O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) assinou o pedido de impeachment do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), protocolado no Senado Federal ainda em janeiro. A iniciativa é encabeçada pelos senadores Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF), que defendem a abertura do processo sob o argumento de quebra de confiança institucional.
Apesar da adesão formal, o gesto não é consenso entre aliados do ex-presidente. Uma ala do bolsonarismo avalia que o momento político não seria o mais adequado para levar adiante o impeachment de um ministro da Suprema Corte. Nos bastidores, a leitura predominante é a de que a eventual saída de Toffoli abriria espaço para uma nova indicação pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que poderia alterar o equilíbrio interno do tribunal em desfavor da oposição.
Flávio Bolsonaro, frequentemente chamado de “filho 01” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e apontado por aliados como pré-candidato ao Planalto, vinha sendo pressionado nas redes sociais a se posicionar de forma mais clara sobre o caso envolvendo o Banco Master. Embora tenha assinado o pedido de impeachment, o senador manteve silêncio nas plataformas digitais, estratégia que gerou críticas de apoiadores mais engajados e cautela entre correligionários.
A pressão política aumentou após a saída de Toffoli da relatoria do caso no STF. A decisão ocorreu depois que um relatório da Polícia Federal apontou menções ao nome do ministro no celular de Daniel Vorcaro, controlador da instituição financeira. O material foi entregue pessoalmente pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, ao presidente do STF, Edson Fachin, em reunião realizada na segunda-feira (9/2). O episódio intensificou a cobrança por transparência e reforçou o debate sobre a condução do processo.
Com a redistribuição, o ministro André Mendonça, indicado ao STF durante o governo Bolsonaro, foi sorteado para relatar o caso. A mudança foi recebida com comemoração por parlamentares da oposição no Congresso Nacional, que veem na troca uma oportunidade de maior rigor na análise dos fatos.
Enquanto o pedido de impeachment aguarda tramitação no Senado, o cenário revela um bolsonarismo dividido entre o impulso de confronto institucional e o cálculo político de médio prazo. A disputa expõe, mais uma vez, a tensão permanente entre Legislativo e Judiciário e sinaliza que o desfecho do caso deve seguir no centro do debate político nas próximas semanas.
Notícia publicada originalmente por Luciana
em nome do autor LUCIANA NOVAIS.
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