A oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende iniciar os trabalhos do Congresso Nacional, em 2 de fevereiro, com uma ofensiva política que pode gerar forte desgaste ao Centrão, principal bloco de sustentação do governo no Parlamento. A estratégia passa pela instalação de Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs), que, em um ano marcado por eleições municipais, tendem a elevar a tensão política e expor alianças consideradas sensíveis.
Entre as principais pautas defendidas pela oposição está a criação de uma comissão para investigar supostas irregularidades envolvendo o Banco Master. O tema tem sido tratado como prioritário por parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que enxergam na apuração um instrumento de pressão política e de desgaste institucional para aliados do governo federal.
Durante um jantar com jornalistas realizado na quarta-feira (21/1), a deputada federal Bia Kicis (PL-DF) afirmou que a instalação da CPI do Banco Master será uma das primeiras iniciativas da oposição na retomada dos trabalhos legislativos. Segundo a parlamentar, o objetivo é esclarecer denúncias que apontam para possíveis fraudes e uso indevido de recursos públicos.
“As investigações precisam avançar. Há indícios graves que envolvem recursos que deveriam estar protegidos, especialmente quando se fala em fundos previdenciários”, declarou a deputada, ao reforçar o discurso de fiscalização adotado pelo grupo oposicionista.
As articulações ocorrem simultaneamente na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. No início da semana passada, o senador Eduardo Girão (Novo-CE) anunciou ter conseguido o apoio de mais da metade dos senadores para a criação da comissão na Casa Alta, o que reforça o avanço da mobilização política em torno do tema.
Na Câmara, o principal requerimento é de autoria do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ). De acordo com o parlamentar, o pedido de criação da comissão, protocolado em 23 de dezembro, já conta com 257 assinaturas de deputados e senadores. A lista de apoiadores é ampla e inclui nomes de diferentes espectros ideológicos, como o senador Fabiano Contarato (PT-ES) e o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).
“No requerimento, as investigações indicam que os fundos supostamente fraudulentos do Banco Master não se restringiram a operações privadas. Há indícios de aquisição desses ativos por fundos previdenciários estaduais e municipais, incluindo regimes próprios de previdência de servidores públicos”, afirmou Jordy.
Diante da abrangência das denúncias, o deputado defende a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), composta por deputados e senadores. A instalação do colegiado, no entanto, depende do aval do presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que terá papel decisivo na definição do ritmo político do início do ano legislativo.
Nos bastidores, parlamentares do Centrão avaliam que a abertura de CPIs em um ano eleitoral pode gerar instabilidade e afetar acordos políticos, além de ampliar a exposição de aliados do governo. Já a oposição aposta no discurso de transparência e fiscalização como forma de mobilizar sua base e manter protagonismo no debate público.
Com o retorno oficial das atividades do Congresso, a disputa em torno das CPIs promete marcar o início de 2026 no Parlamento, sinalizando um cenário de embates intensos entre governo e oposição.
Notícia publicada originalmente por Luciana
em nome do autor LUCIANA NOVAIS.
Acesse a matéria completa


