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    Início » Groenlândia: Trump anuncia tarifas sobre Dinamarca e outros 7 países que enviaram tropas à ilha
    Brasil

    Groenlândia: Trump anuncia tarifas sobre Dinamarca e outros 7 países que enviaram tropas à ilha

    17 de janeiro de 2026
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    Trump

    Crédito, Getty Images

    Article Information

      • Author, Paul Kirby
      • Role, Editor digital da BBC News para Europa
    • Há 56 minutos

    • Tempo de leitura: 6 min

    Trump afirma que essas tarifas permanecerão em vigor até que os EUA cheguem a um acordo para a compra completa da Groenlândia.

    Em uma mensagem em sua rede social Truth Social, o presidente americano declarou que Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia pagarão uma tarifa de 10% sobre todos os produtos enviados aos Estados Unidos a partir de 1º de fevereiro.

    Em 1º de junho, essa tarifa aumentará para 25%, de acordo com a publicação no Truth Social.

    Trump disse em sua mensagem que, depois de séculos, “é hora de a Dinamarca nos pagar”.

    “A paz mundial está em jogo! A China quer a Groenlândia e a Dinamarca não pode fazer nada a respeito”, afirmou, alegando que a ilha é protegida apenas por dois trenós puxados por cães.

    “Medidas enérgicas” devem ser tomadas para garantir que esta “situação potencialmente perigosa termine rápida e definitivamente”, acrescentou Trump.

    Além da Dinamarca e da Groenlândia, outros países se opõem aos seus planos, e muitos nos Estados Unidos expressaram ceticismo quanto a uma possível aquisição da ilha.

    Na sexta-feira, uma delegação bipartidária do Congresso dos EUA visitou a Groenlândia para demonstrar seu apoio ao território.

    O grupo de 11 parlamentares incluía republicanos que expressaram preocupação com os apelos do presidente para que os Estados Unidos adquiram a Groenlândia por razões de segurança nacional. Eles se reuniram com membros do parlamento, bem como com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, e seu homólogo groenlandês, Jens-Frederik Nielsen.

    O líder do grupo, o senador democrata Chris Coons, disse que a viagem tinha como objetivo ouvir os moradores locais e levar suas opiniões a Washington “para amenizar a situação”.

    Um avião com as cores da Força Aérea Real Dinamarquesa estacionado na pista do aeroporto de Nuuk.

    Crédito, Reuters

    Legenda da foto, Diversos países, incluindo França, Alemanha, Suécia, Noruega, Finlândia, Holanda e Reino Unido, enviaram um pequeno número de tropas para a Groenlândia esta semana em uma suposta missão de reconhecimento

    ‘Por bem ou por mal’

    Trump tem afirmado repetidamente que a Groenlândia é vital para a segurança dos EUA e que Washington obterá o controle da ilha “por bem ou por mal”, numa aparente referência à compra do território ou à sua tomada pela força.

    A Groenlândia é pouco povoada, mas rica em recursos naturais, e sua localização entre a América do Norte e o Ártico confere-lhe uma posição privilegiada para sistemas de alerta precoce em caso de ataques com mísseis e para o monitoramento de navios na região.

    Os Estados Unidos já mantêm mais de 100 soldados locados permanentemente em Pituffik, uma estação de monitoramento de mísseis no noroeste da Groenlândia, operada pelos EUA desde a Segunda Guerra Mundial.

    De acordo com os acordos existentes com a Dinamarca, os Estados Unidos têm autoridade para enviar quantos soldados desejarem para a Groenlândia.

    Mas Trump afirma que os Estados Unidos precisam “assumir o controle” da região para defendê-la adequadamente contra potenciais ataques russos ou chineses.

    A Otan baseia-se no princípio de que os aliados devem ajudar-se mutuamente em caso de ataque externo; nunca houve a possibilidade de um membro usar a força contra outro.

    Os aliados europeus juntaram-se à Dinamarca no apoio à aliança.

    Afirmaram também que a região do Ártico é igualmente importante para eles e que a sua segurança deve ser uma responsabilidade conjunta da Otan, com a participação dos Estados Unidos.

    França, Alemanha, Suécia,Noruega, Finlândia, Países Baixos e Reino Unido enviaram um pequeno número de tropas para a Gronelândia esta semana numa alegada missão de reconhecimento.

