Lucas Pinheiro Braathen escreveu seu nome na história das Olimpíadas de Inverno neste sábado (14) ao conquistar a medalha de ouro no slalom gigante em Milano-Cortina 2026. É a primeira vez que um brasileiro e qualquer representante da América do Sul sobe no pódio na competição.
Lucas Pinheiro disputa os Jogos Olímpicos pela primeira vez representando o Brasil, depois de ter defendido a bandeira da Noruega em Pequim-2022. Ele é filho de mãe brasileira (Alessandra Pinheiro) e pai norueguês (Lucas Braathen), que foi seu mentor no esqui.
“As crianças norueguesas começam a praticar muito cedo. O esqui alpino na Noruega é como o futebol no Brasil. Na Noruega, dizemos que o norueguês nasce com esquis nas pernas, mas isso não foi o meu caso. Eu não gostava nada de esqui”, contou Lucas, à ESPN, em 2024.
Os pais do esquiador se separaram quando ele era criança, e a guarda ficou com o pai. Ainda que não amasse a modalidade de inverno, Lucas se mostrou um prodígio para o esporte e fez história neste sábado (14), após acumular vários resultados importantes no ciclo olímpico.
A história, contudo, poderia ser bem diferente, já que Lucas sempre preferiu o futebol. Muito por influência dos vídeos de Ronaldinho Gaúcho. Seu clube do coração é o São Paulo.
“Foi um vídeo dele (Ronaldinho), quando eu tinha cinco ou seis anos, que fez o meu amor crescer pelo futebol. Eu fui para o computador do meu pai aprender técnicas, jeito de tocar na bola, e eu sempre estava assistindo os jogadores brasileiros, futebol arte. Eu vi um vídeo do Ronaldinho, fui direto para meu pai e falei que iria virar o melhor jogador de futebol do mundo. O meu primeiro amor foi o futebol. Não foi o esqui”, relembrou ele, no “Bola da Vez” da ESPN, em 2025.
“Eu não gostava nada de esquiar. É frio, são muitas roupas, bota, plásticos, dói sua perna. Eu gostava de praia, de calor, de mar, então eu não tenho ideia de como virei um esquiador alpino”, contou.
O carinho pelo São Paulo e a história na Noruega, inclusive, já motivou um momento curioso, de Lucas pedindo que seu “compatriota” Erling Haaland, atacante do Manchester City, fosse ao Brasil para vestir a camisa tricolor.
“Erling Haaland, vem para o Brasil, vem para o São Paulo! Não vai ser bom para a sua dieta, mas a gente fica de olho, vai dar tudo certo”, brincou.
Outro momento curioso da vida de Lucas relacionado ao futebol aconteceu quando ele conheceu Ronaldo Fenômeno, que não pode acreditar no que era o talento do esquiador.
“Ele me perguntou o que eu fazia, mas eu não sabia o que dizer, então falei: ‘Sou um esquiador profissional’. O Ronaldo riu e disse: ‘Cara, fala a verdade, qual é o seu trabalho?’ Aí eu: ‘É sério, disputo a Copa do Mundo’. E o meu amigo acrescentou: ‘Sim, Ronaldo, ele é um esquiador de verdade’. Foi uma experiência bem especial”, relembrou.
Lucas é fã de Bossa Nova e Jorge Ben Jor, fala português fluente, aprendido desde a infância com a mãe, e gosta de surfar e comer churrasco, como bom brasileiro.
Outro laço forte com o Brasil é sua namorada, a atriz Isadora Cruz, que é uma das protagonistas da atual novela das sete da TV Globo, “Coração Acelerado“.
Foi o Brasil, inclusive, que motivou Lucas Pinheiro Braathen a retornar ao esqui, já que ele considerou a aposentadoria enquanto ainda representava a Noruega. A nova bandeira o deu novo impulso na carreira e, nos últimos dois anos, representando as cores verde e amarela, ele conquistou 10 medalhas em Copas do Mundo, no slalom e slalom gigante.
Além do slalom gigante, na qual ficou com o ouro, o brasileiro ainda tem mais uma chance de pódio em Milano-Cortina, já que disputa o slalom na segunda-feira (16).
Notícia publicada originalmente por www.espn.com.br –
em nome do autor ESPN.com.br.
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