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    Início » Onda de calor: por que 8 Estados do Brasil enfrentam ‘alerta laranja’ por temperaturas extremas?
    Brasil

    Onda de calor: por que 8 Estados do Brasil enfrentam ‘alerta laranja’ por temperaturas extremas?

    27 de dezembro de 2025
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    Crianças se refrescam na água para aliviar o calor intenso durante uma onda de calor registrada no Rio de Janeiro, em 2023

    Crédito, Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Legenda da foto, Crianças se refrescam na água para aliviar o calor intenso durante uma onda de calor registrada no Rio de Janeiro, em 2023

    26 dezembro 2025

    Tempo de leitura: 5 min

    Uma combinação de fatores atmosféricos típicos do verão, mas intensificada neste fim de dezembro, explica por que uma ampla faixa do Centro-Sul do Brasil entrou em um período prolongado de calor extremo.

    Desde o início da semana, grandes áreas do Sudeste, parte do Sul e do Centro-Oeste vêm registrando temperaturas muito acima do padrão esperado para esta época do ano, em um cenário que reúne persistência, recordes e riscos à saúde.

    O fenômeno é classificado pelos meteorologistas como onda de calor — quando as temperaturas ficam significativamente acima da média por vários dias consecutivos.

    No caso atual, o episódio começou a se configurar na segunda-feira (22/12) e ganhou força ao longo da semana, levando o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) a emitir um “alerta vermelho”, que representa “grande perigo”. O aviso é válido até às 18h de segunda (30/12).

    O alerta abrange oito Estados e indica que os termômetros devem permanecer cerca de 5 °C acima da média climatológica, com potencial impacto direto sobre a saúde da população.

    O que chama atenção neste episódio não é apenas o calor pontual de uma tarde específica, mas a sua continuidade.

    Diferentemente de picos isolados, comuns no verão, a atual configuração atmosférica favorece dias sucessivos de temperaturas altas, inclusive durante a noite e a madrugada, o que dificulta a recuperação do corpo humano e aumenta o desconforto térmico.

    Em São Paulo, a capital registrou 36,2 °C no dia 26 de dezembro — a maior temperatura já observada para o mês desde o início das medições oficiais, em 1961. O recorde anterior, de 35,6 °C, havia sido registrado em dezembro de 1998.

    No Rio de Janeiro, os termômetros chegaram a 41 °C, levando a prefeitura a acionar o nível 3 de calor em uma escala que vai até 5, usada para indicar a gravidade e a persistência das altas temperaturas.

    Mas o fenômeno não se limita às capitais nem a áreas urbanas específicas. O calor intenso se espalha por extensas regiões do interior do Sudeste, do Sul e do Centro-Oeste, afetando áreas agrícolas, zonas metropolitanas e cidades de médio porte.

    Em muitas delas, o calor é classificado como severo ou extremo, segundo autoridades de saúde, sobretudo quando combinado com baixa umidade do ar.

    Por que essa onda de calor está acontecendo agora

    De forma geral, meteorologistas consideram que uma onda de calor ocorre quando as temperaturas ficam pelo menos 5 °C acima da média por um período mínimo de cinco dias consecutivos.

    O Inmet adota um critério semelhante, mas considera a elevação em relação à média mensal, independentemente do número exato de dias, desde que o desvio seja significativo.

    No episódio atual, os dois critérios são atendidos em várias regiões: as temperaturas estão persistentemente elevadas e se mantêm bem acima do padrão climatológico de dezembro. Esse caráter prolongado é o principal fator de preocupação para autoridades de saúde e defesa civil.

    A explicação central da onda de calor atual está na atuação de uma massa de ar quente e seco que se estabeleceu sobre o Centro-Sul do país. Esse sistema é reforçado pela Alta Subtropical do Atlântico Sul, um grande sistema de alta pressão que, neste momento, funciona como um bloqueio atmosférico.

    Na prática, ele impede o avanço de frentes frias e de áreas de chuva mais organizadas, mantendo o ar quente “preso” sobre a região por vários dias.

    Com menos nuvens e pouca circulação de sistemas de instabilidade, o solo recebe mais radiação solar durante o dia e perde menos calor à noite. O resultado são tardes muito quentes e madrugadas igualmente abafadas, um padrão clássico de onda de calor.

    Esse tipo de bloqueio também ajuda a explicar por que as chuvas, quando ocorrem, são isoladas e de curta duração, insuficientes para aliviar o calor de forma mais ampla.

    Outro ponto importante é o contexto do início do verão. Dezembro já é, historicamente, um mês quente em grande parte do Brasil. Quando um bloqueio atmosférico se instala nesse período, ele tende a potencializar condições que já seriam naturalmente favoráveis ao calor, elevando ainda mais as temperaturas e aumentando a chance de recordes.

    Quais regiões são mais afetadas

    O calor mais intenso se concentra em grande parte do Sudeste, mas também avança sobre áreas do Sul e do Centro-Oeste.

    São Paulo e Rio de Janeiro principalmente, mas Minas Gerais e Espírito Santo estão entre os estados mais afetados, com temperaturas muito acima da média de dezembro.

    O fenômeno também alcança Santa Catarina e Paraná, no Sul, além de Mato Grosso do Sul e áreas do interior de Goiás, ampliando a faixa do Centro-Sul sob influência da onda de calor.

    No Sudeste, o aquecimento é mais forte em regiões afastadas do litoral, onde a influência da brisa marítima é menor.

    No Centro-Oeste, o padrão é de calor persistente com pancadas isoladas de chuva, típicas de dias muito quentes e abafados.

    Já no Sul, especialmente entre Paraná e Santa Catarina, o período mais crítico era o o Natal, com expectativa de alívio gradual após a retomada das chuvas.

    No Norte e no Nordeste, que não estão sob influência direta dessa onda de calor, o calor mais intenso se concentra no interior, enquanto áreas litorâneas seguem relativamente mais amenas graças à ventilação oceânica. Ainda assim, há risco de temporais, principalmente na região Norte.

    Sol em paisagem do Rio de Janeiro

    Crédito, Getty Images

    Riscos à saúde e o que esperar nos próximos dias

    O Inmet alerta que ondas de calor aumentam o risco de desidratação, exaustão térmica e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Sensações de cansaço, lentidão, tontura e mal-estar podem ser sinais de que o corpo está tendo dificuldade para lidar com o excesso de calor, especialmente entre idosos, crianças e pessoas com doenças crônicas.

    A recomendação das autoridades é reforçar a hidratação, evitar exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes do dia e buscar ambientes ventilados sempre que possível. Em caso de sintomas mais intensos, a orientação é procurar atendimento médico ou acionar a Defesa Civil.

    A tendência, segundo as previsões, é que o calor persista ao menos até o fim da semana, com possibilidade de manutenção das temperaturas elevadas até o domingo (28).

    A partir daí, mudanças graduais no padrão atmosférico podem permitir o avanço de sistemas de chuva mais organizados, ajudando a reduzir o calor em parte do Centro-Sul. Até lá, o país segue sob um cenário típico de verão extremo, cada vez mais frequente em um clima que vem se tornando mais quente e mais propenso a eventos intensos.



    Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
    em nome do autor .

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