    O presidente francês Emmanuel Macron anunciou o iminente destacamento de “recursos terrestres, aéreos e marítimos”.

    Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen (à esquerda), e da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, em uma coletiva de imprensa durante sua visita a Washington.

    Crédito, Getty Images

    Legenda da foto, Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca, Lars Lokke Rasmussen (esq.a), e da Groenlândia, Vivian Motzfeldt, visitaram Washington esta semana.

    ‘Precisamos de amigos, de aliados’

    A visita da delegação do Congresso dos EUA à Groenlândia ocorreu dias depois de conversas em Washington entre representantes da ilha e da Dinamarca e membros do governo Trump não terem conseguido dissuadir o presidente de seus planos.

    A delegação incluía senadores e membros da Câmara dos Representantes dos EUA, todos defensores da Otan.

    Embora Coons e a maioria do grupo sejam democratas e opositores declarados de Trump, a delegação também incluía os senadores republicanos moderados Thom Tillis e Lisa Murkowski.

    A deputada groenlandesa Aaja Chemnitz disse que o encontro com os parlamentares americanos lhe deu esperança. Ela declarou à BBC: “Precisamos de amigos. Precisamos de aliados.”

    Questionada sobre a grande diferença entre a visão da Casa Branca e a posição da Groenlândia e da Dinamarca, ela respondeu: “É uma maratona, não uma corrida de curta distância.”

    “A pressão do lado americano é algo que vemos desde 2019. Seria ingenuidade pensar que tudo acabou”, disse Chemnitz.

    “A situação está mudando quase a cada hora. Portanto, quanto mais apoio conseguirmos, melhor”, acrescentou ela.

    Murkowski é uma das patrocinadoras de um projeto de lei bipartidário que visa bloquear qualquer tentativa de anexação da Groenlândia.

    Um congressista republicano também apresentou um projeto de lei concorrente que apoia a anexação da ilha.

    Em Nuuk, manifestantes da Groenlândia agitam bandeiras do país e exibem cartazes contra as intenções de Donald Trump.

    Crédito, Getty Images

    Legenda da foto, Os habitantes da Groenlândia não querem pertencer aos Estados Unidos, reiterou esta semana o ministro das Relações Exteriores da Dinamarca

    ‘O presidente está falando sério’

    O enviado de Trump à Groenlândia, Jeff Landry, disse à Fox News na sexta-feira que os Estados Unidos deveriam conversar com os líderes da Groenlândia, e não com os da Dinamarca.

    “Acredito firmemente que um acordo será alcançado assim que essa situação for resolvida”, afirmou.

    “O presidente está falando sério. Acredito que ele preparou o terreno”, disse Landry.

    “Ele disse à Dinamarca o que quer, e agora cabe ao Secretário de Estado Marco Rubio e ao Vice-Presidente J.D. Vance chegarem a um acordo.”

    “Os Estados Unidos sempre foram receptivos. Não entramos lá tentando conquistar ninguém ou tomar o controle de nenhum país.”

    “Dizemos: ‘Escutem. Defendemos a liberdade. Defendemos a força econômica. Defendemos a proteção'”, disse Landry.

    Os ministros das Relações Exteriores da Dinamarca e da Groenlândia se reuniram com Vance e Rubio na Casa Branca na quarta-feira (14/1).

    Segundo um funcionário dinamarquês que falou à BBC sob condição de anonimato sobre a reunião, o vice-presidente dos EUA propôs encontrar um meio-termo que satisfizesse Trump, a Dinamarca e a Groenlândia.

    O funcionário afirmou que a possibilidade de uma anexação da Groenlândia pelos EUA não foi levantada na reunião na Casa Branca.

    “Nunca tivemos discussões com nenhum alto funcionário ou ministro sobre a possibilidade de os Estados Unidos enviarem tropas para a Groenlândia”, disse o funcionário.

    Mesmo assim, ele afirmou que a Dinamarca leva a sério o objetivo declarado de Trump de anexar a Groenlândia.

    “Nossa premissa é que, neste assunto, o que ele diz é o que ele pensa”, concluiu o funcionário.



    Notícia publicada originalmente por BBC Brasil
    em nome do autor .

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