O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) reagiu neste domingo (22/2) às declarações do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, sobre o processo de escolha e indicação de candidatos da legenda para as eleições de outubro. A manifestação pública escancarou divergências internas e reacendeu o debate sobre o papel do ex-presidente Jair Bolsonaro nas articulações políticas do partido.
A controvérsia teve início após Valdemar afirmar que todos os integrantes do PL possuem o direito de indicar ou sugerir nomes para disputar cargos eletivos, incluindo o Senado e os governos estaduais. Segundo o dirigente, não há qualquer exclusividade nesse processo. “Todos no partido têm o direito de sugerir, indicar nomes para qualquer posição”, afirmou, ressaltando que esse entendimento teria sido alinhado previamente com Jair Bolsonaro.
No entanto, a declaração contrastou com a fala do chamado filho “02” do ex-presidente, que, no sábado (21/2), afirmou que o pai estaria organizando uma lista própria de pré-candidatos que receberiam apoio oficial do PL nas eleições de outubro. A sinalização foi interpretada nos bastidores como uma tentativa de centralizar as decisões políticas em torno do ex-chefe do Executivo.
Em resposta, Carlos Bolsonaro utilizou as redes sociais para rebater as interpretações e defender a posição do pai. “A fala não foi minha, foi do (ex-) presidente Jair Bolsonaro. Ninguém disse que não conversamos com ninguém ou que ninguém poderia indicar governadores. O que me foi orientado é que ele faria uma lista de candidatos que ele apoiaria”, escreveu. O ex-vereador ainda ponderou que o PL poderia atuar de forma mais ampla, “inclusive em outras situações”, sinalizando abertura para negociações.
Apesar do tom conciliador em alguns trechos, Carlos Bolsonaro insinua que o partido estaria deixando o ex-presidente cada vez mais isolado politicamente. Para ele, o cenário interno da sigla se tornou “cada dia mais estranho”, numa crítica velada à condução das articulações eleitorais pela cúpula partidária.
Atualmente, Jair Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses no Complexo Penitenciário da Papuda, o que, segundo aliados, dificulta sua atuação direta, mas não elimina sua influência sobre a base bolsonarista e sobre parte significativa do PL.
Nos bastidores, dirigentes avaliam que o episódio evidencia um momento de ajuste de forças dentro do partido, que busca equilibrar a liderança histórica de Bolsonaro com a necessidade de ampliar alianças e descentralizar decisões para fortalecer o desempenho eleitoral em outubro. A disputa de narrativas, porém, indica que o consenso ainda está distante e que novas tensões podem surgir nos próximos meses.
Notícia publicada originalmente por Luciana
em nome do autor LUCIANA NOVAIS.
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