Ela foi do gueto ao luxo, do cancelamento aos braços do povo, do paredão à glória. A “língua de chicote” da rapper e compositora Karol Conká segue afiada, pronta para embalar a edição 2026 do histórico Desfile das Kengas, que vai movimentar o polo Centro Histórico neste domingo (15), na Cidade Alta. O show, além de compor a programação do carnaval natalense, também faz parte da turnê de 25 anos de carreira da MC curitibana. Karol promete um reencontro “tombástico” com Natal.

A rapper promete uma apresentação com todos os sucessos de sua carreira, além de um visual à altura do bloco. Karol explicou que sua “fantasia de Kenga” foi elaborada pelo estilista Vivão em cima de uma ideia principal sua, sobre como seria sua personagem num universo carnavalesco. Terá transparências, muito jeans, brilhos e acessórios de cristal.

“Eu sempre gostei de movimentar, de pertencer, de me permitir e de brincar. Aprendi na dor que o melhor remédio é sorrir”, disse em entrevista à TRIBUNA DO NORTE. Karol já está pronta para cair na folia natalense e dividir sua irreverência com as Kengas. Confira o bate-papo:

O Desfile das Kengas é um espaço de irreverência e subversão de gênero há décadas. O que significa para você participar de um bloco com essa potência simbólica?
Fico muito feliz de participar desse bloco que carrega um movimento necessário e tão bonito. Sinto-me honrada pelo convite, que tem um significado muito importante para mim. Minha mensagem em forma de música chega nos ouvidos mais dispostos e, no Desfile das Kengas, não vai faltar disposição.

Sua trajetória pública passou por um dos maiores movimentos de “cancelamento” e também de reconstrução de imagem no país. Estar em um bloco que fala sobre liberdade e recomeço tem algum significado especial nesse momento da sua carreira?
Se o assunto é liberdade e recomeço, já posso dizer que sou expert (risos)!
Eu acredito muito nas conexões e sinto que cada uma traz pontos de observação que servem como combustível motivacional. Me apresentar nesse bloco é, com certeza, a motivação que eu preciso para continuar trabalhando e transformando as vivências em músicas.

Seu hip-hop sempre teve ironia, crítica social e deboche. Como você adapta essa energia para um carnaval de rua tão performático e político como o das Kengas?
Eu sempre gostei de movimentar, de pertencer, de questionar, de me permitir e de brincar… Aprendi na dor que o melhor remédio é sorrir, mas não ignoro a seriedade dos pontos necessários. Gosto de pensar que o carnaval de rua é o momento de interação com a diversão coletiva. E claro, sempre alertando os foliões sobre a segurança de cada um.

O carnaval costuma ser visto como espaço de exagero e fantasia, mas também é território de disputa cultural. Na sua visão, qual é o papel de artistas como você dentro de festas populares que têm raízes na resistência?
Meu papel é reverberar a resistência através da minha música e da minha imagem. Sempre gostei de me apresentar em festas populares porque me sinto pertencente. Antes de estar nos palcos, eu estava curtindo todos os eventos que eu podia. Isso faz parte da minha construção artística e, mesmo depois da fama, continuo indo a eventos populares para curtir sempre que minha agenda permite.

O público LGBT+ esteve muito presente tanto nas críticas quanto no seu processo de reconexão com o público. Que tipo de troca você espera viver com essa galera em Natal?
Eu adoro ir para Natal, sou muito bem recebida e sou muito grata pelo carinho e reconhecimento. Estou muito animada por esse reencontro que será “tombástico”!



Notícia publicada originalmente por Tribuna do Norte
em nome do autor Redação Tribuna do Norte.

Acesse a matéria completa

Compartilhar.
Exit mobile version