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    Paraíba

    Gilberto Gil, meu amigo, meu herói

    24 de novembro de 2025
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					Gilberto Gil, meu amigo, meu herói
    Foto/Divulgação.

    Para começar, peço licença a leitoras e leitores para ser ainda mais pessoal nesse post. Não vejo problema, espero que não vejam, porque, afinal, o que faço há nove anos nessa coluna diária aqui no Jornal da Paraíba online é jornalismo de opinião.

    Chegando à sua reta final, Tempo Rei, a turnê de despedida de Gilberto Gil, está de passagem pelo Recife. Vi o show do sábado, 22 de novembro de 2025.

    Fui, vi e voltei sem tirar uma coisa da cabeça. É sempre muito importante ver Gilberto Gil no Recife por causa de uma história que aconteceu no remoto ano de 1967.

    Gil lançara Louvação, seu primeiro álbum, e ainda não era um nome de dimensão nacional. Foi para o Recife para uma longa temporada no Teatro Popular do Nordeste.

    Nessa passagem pelo Recife, Gil conheceu Hermilo Borba Filho, que estava à frente do TPN, Jomard Muniz de Britto, Celso Marconi, Carlos Fernando e Geraldo Azevedo. Em Caruaru, viu ao vivo e ficou muito impressionado com a Banda de Pífanos.

    Em Pernambuco, Gil viu de perto a violência da ditadura militar e a fome no Nordeste. E voltou para São Paulo cheio de ideias na cabeça, esboçando o tropicalismo.

    No embrião do tropicalismo, está uma fusão improvável: de uma sonoridade que Gil identificou tanto na Banda de Pífanos dos irmãos Biano quanto na Strawberry Fields Forever, dos Beatles, obra-prima do rock psicodélico lançada naquele ano de 1967.

    Na verdade, Pernambuco já entrara na vida de Gilberto Gil muito antes, quando ele, criança, na pequena cidade de Ituaçu, ouviu os baiões fundadores de Luiz Gonzaga.

    Essas lembranças sempre me ocorreram todas as vezes em que vi Gilberto Gil ao vivo no Recife. Mais ainda agora, num show com os significados que há em Tempo Rei.

    Na primeira vez em que assisti a um show de Gil, em abril de 1975, ele costumava tocar por três horas. Foi assim também em 1976 (Refazenda) e em 1977 (Refavela), mas, depois, os shows foram se adequando a um padrão vigente e ficaram mais curtos.

    Em Tempo Rei, chegamos perto daquelas três horas da década de 1970. Tempo Rei, por ser uma despedida e pelo caráter retrospectivo, se estende por 2 horas e 40 minutos.

    Cinema transcendental. Eu poderia usar o título da canção de Caetano Veloso para resumir o que é ver Tempo Rei. Mas vou resistir ao risco de cair num clichê.

    Tempo Rei é uma espécie de álbum de recortes. Os recortes vão se juntando e formam esse álbum. Ou, talvez, possamos dizer que formam, pelo menos, três álbuns.

    O primeiro álbum dá conta dos caminhos que Gilberto Gil percorre há pelo menos 60 anos. O segundo álbum de recortes é sobre o Brasil desse tempo, o tempo de Gil.

    E o terceiro álbum é sobre nossas vidas. Nossas vidas, e como elas estão conectadas ao Brasil do nosso tempo e ao vastíssimo e riquíssimo cancioneiro autoral de Gil.

    Eu tinha oito anos, em 1967, quando ele se projetou nacionalmente num festival de MPB, cantando Domingo no Parque. Eu ia fazer 16, e já começava a atuar na imprensa, em 1975, quando vi seu show por duas noites no nosso Teatro Santa Roza.

    Com Gil, foi amor à primeira vista, desde o festival de Domingo no Parque. O mesmo de Alegria, Alegria. Ele e Caetano anunciando a chegada do movimento tropicalista.

    Cresci ouvindo Gil. Todos os álbuns, dezenas de shows com várias formações, e chego agora a Tempo Rei. Estou com 66 anos. Gil tem 83. Os dois, cancerianos de 26 de junho.

    Nada é casual no repertório desse show. Após os três números de abertura (Palco, Banda Um e Tempo Rei), tem um bloco que nos remete ao começo de tudo, ao tropicalismo, ao exílio em Londres, à volta do exílio e à censura imposta pela ditadura militar.

    Eu Vim da Bahia, Procissão, Domingo no Parque, Back in Bahia, Cálice. Essas músicas resumem a segunda metade dos anos 1960 e a primeira metade da década de 1970.

    Aí vem a trilogia RE. Refazenda conduz a Refazenda. Refavela evoca Refavela. E No Woman, No Cry traz a lembrança de Realce. Findam-se os anos 1970, mas, daquela década, ainda há Só Quero um Xodó (Dominguinhos, 1973), Esotérico (dos Doces Bárbaros, 1976), Realce e, já no desfecho do show, a irresistível Toda Menina Baiana.

    A Gente Precisa Ver o Luar, Andar com Fé, Punk da Periferia, O Rock do Segurança, Vamos Fugir, Barracos – essas nos reencontram com o Gil pop dos anos 1980. Também o Gil que flerta com o rock e faz grande difusão do reggae jamaicano no Brasil.

    Pouca gente sabe, mas, no dia nove de dezembro de 1980, Gil estava indo para o estúdio gravar A Gente Precisa Ver o Luar. John Lennon fora assassinado horas antes.

    Pouca gente sabe que o beatle George Harrison adorou A Gente Precisa Ver o Luar. Claro. A música é totalmente Beatles. Tem até o “yeah-yeah-yeah” deles.

    O momento intimista, meio no clima “voz e violão”, tem A Paz, de Donato, Se Eu Quiser Falar Com Deus, do Gil com suas reflexões religiosas, Drão e Estrela. A Drão, o tempo rei acrescenta novos significados, e a canção fica cada vez mais bela e comovente.

    Na reta final, ainda tem uma volta aos anos 1960, com o samba Aquele Abraço, e um salto para os anos 2000, com o xote Esperando na Janela, grande sucesso popular.

    O final, com Gil saindo para o backstage e deixando a banda de 16 integrantes ainda no palco, foi um emocionado tributo a Pernambuco, com o resgate da introdução de Frevo Rasgado, que Gil gravou no seu álbum tropicalista de 1968.

    Frevo Rasgado conduziu a Atrás do Trio Elétrico e, juntas, as duas músicas trouxeram a lembrança de que, um dia, o frevo pernambucano deu origem ao frevo baiano.

    A inserção de Frevo Rasgado remete à passagem de Gil pelo Recife de 1967. Foi deslumbrante como coda do show. O tempo rei que guia e ilumina Gil permite que ele nos oferte uma celebração de música e alegria como essa que acabamos de ver.

    Meu amigo, meu herói. Foi como ele chamou a canção composta para Zizi Possi. Meu amigo, meu herói. É assim que ele está guardado entre os meus maiores afetos.



    Notícia publicada originalmente por Jornal da Paraíba
    em nome do autor .

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