A primeira esfera que chutei que mais se aproximou de uma bola de futebol foi feita de um pé de meia, enchida pela minha irmã Wanda, com molambos e costurado ou amarrado. Jogávamos no terreiro de nossa casa, com Antônio de Mariinha. Jogávamos também com outras crianças no terreno à esquerda da Igreja, hoje com edificações da família de Florisvaldo. Depois da bola de meia surgiu a bexiga do boi que nos forneciam, o açougueiro do “Morrim”, hoje Inúbia, Durvalino e de Catolés, Ramiro e Zé de Biana, também açougueiros. A bexiga era batida na pedra, para esticar e enchida por meio de talo da folha de mamona, uma espécie de canudo
. Jogava-se também na Rua de Baixo, hoje Praça do Garimpeiro. A Rua era gramada e os riscos eram as fezes dos porcos que viviam à solta pelas ruas e o protesto do morador Zé Bodoque que ameaçava furar a bexiga ou a bola de borracha que também já se usava.
Edgar Assunção, que trabalhava em São Paulo, gostava de futebol, torcedor São-paulino, voltou para morar em Catolés, trazendo consigo o quite: bola de capotão, bomba para encher, pito e apito. Como não tinha o campo apropriado para jogar usando essa bola, convidou pessoas influentes, incluindo comerciantes, e procuraram meu pai, João Hipólito Rodrigues, vereador, para reivindicarem um campo. O terreno mais plano situava-se entre o Veríssimo, propriedade de Zé Assunção e a Lagoa, propriedade de Fidelcino. Sob a proteção legal de um Comodato, não sei se o Comodante era José Assunção ou Fidelcino, mas o Comodatário, sim, o Município de Piatã.
Os jogadores destaques no primeiro jogo nesse campo, foram Nenzinho de Sá Joaninha, goleiro e WIlson Assunção Braga, coute, zagueiro. Os jogadores usavam camisetas confeccionadas por Lilia de Sá Ló, nas cores Azul e Branco X Vermelho e Preto. Não sei se as cores tinham relação com Cruzeiro e Flamengo. Dali em diante Raul Assunção passou a cuidar do quite e encarregado de convocar a garotada para os treinos, soprando o apito. Depois do campo da Lagoa ou Veríssimo, lembro-me de ter jogado no Pai Joaquim, em seguida entre a chácara de Gustavo e o Cemitério e por último no Lambedor.
Aliás, no Lambedor não joguei. Assisti a uma partida entre Ribeirão e Catolés, oportunidade em que conversei com Naivo, coordenador do time do Ribeirão e com o filho de meu saudoso amigo, Nem de Olava. O filho de Nem, como eu, era apenas assistente.
No meio do ano de 2023, meus sobrinhos: Evaldo, Clodoaldo, Washington e João Neto amadureceram a ideia há muito na cabeça dos filhos, outros netos e até bisnetos de João Hipólito Rodrigues, no sentido de se realizar partida de futebol da Família Hipólito, considerando o muito bom futebol praticado por Luis Alberto e Gilson, em campo e Maricélio em quadra de futebol de salão. Os demais filhos: João, Antônio e Ed. E os netos: Ênio, Murilo, Elder, Marcelo, Ró, e Luciano, assumiram protagonismo e eu, Guto, Elvander e Danilo, coadjuvância. A conjunção dessas vontades resultou na realização da I EDIÇÃO do jogo, em 13 de janeiro de 2024, sábado. Diante da presença do número considerável de amigos querendo jogar, não foi possível escalar dois times só com filhos, netos e bisnetos de JOÃO Hipólito.
O sucesso foi além do esperado. A II EDIÇÃO ocorreu em 11 de janeiro de 2025, com maior presença de amigos, suficiente para escalar três times. A III EDIÇÃO ocorreu em 10 do mês em curso, sucesso acima da mais otimista expectativa, considerando a presença de 60% de amigos que participaram do jogo, a competitividade das equipes e de jogadas individuais, entre Ênio, Elder, Wasinghton e Ró, sobressaindo Wasinghton, que marcou os 3 gols de sua equipe. Resultando final, equipe branco 3 e equipe vermelho, também 3. Não obstante o placar de 3 X 3, não se pode negar aos goleiros, João Filipe, Adécio e Clodoaldo reconhecimento dentre os destaques no jogo. Ressalte-se que a “Cereja do bolo” foi a presença maciça feminina, muito animada, de parentes e amigas da Família Hipólito, incluindo minha filha Cassiana e minha neta Gabriela
As III Edições dos jogos animada, de campo de Jean Azevedo. Eu avalio sempre e proclamo o sucesso empresarial e o espírito empreendedor de Jean, que desportista determinado, transformou ribanceira em terreno plano para a prática de futebol. Analisando os terrenos particulares e públicos que circundam Catolés, não vislumbro nenhum que poderia ser estruturado para um campo de futebol. Acredito que o prefeito, Dr. Wellington, com o seu tino administrativo e esportista com gosto para a prática de futebol deve estar estudando uma saída para a ausência de campo em Catolés. Por outro lado, se Jean transformou a ribanceira em terreno plano, poderá estruturar seu campo em mini estádio, com campo gramado e lances de arquibancada.
Aí vem o custo. Acredito que a visibilidade está, para começo, na vontade política, visando a alocação de recursos via emenda orçamentária legislativa, Câmara e Senado, vez que, em sendo a Parceria Público Privada possível em obras cujo custo fica acima de R$10.000,000,00 (dez milhões de reais), não contemplaria a obra de estrutura do campo de Jean.
Diante do sucesso da III EDIÇÃO DO JOGO DA FAMÍLIA HIPÓLITO, mesmo sem a anuência prévia dos seus idealizadores e protagonistas, sugeri à vereadora Ana Lúcia Souza, em caso de ainda não constar no Calendário Festivo do Município de Abaíra, fazer a indicação para que conste, o JANEIRÃO CATOLEENSE, com subitem JOGO DA FAMÍLIA HIPÓLITO X CATADO. Catado é um termo popular no futebol que significa mistura. Essa nomenclatura poderá ser melhor adequada, com a aprovação da maioria dos idealizadores e protagonistas do evento.

Notícia publicada originalmente por Luciana
em nome do autor LUCIANA NOVAIS.
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