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    Piauí

    Honestino Guimarães queria mudar o mundo

    22 de outubro de 2025
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    Desta vez, quando Walter Lima Jr. me enviou por WhatsApp o cartaz de Honestino, eu já tinha assistido ao filme de Aurélio Michiles, ao contrário do que havia acontecido recentemente, quando ele me escreveu sobre Uma batalha após a outra. Na legenda, Walter incluiu só uma palavra, mas em letras maiúsculas – “FILMAÇO” –, com a qual concordei.

    Quem assistiu ao magnífico Os segredos do Putumayo (2020), filme anterior de Michiles, comentado aqui em 2020 e outra vez em 2022, poderá constatar, vendo Honestino, que o diretor acertou a mão outra vez. Manteve-se fiel à linguagem híbrida de documentário e ficção que, desde O cineasta da selva (1997), ele vem demonstrando dominar como poucos, recorrendo a imagens de arquivo e encenações, fotografias e filmagens, em preto e branco e coloridas.

    Para tanto, contou de novo com algumas das colaborações decisivas que teve em Os segredos do Putumayo, entre elas a de seu filho André Lorenz Michiles, diretor de fotografia e câmera, e a de André Finotti, corroteirista e montador que recentemente foi premiado com o Troféu Redentor de Melhor Montagem no 27º Festival do Rio, do qual Honestino participou na mostra Première Brasil.

    Além da diretora de arte Kita Flórido, outra contribuição a destacar é a de Bruno Gagliasso no papel de Honestino Guimarães, estudante de geologia na Universidade de Brasília (UnB), sequestrado em 10 de outubro de 1973, aos 26 anos, e vítima fatal da repressão durante o governo do general Emílio Garrastazu Médici (1969-74). A atuação inspirada de Gagliasso recria, no tom apropriado, a personalidade cativante do líder estudantil e militante da Ação Popular (AP), da qual dão notícia entrevistas, entre outras, de sua mãe, seu irmão, suas duas mulheres, companheiras e companheiros de militância. Era um jovem alegre que gostava da vida, da praia de Ipanema e era leitor de Ivan Turguêniev, Carlos Drummond de Andrade e dos contos de Ernest Hemingway.

    Evitando com cuidado uma visão idealizada do protagonista, Honestino inclui relatos das atitudes temerárias que ele tomou, mesmo sabendo que corria risco de vida. Na sua primeira intervenção no filme, ele diz no prólogo em voz off: “Por diversas vezes eu fui ameaçado de morte pelos chamados serviços de segurança militares. Desde, pelo menos, 1971. Através de diversas fontes de vários estados chegou a mim essa ameaça para quando eu fosse apanhado.” Trata-se de um trecho do Mandado de Segurança Popular que ele escreveu antes de sua última prisão, por ter “consciência do risco aumentando”, conforme diz sua segunda mulher, Shoshana Rapoport Furtado, aos cerca de 64 minutos do filme, antes de Honestino repetir o mesmo texto do prólogo.

    Apesar de ameaçado de morte, Honestino continuou vivendo clandestino no Brasil e foi até visto por Isaura Botelho, sua primeira mulher, jogando futebol no Aterro do Flamengo, em frente ao Hotel Novo Mundo. Ela tinha, conforme declara, “fascínio por pessoas que queriam mudar o mundo. Então minha admiração por ele era enorme”.

