Alex Medeiros
@alexmedeiros1959
O cenário eleitoral polarizou em Portugal e pode gerar um marco de transformação, destacando o surpreendente avanço do jovem candidato André Ventura, líder do partido de direita Chega. Aos 43 anos, Ventura não só consolida sua posição como uma força emergente da direita, mas também reflete a onda conservadora que varre a Europa e a América Latina.
De acordo com a mais recente pesquisa, divulgada no país, Ventura atingiu 22% das intenções de voto, superando o almirante Gouveia e Melo (15,4%) e posicionando-se no pelotão da frente, atrás apenas de António José Seguro (22,6%) e Cotrim Figueiredo (20,3%).
Esse resultado não é mero acaso, pois ecoa o desempenho do Chega nas legislativas de 2025, onde o partido obteve 22,76%, sinalizando uma consolidação que pode redefinir o mapa político nacional dos portugueses.
A novidade está na capacidade de Ventura atrair jovens e pobres, grupos tradicionalmente voláteis e propensos à abstenção. A pesquisa revela que o candidato tem forte aceitação entre 18-34 anos e os mais pobres (28,6%).
Essa dinâmica contrasta com o perfil de outros concorrentes, como Seguro, que apela mais aos eleitores acima de 55 anos e de rendas médias a altas, ou Cotrim, que se destaca na Grande Lisboa e entre os mais abastados.
Ventura cresceu 3,1% desde o início das pesquisas em 5 de janeiro, e em cenários de segundo turno, ele lidera com 26%, à frente de Seguro (24%). Sua trajetória ascendente tem uma margem de erro de 3,64%, segundo a imprensa. O fenômeno não é isolado em Portugal.
O Chega insere-se na crescente onda de direita que tem remodelado democracias ocidentais. Na Europa cresceram Giorgia Meloni na Itália, Marine Le Pen na França e Viktor Orbán na Hungria. Também na América Latina, Javier Milei na Argentina, Antonio Kast no Chile e principalmente o bolsonarismo no Brasil representam uma rejeição ao establishment de esquerda, promovendo agendas liberais econômicas.
Enquanto a nova direita floresce, o cenário à esquerda é de uma melancolia simbólica. O enfraquecimento das forças progressistas em Portugal é personificado pelo esvaziamento do Partido Comunista Português (PCP).
O “partidão luso” que liderou a Revolução dos Cravos em 1974, e que foi o pilar da resistência ao regime de Oliveira Salazar, hoje está relegado à irrelevância institucional, sequer detendo cadeiras no parlamento. Outros setores da esquerda enfrentam cotidianamente grandes divergências com o PS e o PSD.
O voto de protesto e a ligação com as classes populares, historicamente o reduto da esquerda radical e dos herdeiros de abril, parecem ter migrado para o crescente campo de André Ventura, que já ameaça o PS na Grande Lisboa.
Seu crescimento de quatro pontos em projeções de segundo turno reflete uma mobilização que vai além das fronteiras ideológicas tradicionais. O avanço da direita em Portugal é espelhado pelo enfraquecimento visível da esquerda.
Na medida em que as urnas se aproximam do domingo, dia da eleição, a corrida presidencial portuguesa não é apenas uma disputa por votos, mas um referendo sobre o futuro ideológico do país, e que aponta mudança de azimute. A onda em que surfa o jovem e carismático Ventura, pode trazer o ponto de virada para uma direita mais assertiva, em sintonia com os ventos globais que também sopram na América Latina. Resta saber se a onda se consolidará. O que é certo é que Portugal, berço de revoluções passadas, assiste agora a uma nova transformação política e ideológica que assusta o establishment.
Investigação
O concurso para aprovação de notários e registradores de cartórios, realizado pelo Tribunal de Justiça, está sob investigação do Conselho Nacional de Justiça, que emitiu um despacho assinado pelo relator João Paulo Schoucair.
Rejeição
Os números da nova pesquisa Genial/Quaest revelam uma curiosidade na coincidência: os mais de 50% que rejeitam o governo Lula são os mesmos que reprovam a posição do capo petista na defesa da “soberania” da Venezuela.
Esposas
Duas postagens das mulheres de Jair Bolsonaro e de Tarcísio Freitas incendiaram as redes sociais botando fervura na corrida eleitoral. Michelle replicou a potiguar Cristiane que sugeriu o marido como futuro CEO do país.
Avanço
O rápido crescimento de Flávio Bolsonaro, ficando a 7 pontos de Lula, gerou uma manchete no portal do Globo – “Genial/Quaest: Lula vê desaprovação crescer no Sudeste, e Flávio Bolsonaro lidera intenções de voto na região”.
Na Flórida
Enquanto isso, o irmão Eduardo Bolsonaro circulou pela casa de verão de Donald Trump, em Mar-a-Lago (Palm Beach), conversando sobre eleição no Brasil, diplomacia na América Latina, democracia e segurança internacional.
Na vice
Uma fonte histórica do MDB botou ficha na mesa de apostas, acreditando que na articulação de Walter Alves com Allysson Bezerra, despontam dois nomes na preferência de Waltinho: Hermano Morais e o empresário Eugênio Ribeiro.
Recondução
Há um clima de otimismo nas hostes do PT, mesmo discreto, com as chances do secretário Cadu Xavier como candidato a governador. Bastaria conseguir assumir a cadeira de Fátima Bezerra e seguir candidato sentado na máquina.
No clima
Rogério Marinho esticou o tempo de pré-campanha desde o final do ano passado, com presença constante em todo o RN. E agora esquenta o nome nas conversas de veraneio. E deve se licenciar do Senado após o carnaval.
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Notícia publicada originalmente por Tribuna do Norte
em nome do autor Redação Tribuna do Norte.
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