O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, na segunda quinzena de março. A informação foi confirmada por fontes do Itamaraty ao portal Metrópoles e indica um novo capítulo na relação entre os dois países, marcada recentemente por tensões e, agora, por um esforço de reaproximação diplomática.
De acordo com interlocutores do governo brasileiro, o Palácio do Planalto apresentou oficialmente a Washington a proposta de que o encontro entre os dois chefes de Estado ocorra na semana do dia 15 de março. Embora ainda não haja uma confirmação pública por parte da Casa Branca, o movimento é visto como um sinal concreto de avanço no diálogo bilateral, especialmente após meses de contatos reservados e articulações diplomáticas.
Nos bastidores, a retomada da agenda entre Brasília e Washington vem sendo construída de forma gradual. Um dos marcos desse processo ocorreu no dia 31 de janeiro, quando o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, manteve uma conversa telefônica com o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. O diálogo teve como objetivo alinhar temas estratégicos e ajustar detalhes logísticos e políticos para uma eventual reunião entre Lula e Trump.
A expectativa é de que, caso o encontro se concretize, estejam na pauta assuntos sensíveis como comércio internacional, tarifas, cooperação econômica, meio ambiente, além do papel dos dois países no cenário geopolítico latino-americano. O governo brasileiro avalia que o momento é oportuno para reposicionar a relação com os Estados Unidos, sobretudo diante das mudanças no contexto internacional.
Durante evento realizado recentemente em São Paulo, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, comentou publicamente sobre a evolução da relação entre os dois presidentes. Segundo ele, o início do diálogo entre Trump e Lula foi “conturbado”, marcado pela imposição de tarifas e pela adoção de sanções contra o Brasil, o que gerou desgaste político e econômico.
Apesar disso, Bessent afirmou que os dois líderes conseguiram superar as divergências iniciais. “Depois de um começo conturbado, o presidente Trump e o presidente Lula estabeleceram uma boa relação. E, por isso, considero que o que está acontecendo na América Latina é extremamente empolgante”, declarou o secretário, destacando o fortalecimento das frentes de diálogo entre os governos.
Ainda conforme Bessent, a administração norte-americana percebeu uma postura de abertura e disposição do Brasil para o entendimento. “Notamos muita boa vontade por parte do governo brasileiro”, disse. O secretário também chamou atenção para o histórico diplomático de Lula, ressaltando que o presidente brasileiro mantém, tradicionalmente, relações cordiais com líderes do Partido Republicano.
“É curioso observar que o presidente Lula tem uma tradição de manter bons relacionamentos com presidentes republicanos nos Estados Unidos”, afirmou Bessent, ao recordar a relação próxima entre Lula e o ex-presidente George W. Bush, que governou o país entre 2001 e 2009.
Caso o encontro em Washington seja confirmado, a reunião poderá representar não apenas um gesto simbólico de reaproximação, mas também um esforço concreto de reconstrução da confiança entre Brasil e Estados Unidos, duas das maiores economias do continente. Para diplomatas brasileiros, a visita reforçaria o protagonismo do Brasil no cenário internacional e abriria espaço para novas parcerias estratégicas.
Notícia publicada originalmente por Luciana
em nome do autor LUCIANA NOVAIS.
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