    Na abertura do prólogo, o início dos créditos principais é superposto a uma sequência de imagens abstratas, em preto e branco, seguida do que parece, à primeira vista, uma passagem subterrânea pela qual alguém caminha. Após as imagens passarem a ser coloridas, Honestino entra em cena e segue andando de costas para a câmera pela construção curva, com fileiras de lâmpadas frias no teto, aberturas na lateral para entrada de luz diurna, piso coberto por uma camada fina de água e, nas paredes laterais, cartazes e pichações. Honestino olha para trás, como se temesse estar sendo seguido nesse espaço recorrente em que é visto outras vezes durante o filme, uma delas correndo como se estivesse em fuga, outra na sua cena final. O local é identificado por uma voz em off anônima como sendo onde “os estudantes que insistiam em manter o movimento estudantil se reuniam, no subsolo do ‘Minhocão’ que estava em obra ainda”. O chamado ‘Minhocão’ é o prédio do Instituto Central de Artes da Universidade de Brasília (UnB). Para Michiles, o subterrâneo serve como “metáfora da vida clandestina da militância de todos os movimentos políticos em que os jovens daquela geração se encontravam”, conforme ele me escreveu.


    Cena de Honestino (Crédito: Divulgação)

    Além da apresentação do protagonista, o prólogo trata da perda de memória a seu respeito, um dos temas centrais de Honestino. Sua filha, Juliana Guimarães, tem “uma única lembrança” do pai – “a imagem que eu tenho é uma tarde de sol ali no parquinho, na Praia de Botafogo […] eu sei exatamente o balanço em que eu estava, que era o da pontinha aqui, perto do suporte, o primeiro. E eles [Honestino e Agostinho Guerreiro, também militante da AP e pai adotivo de Juliana], conversando ali, e eles se alternavam em me empurrar […] Eu me vejo vendo a cena, de verdade […] Eu tenho essa imagem mesmo, mas não sei se eu a inventei… Eu cresci impregnada dessa ausência mesmo, sempre com a cara séria. Eu estou sempre com essa sensação de sobressalto, eu acho que tem alguma coisa que vai acontecer de ruim, a qualquer momento.”

    Em declaração divulgada no release de Honestino, Michiles afirma que se trata de uma história que “não está encerrada” e que o propósito do filme “é não deixar o personagem congelado numa fotografia antiga, mas torná-lo tangível, vivo. O ontem é hoje e o hoje pode ser o futuro.” “Tomara que a história do Honestino possa injetar novamente autoestima, um novo acreditar, a esperança de que existe ainda um Brasil possível”, completa Michiles.

    Entre as advertências mais contundentes que Honestino recebeu, mas deixou de levar em conta, estão a de seu irmão, Norton, e a do companheiro de militância, Juarez Ferraz de Maia.

    Norton conta que encontrou com Honestino na praia e disse ter “uma surpresa muito grande pra ele, um passaporte que tinha comprado”. Em resposta, ouviu “um discurso”: “Que o povo dele era esse, que o país dele era esse, que ele não ia sair daqui de jeito nenhum…” Norton foi claro: “Meu irmão, você vai ser morto. Eles vão te matar. Eu tô sabendo disso. Eles vão te matar.”

    Maia, por sua vez, conta ter dito ao amigo, a quem chamava de Gui: “‘Olha, a situação está muito ruim. Eu vou ser morto. Você vai ser morto, se a gente não sair do Brasil.’ Ele baixou a cabeça, não respondeu nada. Aí eu disse: ‘Vamos embora, Gui. Eu estou tentando arrumar os documentos. Você já tem os documentos que o seu irmão já conseguiu.’ Parecia que ele estava em dúvida. E aquela crise que deu nele, naquele momento, era porque justamente tinham acabado de ser presos vários colegas nossos, companheiros nossos que tinham sido presos e assassinados… e ali abraçamos e eu fui para o Chile.”

    A paixão com que Honestino foi realizado transparece quando se assiste ao filme. Essa é uma de suas principais virtudes, mas parece responsável também por alguns excessos. A tentativa de dar conta de múltiplas situações contextuais, algumas sem conexão direta com o protagonista, afeta a impressão final. Se tivesse sido possível conciliar certo comedimento com a forte emoção de recuperar a memória de Honestino Guimarães, creio que o resultado seria ainda mais poderoso – é o que me parece, sem deixar de considerar que Honestino é mesmo um filmaço.

    Honestino estreia hoje, 22 de outubro, na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. Haverá outra sessão no próximo dia 28.





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