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    Piauí

    O Brasil em tempos de Trump

    10 de julho de 2025
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    Este é um trecho de um ensaio publicado na edição de junho da piauí. Assinantes da revista podem ler aqui a versão na íntegra.

    Reduzir figuras como Donald Trump ou Jair Bolsonaro a estupidez, ignorância, primitivismo, autoritarismo e narcisismo tornou-se uma atitude tão generalizada quanto desalentadora. Revela uma demissão do campo progressista de compreender o que está acontecendo. Despolitiza a política e bloqueia a produção de um programa alternativo.

    Diante das medidas tomadas por Trump nos últimos meses, por exemplo, os progressistas se limitaram a torcer para “dar errado” – não poucas vezes na forma arrogante da garantia de que “não tem como dar certo”. É tristemente coerente com essa atitude, mas não deixa de surpreender, que, em reação às iniciativas de Trump, tantos expoentes desse campo progressista – incluindo integrantes de parte da esquerda – tenham como única resposta defender o “livre-comércio” e a “globalização”. Como se a ordem neoliberal a que estão relacionadas essas palavras não tivesse caducado sem apelação depois das mesmas iniciativas de Trump.

    Hoje, a lógica da disputa é a de uma divisão irreconciliável. De um lado, coalizões de uma “direita sem medo” de se aliar à extrema direita. De outro, alianças entre setores originários da esquerda e setores da direita tradicional que não querem se aliar à extrema direita. Diante dessa divisão, a atitude dos progressistas em relação às iniciativas de Trump revela apenas que eles não têm até agora o que mostrar, não têm uma imagem de futuro a oferecer.

    O mundo está perigoso demais para nos darmos ao luxo de seguir com uma atitude paralisante como essa. Para sair do imobilismo, o primeiro passo é reconhecer que as iniciativas de Trump resultaram em transformações irreversíveis. Um programa que se limite a propor a reversão do irreversível não é apenas uma negação da realidade, mas uma renúncia a fazer política. Esse é o verdadeiro derrotismo do momento atual.

    A última década foi marcada por um multilateralismo disfuncional e uma governança global degradada. Parte da elite progressista com posições de poder em instituições internacionais já tinha se dado conta desses muitos desequilíbrios e disfuncionalidades. Daí ter proposto, pelo menos desde o início dos anos 2020, uma “reforma concertada pelo alto” da ordem internacional (um “novo Bretton Woods”, como se dizia). Se a segunda vitória de Trump não tiver sido suficiente para mostrar que o projeto era ilusório, que ao menos sirva para admitir que foi objetivamente inviabilizado.

    O que Trump fez não foi tentar consertar a disfuncionalidade e a degradação. Simplesmente retirou o véu dessa ordem caduca. Ao fazê-lo, escancarou o que estava efetivamente acontecendo: por debaixo da ordem disfuncional em declínio, estava em funcionamento uma ordem regida de maneira crua e direta pelo poderio militar, territorial, econômico, cultural e tecnológico como únicos critérios da divisão do poder global e de seu exercício. Trump oficializou esse estado de coisas. É isso o que significa “a nova ordem internacional” no vocabulário trumpista. É isso o que chamo aqui de irreversível nas mudanças introduzidas por Trump.

    Do ponto de vista geopolítico a que está subordinada explicitamente a economia sob Trump, a reorganização em curso se encaminha para reproduzir em nível global a correlação de forças entre os países do Conselho de Segurança da ONU, tal como está hoje constituído: Estados Unidos, China, Rússia, França e Reino Unido como membros permanentes com arsenais nucleares e direito a veto, e os demais países com dez assentos não permanentes, em esquema de rodízio. Na prática, o multilateralismo dos últimos anos tinha se reduzido a esse mínimo.

    É desse teste brutal que surgirão os novos blocos imperiais e a nova reorganização global. Em vista do tratamento que Trump vem dando aos chineses, e em vista das respostas dos chineses, tudo indica que a reorganização em curso tem por horizonte produzir um neoimperialismo dividido em apenas dois grandes blocos, um liderado pelos Estados Unidos, o outro pela China, os dois países em disputa direta.

    A Rússia se verá obrigada a agir de maneira coordenada com a China, apesar de todas as fricções e desacordos entre os dois países e das tentativas de Trump de manter o diálogo com Vladimir Putin, com o objetivo de produzir ao menos algumas fissuras nessa aliança. Há ainda a possibilidade concreta de que a União Europeia venha a constituir um terceiro bloco. O recente acordo do Reino Unido com a União Europeia parece indicar que essa será, ao menos por enquanto, sua opção preferencial de alinhamento.

    Apesar das vantagens militares de que dispõe em relação aos outros países europeus – em termos de arsenal nuclear, capacidade comparativa de defesa e produção própria de caças, submarinos e porta-aviões –, a França não tem como representar sozinha o conjunto da União Europeia, que necessita de uma efetiva estratégia comum de defesa. Caso a Europa alcance esse objetivo, poderia vir a funcionar como uma espécie de bloco “tampão” entre os outros dois, o que pode ser decisivo na tentativa de evitar guerras mais ou menos generalizadas.

    Só que essa reconfiguração não diz respeito apenas aos países que compõem o Conselho de Segurança, nem apenas às nações que fundaram a ONU, em 1945. Do ponto de vista do quadro geral, as principais mudanças dos últimos oitenta anos são os processos de descolonização e da desintegração do bloco soviético, a partir de 1989. Desde 1945, os países integrantes da ONU passaram de 51 para os atuais 193. Os Estados surgidos nas cinco décadas subsequentes ao fim da Segunda Guerra Mundial foram – ainda que parcialmente, ainda que de maneira mais ou menos subordinada e desigual – integrados à ordem internacional existente. A ordem surgida dos acordos de Bretton Woods, em 1944, certamente não permaneceu a mesma nas últimas oito décadas, mas as mudanças por que passou não a descaracterizaram por completo. A reconfiguração agora em curso é estrutural.

    Independentemente das histórias dos diferentes países, de seus recursos e de seu tempo de vida, ou das desigualdades estruturais e das suas posições de dependência, o imperialismo pós-colonial diz que cada país é dono do seu nariz, autônomo e plenamente responsável por seu destino. Se todos os países estão em pé de igualdade, que paguem a quem tem o poder de obrigá-los a pagar. Pensar o lugar de países periféricos e semiperiféricos nessa reorganização é o mesmo que pensar o lugar de um país como o Brasil.

    Assinantes da piauí podem ler o ensaio na íntegra aqui.





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