Donald Trump

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A imposição de taxas de 10% sobre produtos de oito países haviam sido anunciadas por Trump no último sábado (17/1) e entrariam em vigor em 1º de fevereiro.

O recuo foi comunicado pelo presidente americano em uma publicação nas redes sociais nesta quarta-feira (21/1), após um encontro com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte, à margem do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, ondeTrump discursou.

Horas depois, em uma publicação no Truth Social, o presidente dos EUA disse que, com base em uma “reunião muito produtiva” com Rutte, eles “formularam a estrutura de um futuro acordo com relação à Groenlândia”.

“Esta solução, se concretizada, será ótima para os Estados Unidos e para todas as nações da Otan”, escreveu.

“Com base nesse entendimento, não vou impor as tarifas que entrariam em vigor em 1º de fevereiro. Discussões adicionais estão sendo realizadas a respeito do Domo de Ouro, no que diz respeito à Groenlândia.”

Trump ainda informou que mais informações serão disponibilizadas “à medida que as discussões avançarem” e que o vice-presidente JD Vance, o secretário de Estado, Marco Rubio e o enviado especial Steve Witkoff serão responsáveis ​​pelas negociações

“Eles se reportarão diretamente a mim”, acrescentou.

Após o anúncio de Trump, o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Løkke Rasmussen, disse em um comunicado:

“O dia está terminando melhor do que começou.”

Ele acrescentou: “Agora, vamos nos sentar e descobrir como podemos atender às preocupações de segurança dos Estados Unidos no Ártico, respeitando as linhas vermelhas do Reino da Dinamarca.”

A Groenlândia é um território autônomo da Dinamarca.

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Legenda da foto, Trump disse que ele e Mark Rutte “formularam a estrutura de um futuro acordo com relação à Groenlândia”

Em entrevista à emissora americana CNBC, logo depois de anunciar o cancelamento das tarifas, Trump disse que existe “a possibilidade de um acordo” em discussão.

Questionado sobre o que isso implicaria, ele respondeu que é “um pouco complexo, mas explicaremos mais adiante”.

O presidente americano ainda afirmou que o acordo provisório é “o tipo de acordo que queria fazer” e que o secretário-geral da Otan já entrou em contato com a Dinamarca e outros membros da aliança para discutir a proposta. Ele acrescentou que “o acordo será permanente”.

Trump não especificou se minerais de terras raras serão incluídos em qualquer acordo sobre a Groenlândia, mas disse que a colaboração com a Otan e a Dinamarca fará parte dele.

Mais tarde, para a CNN, o presidente afirmou que a estrutura do acordo sobre a Groenlândia estava “bem avançada” e garantia aos EUA “tudo o que precisávamos”, especialmente “verdadeira segurança nacional e segurança internacional”.

No entanto, ele não disse se isso incluía a propriedade americana da Groenlândia.

Trump havia descartado anteriormente a ideia de alugar a Groenlândia, afirmando que “você defende a propriedade. Não defende aluguéis”.

Controle sobre pequenas porções da Groenlândia

Segundo o jornal New York Times, o plano concederia aos EUA a posse de pequenas áreas do território, onde os americanos poderiam construir bases militares.

Funcionários que participaram de uma reunião da Otan sobre o assunto na quarta-feira disseram ao jornal que o arranjo previsto seria semelhante às bases britânicas em Chipre, que fazem parte dos Territórios Ultramarinos Britânicos.

De acordo com os acordos existentes com a Dinamarca, os EUA podem trazer quantos soldados quiserem para a Groenlândia. O país já possui mais de 100 militares permanentemente na base de Pituffik, no extremo noroeste do território.

A porta-voz da Otan, Allison Hart, disse em um comunicado que durante a reunião, Trump e Rutte “discutiram a importância crítica da segurança na região do Ártico para todos os aliados, incluindo os Estados Unidos”.

“As negociações entre a Dinamarca, a Groenlândia e os Estados Unidos prosseguirão com o objetivo de garantir que a Rússia e a China nunca ganhem influência – econômica ou militar – na Groenlândia”, afirmou.



Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
em nome do autor .

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