Uma reunião emergencial do Comitê de Gerenciamento de Crise, realizada até as 20h30 desta segunda-feira (9), definiu uma série de medidas após as fortes e inesperadas chuvas que atingiram Vitória da Conquista durante a tarde. Entre as decisões anunciadas está a interdição imediata do trecho considerado crítico da Avenida Caracas, no bairro Jurema, determinada pela prefeita Sheila Lemos, com o objetivo de evitar novos acidentes e garantir a segurança da população.
A medida foi tomada após um episódio dramático registrado durante o temporal: Rosânia Silva Borges, de 44 anos, foi arrastada pela enxurrada enquanto estava em um veículo de aplicativo que trafegava pela via. Desde então, equipes de resgate mobilizadas pelo município e pelo Corpo de Bombeiros Militar da Bahia, por meio do 7º Batalhão, realizam buscas intensivas ao longo do percurso do Rio Verruga.
Mobilização de equipes e apoio à família
Além das operações de resgate, a Prefeitura montou uma rede de apoio para prestar assistência à família da vítima e às pessoas diretamente envolvidas na ocorrência. As secretarias municipais de Desenvolvimento Social, Educação e Saúde foram acionadas para acompanhar os familiares de Rosânia.
O motorista do veículo, Rafael Porto, de 26 anos, conseguiu escapar da força da água ao sair pela janela do carro e alcançar a margem do canal. Ele recebeu atendimento médico e foi encaminhado para o Hospital Samur, onde permanece sob cuidados.
Durante toda a tarde e início da noite, equipes da Casa Civil e das secretarias de Segurança Pública, Serviços Públicos, Infraestrutura e Mobilidade Urbana atuaram de forma integrada nas buscas e na avaliação de danos causados pela chuva. Os trabalhos se estenderam por diversos pontos ao longo do curso do Rio Verruga, principal eixo de escoamento das águas pluviais da região.
No entanto, por volta das 19h, as operações de busca precisaram ser temporariamente suspensas, devido à baixa visibilidade e ao risco para as equipes de resgate. A previsão é de que os trabalhos sejam retomados assim que as condições de segurança permitirem.
“Não vamos descansar”, afirma prefeita
Em pronunciamento, a prefeita Sheila Lemos afirmou que a prioridade da gestão municipal neste momento é localizar Rosânia e garantir assistência às famílias afetadas pelo temporal.
Segundo ela, o episódio expõe a vulnerabilidade de um ponto específico da cidade diante de fenômenos climáticos extremos.
“Não vamos descansar enquanto Rosânia não for encontrada. Seguimos em oração e com a esperança de que ela esteja com vida e possa retornar ao convívio de sua família. Essa tragédia nos sensibiliza profundamente e poderia ter atingido qualquer pessoa que estivesse naquele local naquele momento”, declarou.
A gestora destacou ainda que a cidade foi surpreendida por uma chuva considerada atípica e de grande volume, que não havia sido prevista pelos sistemas de monitoramento meteorológico do Instituto Nacional de Meteorologia.
“Enfrentamos uma chuva intensa que acabou atingindo justamente um ponto sensível da nossa cidade, o trecho da Avenida Caracas. Desde novembro do ano passado, a Prefeitura já vem buscando recursos para realizar intervenções estruturais nessa área. Diante do ocorrido, determinamos a interdição imediata do trecho para preservar vidas”, acrescentou.
Divergência entre previsão e volume real de chuva
Um dos aspectos que mais chamou atenção das autoridades foi a discrepância entre a previsão meteorológica e o volume real de precipitação registrado no município.
Até as 10h da manhã desta segunda-feira, Vitória da Conquista operava sob alerta amarelo, com estimativa de chuva fraca, variando entre 3 e 5 milímetros, sem indicativo de agravamento por parte do Inmet.
Entretanto, na prática, a cidade foi surpreendida por um evento muito mais intenso. Dados da Defesa Civil apontam que algumas regiões chegaram a registrar picos de 62 milímetros de chuva, enquanto a média municipal atingiu 31,25 milímetros em poucas horas.
Os bairros mais afetados foram Recreio, com 54,46 mm, e Patagônia, com 43,71 mm, números significativamente acima das previsões iniciais.
De acordo com o engenheiro da Defesa Civil municipal, Gabriel Queiroz, as imagens de satélite mostraram um fenômeno meteorológico altamente localizado, com nuvens carregadas concentradas sobre a área urbana da cidade.
Enquanto isso, localidades da zona rural, como Bate-Pé e Inhobim, praticamente não registraram chuva.
Segundo o especialista, essa imprevisibilidade técnica dificultou a adoção de medidas preventivas mais severas antes do temporal.
Problemas estruturais no canal da Avenida Caracas
O episódio também reacendeu o debate sobre as condições da infraestrutura de drenagem da Avenida Caracas, especialmente no trecho próximo ao canal que corta o bairro Jurema.
Durante temporais, o sistema atual frequentemente apresenta limitações para absorver o volume de água, provocando transbordamentos e alagamentos recorrentes.
O secretário municipal de Infraestrutura Urbana, Jackson Yoshiura, afirmou que a Prefeitura já encaminhou projetos para resolver definitivamente o problema.
Segundo ele, um projeto foi inscrito no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal, com investimento estimado em R$ 10 milhões, contemplando intervenções nas avenidas Caracas, Juracy Magalhães e Filipinas.
Projeto prevê ampliação da drenagem
A proposta técnica elaborada pelo município prevê a duplicação da capacidade de captação de águas pluviais na Avenida Caracas.
A intervenção inclui a implantação de uma nova linha de aduelas de concreto armado, medindo 3 metros por 3 metros, ao longo de 225 metros de extensão. A estrutura funcionará paralelamente ao sistema atual, ampliando significativamente a capacidade de drenagem da região.
Hoje, o canal existente utiliza tubulação metálica do tipo ARMCO, considerada insuficiente para suportar grandes volumes de água durante eventos extremos.
Município permanece em alerta
Enquanto as buscas continuam e os danos provocados pelas chuvas são avaliados, a Prefeitura de Vitória da Conquista informou que todas as equipes municipais permanecem mobilizadas.
O Comitê de Gerenciamento de Crise segue monitorando ocorrências registradas em bairros e povoados, com atuação conjunta das secretarias municipais e dos órgãos de segurança.
A orientação das autoridades é que moradores evitem áreas alagadas e respeitem as interdições viárias, principalmente nas proximidades da Avenida Caracas, até que as condições de segurança sejam totalmente restabelecidas.
Notícia publicada originalmente por Luciana
em nome do autor LUCIANA NOVAIS.
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