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    Início » Por que Reino Unido faz ofensiva contra o ‘Brazilian butt lift’, procedimento para aumentar o bumbum
    Brasil

    Por que Reino Unido faz ofensiva contra o ‘Brazilian butt lift’, procedimento para aumentar o bumbum

    18 de fevereiro de 2026
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    Close na região do glúteo de uma mulher com marcações feitas a caneta por um cirurgião

    Crédito, Getty Images

    Article Information

      • Author, Nick Triggle,
      • Role, Repórter de saúde da BBC News
        e

      • Author, Joe McFadden,
      • Role, Repórter de saúde da BBC News
    • Há 58 minutos

    • Tempo de leitura: 5 min

    O procedimento estético conhecido como Brazilian butt lift (BBL), procurado por quem deseja aumentar os glúteos, está na mira de parlamentares e do governo no Reino Unido.

    Em um documento publicado nesta quarta-feira (18/2), o Comitê de Mulheres e Igualdade do Parlamento inglês recomendou que a legislação seja alterada para restringir apenas aos médicos o direito de realizar este e outros procedimentos considerados de alto risco.

    Atualmente não há no país regulamentação que determine quais profissionais podem ou não conduzir procedimentos que não envolvam incisões.

    Essa brecha legal, conforme o relatório final divulgado pelo comitê, criou um mercado “sem lei” em que procedimentos chegam a ser realizados “em imóveis alugados pelo Airbnb, quartos de hotel, galpões de jardim e banheiros públicos”.

    Alguns deles, apesar de serem considerados “não cirúrgicos”, são altamente invasivos e com alto risco aos pacientes, como o aumento de mamas com uso de solução salina e a versão “não cirúrgica” do BBL, na qual são usados preenchedores como ácido hialurônico.

    Nos últimos anos foram noticiados diversos casos de complicações e morte após a intervenção no Reino Unido.

    No Brasil, o procedimento com ácido hialurônico na área dos glúteos tem sido popularmente chamado de “harmonização de bumbum” e pode ser realizado por profissionais habilitados pelos conselhos de classe que permitam e estabeleçam diretrizes para a prática — por exemplo, de médicos e biomédicos.

    O polimetilmetacrilato, ou PMMA, também já foi usado nesse tipo de procedimento no Brasil, mas diante de uma onda de casos de complicações e mortes o Conselho Federal de Medicina (CFM) pediu, no ano passado, que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibisse seu uso em procedimentos estéticos. Atualmente ele é liberado apenas para uso em casos médicos específicos, não mais estéticos.

    O BBL tradicional, ou gluteoplastia, consiste na aplicação na área do glúteo de gordura extraída de outras áreas do corpo — e é conhecida como o procedimento com maior índice de mortalidade entre as cirurgias plásticas.

    Ficou popularmente conhecida em diversos países como “Brazilian butt lift” — “lifting de bumbum brasileiro”, em tradução literal — em referência à anatomia mais curvilínea das brasileiras.

    Em agosto do ano passado, o governo chegou a propor, entre uma série de medidas para coibir os abusos na área de procedimentos cosméticos que têm causado preocupação no país, restrições para limitar a realização do BBL “não cirúrgico” apenas a profissionais qualificados.

    Nesse sentido, o novo relatório do comitê do Parlamento afirma que o Executivo “não está agindo com rapidez suficiente” na implementação de um sistema de licenciamento para procedimentos estéticos não cirúrgicos e “deveria acelerar as ações regulatórias”.

    Nesse sentido, o novo relatório do comitê do Parlamento afirma que o Executivo “não está agindo com rapidez suficiente” na implementação de um sistema de licenciamento para procedimentos estéticos não cirúrgicos e “deveria acelerar as ações regulatórias”.

    “Durante nossa investigação, o comitê ouviu um depoimento impactante e chocante de uma mulher que desenvolveu sepse [infecção generalizada] depois de se submeter a um ‘BBL líquido'”, declarou Sarah Owen, presidente do colegiado. “A experiência dela e de muitas outras pessoas deve servir como um alerta urgente para o governo sobre a necessidade de mudanças”, completou

    ‘Pesadelo completo’

    No início de 2024, a britânica Sasha Dean entrou em coma depois de se submeter ao procedimento, que foi realizado em parte em uma residência particular, e desenvolver uma infecção generalizada.

    “Tudo se transformou em um verdadeiro pesadelo muito rapidamente”, ela contou à BBC.

    “Tive um ataque cardíaco, um dos meus pulmões colapsou, meus rins estavam falhando. Meu corpo simplesmente entrou em colapso.”

    Sasha Dean
    Legenda da foto, Sasha Dean entrou em coma depois de um BBL

    Após cinco dias em coma induzido, Dean se recuperou e sobreviveu, mas afirma que a experiência deixou sequelas físicas.

    “Foram os últimos dois anos mais horríveis. Perdi todo o meu cabelo, tenho problemas cognitivos, de visão. É uma batalha constante”, diz ela.

    “Honestamente, arruinou minha vida.”

    Dean hoje alerta outras mulheres sobre os perigos do procedimento.

    “Como não é uma cirurgia, as pessoas ainda acham que é seguro. Mas, para mim, é o procedimento mais perigoso que existe. Sinceramente, gostaria que fosse proibido.”

    Apelo por medida mais rígidas

    A parlamentar Sarah Owen pediu que o governo se comprometesse a introduzir o sistema de licenciamento para procedimentos não cirúrgicos que propôs até o final desta legislatura, em 2029.

    De acordo com os planos do governo, intervenções de alto risco só poderão ser realizadas por profissionais de saúde regulamentados e os serviços serão inspecionados pela Comissão de Qualidade de Atendimento (Care Quality Commission).

    Procedimentos de baixo risco, como botox e preenchimento labial, ficariam sujeitos aos sistemas de licenciamento municipais.

    Uma porta-voz do Departamento de Saúde e Assistência Social (DHSC) declarou que o governo já está tomando medidas para reprimir os “aspirantes a profissionais de estética” e erradicar tratamentos perigosos, sem contudo, estabelecer uma data para a implementação dessas medidas.

    “Nossas novas e rigorosas medidas garantirão que apenas profissionais de saúde qualificados possam realizar os procedimentos de maior risco. Para quem estiver considerando um procedimento estético, verifique as qualificações e o seguro do profissional e evite tratamentos que pareçam suspeitosamente baratos.”

    Um estudo recente do University College London constatou que agora existem mais de 5.500 clínicas que oferecem tratamentos estéticos não cirúrgicos no Reino Unido, dentro das quais apenas um terço dos profissionais que prestam serviços são médicos qualificados.

    O relatório do comitê afirmou que não há consistência nos padrões de treinamento e que alguns profissionais chegam a fazer apenas cursos de treinamento online antes de oferecer os tratamentos.



    Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
    em nome do autor .

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