O apoio público e nos bastidores da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) ao nome da deputada federal Rosana Valle (PL) para a disputa pelo Senado em São Paulo intensificou, nos últimos dias, as tensões internas no Partido Liberal e expôs divergências entre Michelle e o ex deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), que atualmente permanece nos Estados Unidos.
A movimentação ocorre em um momento de reorganização do tabuleiro político da direita paulista. Eduardo Bolsonaro era apontado, até recentemente, como nome praticamente certo para concorrer ao Senado em 2026. No entanto, sua permanência no exterior e o fato de ter se tornado alvo de uma investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), por suspeita de obstrução de Justiça ao articular sanções do governo americano contra autoridades do Judiciário brasileiro, abriram espaço para disputas internas pela vaga.
Diante desse cenário, Eduardo passou a defender publicamente aliados próximos como alternativas para “substituí-lo” na corrida eleitoral. Entre os nomes citados estão o deputado estadual Gil Diniz (PL), considerado um dos seus mais fiéis aliados em São Paulo, além do deputado estadual Paulo Mansur (PL) e dos deputados federais Marco Feliciano (PL-SP) e Mário Frias (PL-SP), todos alinhados politicamente ao chamado núcleo ideológico bolsonarista.
Na direção oposta, Michelle Bolsonaro tem atuado para fortalecer a candidatura de Rosana Valle. A ex-primeira-dama e a deputada estreitaram laços ao longo do último ano por meio do PL Mulher, braço partidário voltado à participação feminina na política, do qual Michelle é presidente nacional e Rosana ocupa a presidência estadual em São Paulo. Aliados relatam que a parceria extrapolou o projeto partidário e passou a se consolidar como uma articulação política de médio prazo.
Segundo integrantes da cúpula do PL, foi a própria Michelle quem solicitou ao presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, que o nome de Rosana Valle passasse a ser incluído em levantamentos internos e pesquisas de intenção de voto para o Senado. A estratégia visava medir o potencial eleitoral da deputada fora da Baixada Santista, sua principal base política.
Os resultados surpreenderam. Em dezembro, uma pesquisa realizada pela Paraná Pesquisas, instituto que frequentemente presta serviços à legenda, apontou Rosana Valle com 8% das intenções de voto em um cenário para o Senado paulista. O desempenho foi considerado acima do esperado por lideranças do partido, que avaliavam que a parlamentar ainda teria baixa projeção estadual, já que sua atuação política é fortemente associada à região do litoral paulista. Em 2024, Rosana concorreu à Prefeitura de Santos, o que ampliou sua visibilidade regional, mas ainda era visto como um fator limitante para uma disputa majoritária de alcance estadual.
Por outro lado, aliados de Eduardo Bolsonaro questionam não apenas a viabilidade eleitoral, mas também o alinhamento político de Rosana Valle. Nos bastidores, o argumento recorrente é o de que a deputada não demonstraria fidelidade suficiente ao projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como principal herdeiro político do ex-presidente Jair Bolsonaro em uma eventual corrida ao Palácio do Planalto.
A divergência ganhou contornos públicos na semana passada, quando Eduardo Bolsonaro publicou um vídeo em seu canal no YouTube criticando a postura da deputada. Na gravação, ele chegou a acessar o perfil de Rosana Valle no Instagram para destacar a ausência de postagens de apoio explícito ao irmão, utilizando o gesto como exemplo do que considera falta de engajamento político.
Enquanto isso, interlocutores próximos a Michelle Bolsonaro minimizam a disputa e afirmam que a ex-primeira-dama tem defendido critérios como desempenho em pesquisas, capilaridade eleitoral e fortalecimento da presença feminina no Senado. Já aliados de Eduardo avaliam que o embate revela uma divisão mais profunda dentro do bolsonarismo paulista, entre o pragmatismo eleitoral e a fidelidade ideológica.
Com o calendário eleitoral ainda distante, o Partido Liberal deve seguir testando nomes e cenários. No entanto, a antecipação do debate e a exposição pública das divergências indicam que a definição da candidatura ao Senado em São Paulo promete ser uma das mais disputadas e politicamente sensíveis dentro da legenda.
Notícia publicada originalmente por Luciana
em nome do autor LUCIANA NOVAIS.
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