Close Menu
Nordeste InformaNordeste Informa
    Mais lidas

    Decisão de Moraes foi ‘prudente’, e Bolsonaro fica mais perto de cumprir pena na cadeia, analisam especialistas

    Lula estuda nomear Boulos para ministério no Planalto

    María Corina Machado entrega sua medalha do Prêmio Nobel da Paz para Trump

    1 2 3 … 257 Next
    Instagram YouTube
    Nordeste InformaNordeste Informa
    Instagram YouTube
    • Brasil
    • Política
    • Esportes
    • Empregos
    • Cultura
    • Vídeos
    • Concursos Públicos
    • Educação
    • Tecnologia
    • Turismo
    Nordeste InformaNordeste Informa
    Início » A boa literatura é raridade
    Piauí

    A boa literatura é raridade

    14 de novembro de 2025
    WhatsApp Facebook Email LinkedIn Twitter Pinterest
    Share
    WhatsApp Facebook LinkedIn Email Twitter Pinterest Telegram Copy Link


    A ensaísta e tradutora Aurora Fornoni Bernardini, professora de letras aposentada da Universidade de São Paulo (USP), fez algumas afirmações em entrevista à Folha de S.Paulo que causaram furor no meio literário brasileiro. Bernardini disse, entre outras coisas, que a literatura contemporânea ficou mais pobre ao privilegiar o conteúdo e esquecer a forma e teceu críticas a autores como Itamar Vieira Junior, Annie Ernaux e Elena Ferrante. Também alegou que “não se pode dar o mérito antes das condições”, insinuando que a recepção positiva a livros como Torto arado seria repercussão de eventos do passado, como a escravidão. Dezenas de escritores, livreiros, professores e leitores criticaram a professora nos jornais e nas redes sociais.

    A piauí deste mês publica um ensaio do escritor José Falero, autor de Os supridores, em que ele discute as afirmações de Bernardini e a repercussão que tiveram. “Entre mortos e feridos, a treta, me parece, surtiu ao menos um bom efeito: mobilizou esforços aqui e ali para examinar de maneira crítica estes tempos estranhos em que vivemos, coisa que é sempre positiva”, escreve Falero.

    Para o escritor, os comentários das pessoas que se opuseram à professora têm algo em comum: nenhum deles se propõe a demonstrar falta de base material para as afirmações. “Em vez disso, se dedicam a desqualificá-las por ser ela branca, de origem europeia, bem posicionada socialmente”, observa o escritor. “Para mim, argumentos desse tipo não podem ser classificados de outra maneira que não desonestidade intelectual, seja voluntária, seja involuntária; trata-se de uma trapaça que, não raro, garante vitórias no campo do debate público, como aconteceu nesse caso: a impressão geral deduzida do episódio é a de que a professora teria dito bobagem, sem que as suas proposições tenham sido confrontadas de fato com antíteses reais.”

    Na entrevista, Bernardini afirmou: “Um fenômeno muito curioso acomete o mundo, mas o Brasil em particular: a literatura se baseia no conteúdo e esquece a forma.”

    Falero comenta a declaração: “Cá entre nós, é ou não é uma afirmativa de exatidão patente? Hoje em dia, pouco importa se um escritor ou uma escritora tem pleno domínio das ferramentas empregadas na elaboração de um texto literário e, portanto, sabe dar boa forma ao seu trabalho; muito mais relevante do que isso é que esse escritor ou essa escritora represente uma voz historicamente oprimida, de tal maneira que o conteúdo da sua produção seja incomum na tradição literária. Em outras palavras, há uma série de experiências sociais historicamente impedidas de serem representadas na literatura, e um conteúdo capaz de representar essas experiências, hoje, mostra-se muito mais relevante do que a forma dada a tal representação. Por óbvio, trata-se sobretudo de uma questão de mercado: vivemos em um mundo capitalista, onde Deus é uma nota de 100, como diria o Mano Brown.”

    O escritor frisa que o bom trabalho da forma literária é raridade. “Isso acontece porque um conteúdo é sempre subsidiado por uma experiência, coisa que toda e qualquer criatura tem, independentemente da sua vontade; a capacidade de dar boa forma a um conteúdo, em contraste, jamais se manifesta de maneira espontânea, sendo possível apenas mediante esforço consciente, estudo prolongado e prática obstinada”, ele diz. “Todos temos dedos nas mãos e podemos, sem qualquer tipo de preparo prévio, bater com eles nas teclas de um piano, ao acaso; fazer música é uma outra coisa. Além disso, parece haver uma dificuldade generalizada em compreender, ou em admitir, que nem todo texto é literário.”

    No diagnóstico de Falero, está cada vez mais difícil, no meio literário, definir a fronteira entre amadorismo e profissionalismo, entre analfabetismo formal e domínio formal, entre trabalhos ruins e trabalhos bons, “sem que isso provoque uma desnecessária avalanche de mágoas, rapidamente convertida em discursos de ódio nas redes sociais”. Ele acrescenta: “Não é à toa que a figura do crítico, de quem se esperaria distinções dessa natureza, esteja à beira da extinção.”

    Assinantes da revista podem ler a íntegra do ensaio neste link.





    Notícia publicada originalmente por revista piauí
    em nome do autor Amanda Gorziza.

    Acesse a matéria completa

    Compartilhar. WhatsApp Facebook Twitter LinkedIn Email Pinterest
    AnteriorPLANTA & RAIZ DE VOLTA A MACEIÓ
    Próximo Nordeste terá R$ 100 milhões para cuidar da Caatinga

    Notícias Relacionadas

    129 milhões de aberrações – revista piauí

    6 de março de 2026

    As conexões de Cláudio Castro com o maior sonegador do país

    6 de março de 2026

    O tempo, o livro, a raça

    4 de março de 2026

    O tribunal e a fraude bilionária

    2 de março de 2026

    O nascimento do piano – revista piauí

    26 de fevereiro de 2026

    Contra o monopólio da razão literária

    26 de fevereiro de 2026
    Mais lidas

    Entre o mundo material e a crença de que o melhor vem depois da morte

    Vídeo viral ensina médicos a “falar nordestinês”

    Justiça manda PMCG pagar salários atrasados e cumprir calendário; gestão vai recorrer

    quem era o jovem que morreu após entrar em recinto de leoa na Bica

    Mineradora canadense mira exploração de ouro em Alagoas 

    Demo

    O Jornal Digital do Nordeste Brasileiro.
    Compromisso com a Realidade dos Fatos.

    Conecte-se conosco:

    Instagram YouTube
    Notícias em Alta

    ritual simples para afastar energias negativas

    7 de março de 2026

    PL amplia bancada na Câmara durante janela partidária e mira ultrapassar 100 deputados.

    7 de março de 2026

    Botafogo anuncia retorno de Júnior Santos, maior artilheiro do clube na Libertadores

    7 de março de 2026
    Newsletter

    Inscrevas-se para atualiações

    Fique por dentro das últimas notícias e tendências em tempo real.

    Instagram YouTube
    • Quem Somos
    • Fale Conosco
    • Política de Privacidade
    • AVISO LEGAL
    © 2026 Nordeste Informa Portal de Notícias | Todos os Direitos Reservados.

    Digite acima e pressione Enter para pesquisar. Pressione Esc para cancelar.