O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou nesta quarta-feira (11) que a sinalização do governo dos Estados Unidos de considerar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), como organizações terroristas pode representar uma “oportunidade” para ampliar a cooperação internacional no combate ao crime organizado.
A declaração foi feita durante agenda pública na região central da cidade de São Paulo, onde o governador comentou a possibilidade de uma nova abordagem das autoridades norte-americanas em relação às facções criminosas que atuam dentro e fora do Brasil.
Segundo Tarcísio, o eventual enquadramento do PCC como organização terrorista por parte dos Estados Unidos abriria caminho para uma integração mais ampla entre os sistemas de segurança e inteligência dos dois países. Na avaliação do governador, a cooperação internacional pode fortalecer as estratégias de enfrentamento às organizações criminosas que operam em redes transnacionais.
“Enxergo isso como uma oportunidade. A partir do momento em que um governo como o dos Estados Unidos encara o PCC como organização terrorista e é de fato o que eles são fica mais fácil abrir o caminho da cooperação, integrar inteligência, acessar recursos financeiros e estruturar um combate ainda mais efetivo”, declarou o governador.
A discussão ganhou força após autoridades americanas passarem a classificar o PCC e também o Comando Vermelho como ameaças relevantes à segurança regional. De acordo com análises de segurança feitas nos Estados Unidos, essas facções têm ampliado sua atuação internacional, com envolvimento em redes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, violência armada e outras modalidades de crime transnacional.
Para setores ligados ao campo político conservador no Brasil, incluindo aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro, a classificação dessas organizações como grupos terroristas poderia facilitar ações conjuntas de repressão e ampliar mecanismos de cooperação jurídica e policial entre países.
Por outro lado, o posicionamento do governo federal brasileiro é diferente. O Palácio do Planalto tem manifestado resistência à ideia de enquadrar facções criminosas como organizações terroristas. A avaliação dentro do governo é de que existe uma distinção jurídica importante entre os conceitos de terrorismo e crime organizado, e que a alteração dessa classificação poderia gerar implicações diplomáticas e legais.
Integrantes do governo argumentam ainda que uma eventual rotulação dessas facções como terroristas por outros países poderia abrir precedentes sensíveis no campo da soberania nacional, especialmente se medidas internacionais fossem adotadas sem coordenação direta com as autoridades brasileiras.
Especialistas em segurança pública observam que o debate envolve não apenas questões jurídicas, mas também estratégias geopolíticas de combate ao crime organizado. Facções como o PCC e o Comando Vermelho expandiram sua presença para rotas internacionais de tráfico de drogas e armas, conectando redes criminosas na América do Sul, Europa e África.
Diante desse cenário, o tema tende a permanecer no centro das discussões entre autoridades de segurança, diplomatas e governos, enquanto se avalia até que ponto uma cooperação internacional mais ampla pode contribuir para enfraquecer as organizações criminosas que atuam além das fronteiras brasileiras.
Notícia publicada originalmente por Luciana
em nome do autor LUCIANA NOVAIS.
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