisa aplicada voltadas à atividade (o Centro de Tecnologias do Gás e Energias Renováveis – CTGAS-ER – e o Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis – ISI-ER).
A portaria de credenciamento da Faculdade foi publicada pelo Ministério da Educação (MEC) em agosto de 2023. Antes, avaliação do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), vinculado ao Ministério, destacou “o planejamento do SENAI para trabalhar com responsabilidade social e seus temas, bem como para o desenvolvimento socioeconômico” e mencionou a Faculdade como “projeto organizado para melhorar as condições de vida da população”.
Conclusões sobre a infraestrutura em que está inserida também chamam a atenção para “inúmeros recursos tecnológicos inovadores”, em menção a laboratórios disponíveis e chamados de “altamente diferenciados para aulas práticas”. No corpo docente, mestres e doutores em diversas áreas estão em campo. O ingresso da primeira turma de Engenharia Mecânica ocorreu em março de 2024.
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