Por Hugo Bachega, correspondente do Oriente Médio em Jerusalém
A justificativa para o ataque dos EUA e de Israel ao Irã será tema de intenso debate nas próximas horas e dias.
Trump ameaçou bombardear o Irã pela primeira vez no mês passado, quando as forças de segurança reprimiram brutalmente protestos antigovernamentais, matando milhares de pessoas. Desde então, no entanto, seu foco tem sido principalmente o programa nuclear iraniano, embora ele não tenha explicado completamente por que a questão se tornou uma emergência que exige ação militar.
Por décadas, os EUA e Israel acusam o Irã de tentar secretamente desenvolver uma arma nuclear. O Irã nega repetidamente buscar uma bomba e afirma que seu programa tem fins exclusivamente pacíficos, embora seja o único Estado não detentor de armas nucleares a ter enriquecido urânio a níveis próximos aos de armas nucleares.
Crédito, Getty Images
Três rodadas de negociações entre os Estados Unidos e o Irã foram realizadas neste mês para chegar a um acordo, com novas conversas previstas para a próxima semana. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, que estava mediando as negociações, se reuniu com autoridades americanas em Washington nesta sexta-feira (27/2), um dia após as conversas em Genebra, no que pode ter sido uma última tentativa de evitar um ataque.
Em entrevista à CBS News, Albusaidi disse que um acordo estava “ao nosso alcance” e que “progressos substanciais” haviam sido feitos nas negociações, solicitando mais tempo para as conversas. Discutindo publicamente os detalhes da proposta iraniana pela primeira vez, ele mencionou a oferta do Irã de nunca mais estocar urânio enriquecido, seu compromisso de reduzir irreversivelmente os estoques existentes e a verificação pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica).
Albusaidi descreveu as propostas como melhores do que o acordo nuclear assinado com o Irã durante o governo Obama em 2015, o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA). Trump deixou o acordo durante seu primeiro mandato na Casa Branca, em 2018.
Antes das negociações, o Irã já havia rejeitado as exigências dos EUA para discutir limites ao seu programa de mísseis balísticos, bem como o fim do apoio a aliados na região, argumentando que tais exigências constituíam uma violação de sua soberania. Albusaidi afirmou que o Irã estava “aberto a discutir qualquer assunto” e que questões não nucleares poderiam ser tratadas separadamente com seus vizinhos.
Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
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