Vicente Serejo
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Anda frequente, na boca de muitos, como se fosse um forte senso comum, que este é um país sem líderes, se exigir estadista é exagero. Talvez até por imposição biológica, talvez não, mas é bom não perder de vista a constatação de Winston Churchill de que há uma diferença entre os humanos e os animais. Os bichos nunca permitem que um deles, levado pela estupidez, lidere um rebanho. Mas, entre os humanos, a massa é carente e se deixa fascinar pela força do instinto ao aceitar acasalar-se.

Antes, quando a vida não estava sob o crivo de um tipo de feminismo intolerante que em nada acrescentava à verdadeira luta das mulheres, diria que a massa tem a alma feminina, daí a necessidade de alguém que exerça o papel masculino independente do sexo. A condução da massa não é possível no jogo das atrações massificadas dos admiradores de quem os lidera. Ou, na deformação absurda, por quem tenha a desfaçatez de exibir uma falsa coragem vestida de um patriotismo falso e bufão.

Aliás, não custa lembrar: foi o escritor Samuel Johnson que ainda no século XVIII popularizou a frase – “O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. Não o fez para denegrir o patriotismo, como pode parecer a alguns, mas para separar, na consciência e no gesto patrióticos, o verdadeiro do falso. O Brasil vive um falso patriotismo, por coincidência filho bastardo daquele outro, disseminado com o Golpe de 64, quando chegamos ao cúmulo da vociferação fascistóide: “Brasil, ame-o ou deixe-o”.

Os espetáculos protagonizados todos os dias pela Câmara e o Senado demonstram, por si só, que este não é só um país sem líderes. Sua miséria política vai muito além e com uma pobreza mais grave ainda: sem estadistas. E quando um país não tem uma grande classe política, mesmo que tenha suas exceções, como é da natureza de toda regra, é uma sociedade sem o destino de ser uma Nação, mesmo tendo uma identidade cultural, uma mesma língua e os mesmos territórios físico e humano.

Nada foi mais deplorável do que invocar a “Deus, Pátria e Família” e depois defender punições e ameaças contra o mesmo povo e o mesmo país, como um fugitivo a quem só resta o desespero de aliar-se ao mais forte. Nem notou que maior do que sua estatura política liliputiana, acanhada e servil, era a grandeza econômica de uma Nação que compra aos Estados Unidos muito mais do que vende e que o mercado norte-americano, mesmo poderoso, já não é o único império econômico do planeta.

O quadro tem levado este país ao agravamento de um tal ritmo de empobrecimento da classe política que tudo pode acontecer, inclusive nada, como na canção popular. É nesse húmus pobre dos bons nutrientes que fazem a plenitude de uma nação que avança o processo de deterioração política. Como se uma sociedade pudesse abrir mão da política, o campo de exercício da democracia com a força garantidora de todas as liberdades, inclusive de ter na educação a grande prática de libertação.

PALCO

SURPRESA – Verdade: José Agripino, dirigente do União Brasil, não gostou da mudança de partido da vereadora Nina Souza para o PL. Ele que foi decisivo no apoio de Álvaro Dias a Paulinho Freire.

OXENTE! – Não pensem que o Principado de Pirangi por acaso teme o sucesso internacional do ‘Let’s Pipa’. Vem vindo aí no rastro de fogo o ‘Summer Hype’. Com Eric Land, um cearense aloprado.

BAILE – A Av. Xavier da Silveira ouviu de longe os sons do ‘Baile do Solstício de Verão’ na Nova Acrópole. Platão deve ter constatado que o gingado sensual das filósofas não é tão platônico assim.

UFA! – Foi finalmente liberada a emenda do deputado José Dias para a restauração da Pç. Padre João Maria. Espera-se uma praça para o Santo da cidade que reflita, nas formas, a sua grandeza humana.

ABUSO -José Ronaldo, prefeito de Feira de Santana, Bahia, negou-se a aceitar o aumento do cachê do cantor Bell de R$ 750 mil para R$ 1,2 milhão. Resta saber se o cofre de Natal vai pagar esse abuso.

FORÇA -A François Silvestre: fiquei comovido pela força diante da nobreza de quem escreveu ‘A Pátria não é Ninguém’. O cronista cumpre o pobre ofício de escrever todo dia sobre a vida dos outros.

POESIA – Do poeta português Armando Carvalho, no poema ‘Loja de Antiguidade’: “Existe em ti e em mim / essa nostalgia que nos faz andar / perdidos na poeira ambígua dos recados do tempo”.

POMOS -De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama seguindo com olhos lascivos a moça que mostrava a exuberância da sua bela carne: “São túmidos. Como aqueles dos sonetos parnasianos”.

CAMARIM

RETRATO – O consenso admite: o governo será disputado por Alysson Bezerra e Rogério Marinho e que o senador Styvenson Valentim tem tudo para ser reeleito. Já a segunda vaga de senador aponta uma especulação: a senadora Zenaide Maia pode conquistar o segundo voto do eleitor e ser a eleita.

MAIS – Para os analistas mais racionais, o segundo voto não tem, tendencialmente, seu caminho na direção da hoje governadora Fátima Bezerra pelos desgastes que o governo enfrenta e o descolamento dos votos petistas. Lula é claramente melhor votado do que Fátima não só em Natal, como no interior.

IMD – O professor Ivonildo Rêgo, diretor do Instituto Metrópole Digital (IMD), da UFRN, busca parceiros para ampliar o parque tecnológico. Com modelo consolidado, o IMD é um exemplo de formação de geração de mão de obra especializada, uma ação voltada para a sociedade que a mantém.

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Notícia publicada originalmente por Tribuna do Norte
em nome do autor Redação Tribuna do Norte.

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