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    Início » Morte de Titina Medeiros reacende alerta sobre o câncer de pâncreas
    Rio Grande do Norte

    Morte de Titina Medeiros reacende alerta sobre o câncer de pâncreas

    13 de janeiro de 2026
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    A morte da atriz potiguar Titina Medeiros, aos 48 anos, vítima de câncer de pâncreas, reacendeu o debate sobre uma das doenças mais agressivas e letais da oncologia. Natural de Currais Novos e criada em Acari, no interior do Rio Grande do Norte, Titina enfrentava a doença há cerca de um ano e morreu neste domingo (11), em Natal. O sepultamento ocorreu nesta segunda-feira (12), em Acari, após homenagens prestadas no Teatro Alberto Maranhão, em Natal.

    Conhecida nacionalmente pela personagem Socorro, a “personal colega” de Chayene, na novela Cheias de Charme, da TV Globo, em 2012, Titina travou uma luta discreta contra a doença. Em mensagem nas redes sociais, a irmã da atriz, Rejane Medeiros, destacou a rapidez da evolução do quadro. “Sabíamos que o câncer de pâncreas era agressivo, mas não esperávamos perdê-la em menos de um ano”, escreveu.

    Segundo o gastroenterologista Fernando Lisboa Junior, do Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL), o câncer de pâncreas é considerado um dos mais agressivos justamente pela combinação entre comportamento biológico e diagnóstico tardio. “É uma doença com altíssima letalidade. Cerca de 50% dos tumores já apresentam metástases no momento do diagnóstico, e ainda não existem protocolos de detecção precoce”, explica.

    De acordo com o médico, trata-se de um tumor que cresce de forma silenciosa e se espalha rapidamente pelo organismo. “É um câncer que infiltra vasos sanguíneos e linfáticos precocemente e, muitas vezes, já compromete todo o corpo quando os sintomas aparecem”, afirma. Por isso, em grande parte dos casos, a cirurgia, única forma de tratamento com potencial de cura, já não é possível. “Em cerca de 80% dos pacientes, a doença está avançada demais no momento do diagnóstico, como ocorreu com a atriz Titina Medeiros”, completa.

    Entre os fatores de risco estão tanto questões genéticas quanto hábitos de vida. O tabagismo é apontado como o principal deles, seguido pelo consumo excessivo de álcool, obesidade, sedentarismo e dietas ricas em gorduras e alimentos ultraprocessados. “Algumas mutações genéticas também estão associadas ao câncer de pâncreas, o que justifica, em casos específicos, o aconselhamento genético”, destaca Fernando Lisboa.

    No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, sem considerar os tumores de pele não melanoma, o câncer de pâncreas ocupa a 14ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes. É responsável por cerca de 1% de todos os tipos de câncer diagnosticados e por 5% do total de mortes causadas pela doença, cujo risco aumenta com o avanço da idade e era raro antes dos 30 anos, tornando-se mais comum a partir dos 60.

    O médico também observa que o diagnóstico tem sido cada vez mais frequente em pessoas mais jovens, o que não significa necessariamente aumento da incidência por sexo. “A incidência é praticamente igual entre homens e mulheres. O que ocorre é uma maior exposição a fatores de risco desde cedo e o uso mais frequente de exames de imagem, que acabam detectando mais casos”, explica.

    Os sinais de alerta, no entanto, costumam surgir quando a doença já está em estágio avançado. Entre os principais sintomas estão dor na parte superior do abdome, perda de peso, falta de apetite, fadiga, icterícia (caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos) e urina escura. “Infelizmente, esses sintomas aparecem tardiamente na maioria das vezes”, alerta o especialista.

    No tratamento, apenas 15% a 20% dos pacientes são candidatos à cirurgia de retirada do tumor, pancreatectomia. A quimioterapia pode ser utilizada antes ou depois do procedimento, e parte das cirurgias já pode ser realizada por técnicas minimamente invasivas. “A chance de cura depende diretamente do estágio da doença no momento da cirurgia. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances”, enfatiza o gastroenterologista.

    A morte de Titina ocorre em um contexto em que outros artistas também tornaram público o diagnóstico de câncer de pâncreas recentemente, como o apresentador Edu Guedes e o músico Tony Bellotto, reforçando a necessidade de informação e atenção aos fatores de risco. Embora não haja exames de rastreamento de rotina para a população geral, a orientação médica é clara: adotar hábitos de vida saudáveis, evitar o tabagismo e procurar assistência especializada diante de sintomas persistentes podem fazer a diferença.



    Notícia publicada originalmente por Tribuna do Norte
    em nome do autor Redação Tribuna do Norte.

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