Informações do JC

Um documento com anotações manuscritas pelo senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vazado durante uma reunião da cúpula do Partido Liberal (PL) nesta terça-feira (24), expôs os planos de bastidores da legenda para as eleições estaduais de 2026.
Em Pernambuco, o rascunho revela uma articulação surpreendente: o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro planeja apoiar a reeleição da governadora Raquel Lyra (PSD), contrariando o discurso de oposição de alas mais radicais da sigla no Estado.
As informações foram reveladas com exclusividade pelo jornal Folha de S.Paulo, que teve acesso ao papel intitulado “situação nos estados”. Nesta quarta-feira (25), Flávio Bolsonaro admitiu ser o autor das anotações, mas tentou minimizar o peso do documento, alegando que os escritos refletiam “impressões de outras pessoas” presentes no encontro — que contou com a presença do presidente do partido, Valdemar Costa Neto.
O Xadrez em Pernambuco
As anotações detalham um arranjo complexo para a chapa majoritária pernambucana. Apesar da proximidade de Raquel Lyra com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o documento aponta que a governadora, agora no PSD, é a escolha estratégica do PL para 2026.
Para o Senado, o rascunho indica que Raquel apoia o nome do deputado federal Mendonça Filho, que hoje está no União Brasil, mas poderia migrar para o PL para consolidar a aliança. A segunda vaga ao Senado na chapa seria destinada ao ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho (União Brasil).
O manuscrito também expõe as fissuras internas que essa aliança com o Palácio do Campo das Princesas causaria no PL local. Há uma observação de que o deputado federal Coronel Meira (PL-PE) aprova o arranjo em torno de Mendonça Filho, mas que “só Gilson não gosta”, em referência direta ao ex-ministro do Turismo, Gilson Machado, figura carimbada do bolsonarismo raiz e adversário político de Raquel Lyra.
Anderson Ferreira Escanteado
Outro ponto que chama a atenção nas anotações sobre Pernambuco é o destino do ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes e ex-candidato ao governo, Anderson Ferreira (PL).
O nome dele aparece riscado na disputa ao Senado, com a indicação de que o espaço seria de Mendonça Filho e que Anderson deveria concorrer, na verdade, a um mandato de deputado federal.
Cenário Nacional
Além de Pernambuco, o documento revela articulações em outros estados-chave:
São Paulo e a disputa pela vice: O PL avalia pressionar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) a rifar seu atual vice, Felício Ramuth (PSD), alvo de investigações (o nome aparece marcado com um símbolo de “$”). O deputado André do Prado (PL) é citado como alternativa.
Para a segunda vaga ao Senado, há uma disputa familiar: Renato Bolsonaro (irmão de Jair) e Eduardo Bolsonaro (PL-SP) figuram na lista de cotados ao lado de nomes como Mario Frias e Marco Feliciano.
Minas Gerais sem candidato natural: Há forte descrença da cúpula quanto a apoiar o atual vice-governador Mateus Simões (PSD), que recebe a dura anotação “me puxa para baixo”. Como o deputado Nikolas Ferreira (PL) não quer concorrer ao Executivo, o partido estuda lançar Flávio Roscoe, presidente da Fiemg.
A vez de Carlos e Michelle Bolsonaro: Em Santa Catarina, o atual senador Esperidião Amin (PP) aparece riscado, perdendo o apoio à reeleição para Carlos Bolsonaro (PL), que concorreria ao lado da deputada Caroline de Toni.
No Distrito Federal, Michelle Bolsonaro (PL) é cotada ao Senado junto com Bia Kicis, mas o texto alerta para um impasse caso o atual governador Ibaneis Rocha (MDB) também queira a vaga.
Nordeste Pragmático: Assim como em Pernambuco, a legenda adota tom pragmático em outros estados da região. Na Bahia, a prioridade é selar o palanque com ACM Neto (União Brasil). No Ceará, a anotação surpreende ao cogitar apoio ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), com o PL indicando nomes na chapa do histórico adversário.
Já em Alagoas, o documento sugere que Jair Bolsonaro pode apoiar o deputado Arthur Lira (PP-AL) para o Senado.
A reunião que gerou o documento foi descrita por interlocutores como um “brainstorm” (tempestade de ideias) para mapear o cenário antes do período de convenções. No entanto, o vazamento das anotações promete antecipar a fervura do caldeirão político, especialmente em Pernambuco, onde o PL precisará explicar à sua base mais ideológica o pragmatismo de uma eventual aliança com a governadora do PSD.
Notícia publicada originalmente por PE News
em nome do autor Céu Albuquerque.
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